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publicado em 12/03/2012
Sobre jornais, livros e o círculo virtuoso da comunicação impressa
Fabio Arruda Mortara. É presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (ABIGRAF) e do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP)

16/02/2012 - Duas notícias que circularam nos principais jornais do País em dezembro do ano passado chamaram a atenção para um fato que não deve ser subestimado pelos empresários gráficos brasileiros: é grande o potencial de crescimento do segmento editorial nacional, o que tem tornado o nosso mercado objeto de interesse de grandes grupos estrangeiros.

A notícia mais recente a apontar esta tendência veio a público no começo de dezembro,quando a editora britânica Penguin anunciou a compra de 45% das ações da Companhia das Letras – um dos maiores e mais respeitados grupos editoriais do País. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente-executivo da Penguin, John Makinson, deu uma pista do que motivou o investimento estimado de R$ 50 milhões no mercado editorial brasileiro. “A transação ajudará a Penguin a entender o comportamento de um mercado em crescimento como o Brasil, em que os livros em papel ainda são muito fortes”, disse Makinson após a divulgação do negócio.

Ainda de acordo com a Folha, a avaliação do executivo reflete a aposta do grupo britânico na expansão do público leitor brasileiro, que deve crescer nos próximos anos como consequência dos inevitáveis esforços pela elevação do padrão educacional do País.

Análise semelhante foi feita por integrantes do mercado de jornais presentes no Seminário Internacional de Jornais, realizado no fim de novembro em São Paulo. Segundo o presidente da International Newsmedia Marketing Association (Inma), Earl Wilkinson, apesar do avanço das tecnologias digitais, o jornal impresso reinará soberano no Brasil por mais, pelo menos, 50 anos. O raciocínio do dirigente da Inma é semelhante ao do executivo da Penguin: o consumo de produtos editoriais impressos cresce em países com classe média em expansão e elevadas taxas de analfabetismo, ao mesmo tempo em que os tablets, vendidos nesses mercados a um preço médio de US$ 800, não representam neste momento um concorrente de fato para a indústria gráfica.

Por aqui, o fenômeno se reproduz quando observamos o comportamento do setor editorial nas regiões em que a chamada nova classe média mais tem se expandido. Também presente no Seminário Internacional de Jornais, o diretor-executivo do Correio da Bahia, Luiz Alberto Albuquerque, lembrou que, nos últimos quatro anos, a tiragem média dos jornais da região metropolitana de Salvador saltou de 49 mil para 133 mil unidades/dia.

No segmento editorial da Indústria Gráfica a realidade não tem sido diferente. Dados da ABIGRAF recém divulgados mostram que, nos doze meses contados de outubro de 2010 a setembro de 2011, o aumento na produção do setor foi de 12,7% sobre igual período do ano anterior.

A melhoria da renda da população, e o seu efeito, principalmente, sobre alguns estados das regiões Nordeste e Centro-Oeste, além das políticas de compras governamentais de livros didáticos, foram as principais alavancas para este resultado. Entretanto, é importante destacar que a indústria editorial mostrou sinais de forte desaceleração no mês de setembro, com uma queda de 1,4% na sua produção na comparação com agosto – resultado do fim do período de compras do governo federal pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). 

É exatamente por conhecer tão de perto o impacto dos investimentos em educação sobre a atividade econômica nacional que a ABIGRAF tem defendido, no âmbito do Plano Nacional de Educação (PNE), a aplicação de 10% de todo o PIB brasileiro em educação. Acreditamos que a comunicação impressa é – e será por muito tempo – o melhor canal para a transmissão do conhecimento necessário para a tão desejada elevação do padrão educacional dos brasileiros. E sem uma educação de qualidade, todos saem perdendo.  

 
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