28/12/2009 - O primeiro eucalipto que eu vi não parecia nada impressionante. Era uma plantinha de pouco mais de um metro de altura, plantado em um grande vaso e o professor de uma escola técnica rural que o apresentou mostrou diversas fotos com plantações homogêneas que dizia ser desta mesma árvore.
Isto ocorreu em uma feira agrícola e a “doutrinação” deste professor foi bastante eficiente pois nos anos seguintes os eucaliptos começaram a ganhar espaço em diversas propriedades do município ao lado dos pinus e das sucurujubas.
Ele recomendava o plantio dos eucaliptos para a drenagem de terrenos pantanosos e foi para isto que os mesmos passaram a ser plantados. Ele também falou que das folhas do mesmo podia ser extraído um valioso óleo assim como disse que o mesmo produzia caules longos e retos que seriam muito úteis para construir pontes, usar como postes e também poderiam ser serrados além de servir como combustível para a secagem do fumo que na época era um problema local.
Os primeiros eucaliptos plantados, no entanto, trouxeram muitas decepções pois, se cresciam mais que erva daninha, havia um enorme problema pois, as sementes que foram utilizadas em algum momento foram misturadas e desta forma havia muitas variedades de eucalipto sendo plantados sem nenhum critério.
Alguns se decepcionavam com o fato de as folhas produzirem pouco óleo, outros com o fato de as árvores ficarem muito torcidas e todos com o fato de serem impróprios para o uso em construções pois se retorciam para todos os lados.
Ao longo dos anos tive diversas experiências diferentes com esta árvore e trabalhei até em uma empresa que plantava a variedade citriodora exclusivamente para cortá-los quando atingiam a produção máxima de folhas para extrair o óleo das mesmas.
A maioria dos produtos, no entanto, nunca se definiu por uma variedade e por isto a finalidade principal destas plantações passou a ser apenas uma: a produção de lenha.
Pude constatar que ainda hoje existe muita falta de informações sobre as variedades de eucaliptos e em relação as mais adequadas a serem plantadas tendo em vista uma finalidade mais nobre.
Sem uma orientação profissional, o que se vê é o uso do solo para a produção de uma árvore que depois não vai ser aproveitada da melhor forma e que gera desestímulo dos plantadores pelo baixo retorno econômico.
Além das grandes áreas em que os reflorestamentos são implantados com uma clara orientação em relação à finalidade, existe um potencial muito grande para aproveitamento de áreas ociosas ou de difícil aproveitamento para plantio além da possibilidade de incluí-los em áreas em que a reposição da vegetação faz-se necessária.
Para este tipo de finalidade, o eucalipto apresenta uma vantagem muito grande pois, pode ser cortado quando atinge o porte ideal, seja para lenha, estacas, vigas ou outra finalidade deseja e rebrota com muito vigor.
Sem orientação técnica, no entanto, grande parte deste potencial não é aproveitado, pois o produtor rural nem sabe o que fazer com as árvores que estão maduras.
Esta é mais uma fronteira a ser explorada em nosso país.