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03/08/2010 - Há uma explicacão para o audacioso plano da Suzano Papel e Celulose em criar sua própria empresa de energia renovável. A notícia reforça as discussões sobre as parcerias verdes, que serão imprescindíveis para o futuro do planeta.
A Comissão Europeia estabeleceu metas ambiciosas para uma tão falada Europa Renovável. Até 2020 as emissões de gases do efeito estufa devem ser reduzidos em 20%, as fontes de energias renováveis representar 20% do consumo final e a eficiência energética deve aumentar também em 20%. Porém, existem desentendimentos e incertezas nos debates sobre biomassa energética quando o assunto é a sustentabilidade, competitividade de custo, viabilidade logística, disponibilidade e seu potencial impacto sobre a producão de alimentos. O termo 3F (do inglês “Food Fuel Fibre”) se tornou importante e a alocação de terras já é uma significativa questão política que afetará todo o comércio mundial de bens.
Atualmente, o uso da biomassa na Europa representa em torno de 1000 TWh/a em energia primária, e a União Européia tem uma meta agressiva de utilizar até 2000 TWh/a em 2020. Isso não pode ser logisticamente abastecido somente pelo mercado europeu, por isso é necessário uma mudança brusca para viabilizar tal aumento no consumo europeu de biomassa. É aí que entra o mercado sul americano, em especial, o Brasil. Em 2020, isso pode significar 500 TWh/a em exportacão ou 100 fábricas de pellets e biocarvão abastecendo o mercado europeu.
A América do Sul é um dos poucos lugares onde ainda existem terras disponíveis para a producão de bioenergia e, ao mesmo tempo, com terras suficientes para producão de alimentos. Porém, o desmatamento é uma questão sempre a ser levantanda, afinal sabemos que a biomassa deve ser adquirida de forma responsável, ou seja, através do manejo sustentável da floresta. Vale ressaltar que a União Europeia decidiu proibir, a partir de 2012, o comércio de madeira sem garantia de origem em seus 27 países.
Na Europa, a biomassa tem um papel importante na producão de energia. Calor e eletricidade a partir da biomassa satisfazem quase dois terços do consumo de energia renovável na União Europeia, e seu uso continuará a se expandir pois :
1) A biomassa é uma fonte de energia estabelecida e ambientalmente correta;
2) Existem muitas empresas que
já comercializam tecnologias utilizando biomassa;
3) A redução na emissão de carbono é
substancial se os recursos são manejados de forma sustentável;
4) Usinas operando com biomassa podem ser lucrativas em pequeno, médio e grande porte.
Há mais de 500 usinas a carvão na União Europeia, muitas ainda com muito tempo de operacão. A tecnologia de co-combustão está se tornando praticável, uma opcão de menor custo para converter a biomassa de forma mais limpa em eletricidade. Nesse processo a biomassa é usada como substituta parcial de combustíveis fósseis em caldeiras altamente eficientes. Entretanto, para substituir maiores frações, há uma necessidade de adequar a biomassa ao processo.
Com relacão a biocombustíveis para transporte, o mundo espera contar com 10% ou mais no abastecimento de combustíveis mais limpos até 2020. É um desafio e tanto que gera novas oportunidades de negócios. A indústria florestal, por exemplo, tem um grande potencial de sucesso neste mercado emergente da bioenergia. Portanto, a América do Sul precisa dar atenção às recentes mudanças na Europa energética. Com planejamento os dois continentes podem se tornar uma grande força em busca de um futuro mais limpo.
Fonte: European Climate Foundation, 2010
Contribuicão: Esa Vakkilainen
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