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Entrevistado: Israel Marcon, presidente do Sindimadeira (Sindicato das Indústrias de Marcenarias, Serrarias, Carpintarias e Tanoarias de Lages/SC
24/11/2011 – O setor de Pinus na região de Santa Catarina, no sul do País, está sofrendo com o câmbio baixo, o que reflete, diretamente nas importações e exportações. A afirmativa é do presidente do Sindimadeira (Sindicato das Indústrias de Marcenarias, Serrarias, Carpintarias e Tanoarias de Lages/SC), Israel Marcon, que está no cargo há seis anos. Segundo ele, atualmente, o setor envolve cerca de 70 mil pessoas, direta e indiretamente.
Marcon acredita que este mercado ainda tem grande potencial de desenvolvimento e busca novas alternativas para geração de transformação da matéria-prima. Somente em 2010, foram mais de 440 mil metros cúbicos de madeira comercializada, o que representou um recolhimento de aproximadamente R$ 15 milhões em ICMS e um faturamento de R$ 135 milhões no mercado interno, com aproximadament, R$ 90 milhões no mercado externo.
Israel Marcon falou com exclusividade para o Portal CeluloseOnline, durante o Florestal & Biomassa em Lages, Santa Catarina.
CeluloseOnline - Durante o Florestal&Biomassa ficou nítido para os participantes uma preocupação geral quanto as perspectivas do mercado de Pinus. Qual a atual situação do setor na região?
Israel Marcon - A nossa situação, principalmente do mercado de Piínus, vem sofrendo nos últimos três, quatros anos. Na verdade vários setores foram afetados. E um dos motivos que nos levou a promover este evento foi para que justamente pudéssemos retomar, dar um impulso positivo, para que as pessoas envolvidas no setor pudessem, através do fórum, sentir novamente confiança para procurar novas alternativas e informações. Outro objetivo era fazer o empresário começar a perceber que ele tem possibilidades e um futuro que pode ser promissor, para retomar os níveis de produção e de vendas que tínhamos há cinco, seis anos.
CeluloseOnline – Que tipo de ações, o sindicato tem promovido para ajudar este empresariado?
Israel Marcon - Temos promovido várias ações neste sentido. Fomos parceiros e trabalhamos na implantação da Tractibel, em Lages. A ideia de trazer esta empresa para a região nasceu dentro do sindicato. A companhia é hoje um modelo de planta e geração de energia através de biomassa para o mundo todo. Temos também trabalhado no sentido de trazer novas plantas que possam absorver principalmente hoje aquela matéria prima, biomassa que seja provenientes de florestas novas. Temos também uma área plantada muito grande na nossa região e percebemos que o maior problema do produtor hoje é este: encontrar alternativas de comercialização para a tora fina - que a gente chama. Estamos trabalhando em dois novos projetos e se um deles der certo, será um salto para a nossa região.
CeluloseOnline - Em termos econômicos, o que significam as plantações de Pínus para a economia de Lages e da região?
Israel Marcon - Quando falamos de Lages, pensamos em uma região que abrange 18 municípios. Temos hoje cerca de 280 mil hectares de florestas de Pinus plantados. O setor é o primeiro e segundo maior empregador. Isto sempre foi historicamente o maior agregador de mão de obra da cidade e região. Temos uma vasta estrutura para nos atender, porque o setor não é apenas a madeira. Temos toda a base florestal, desde o plantio, o preparo da terra, as mudas, o manejo, poda, rossada. Nós temos uma gama de empresas ao redor do setor, prestando serviços, o que certamente para Lages hoje é muito importante. Nós empregamos cerca de 30 mil pessoas na região, trabalhando direto e indiretamente no setor de madeira. Este é um setor de grande importância para a região.
CeluloseOnline - Qual é o futuro que o sindicato prevê para o setor de Pínus?
Israel Marcon - Olhamos hoje com um certo temor. Nós ínhamos um centro forte, que vinha em um crescimento, com exportações a todo vapor e economia mundial ajudava. Atualmente, quando há retrações, existe uma parada e diminuição dos plantios quase que de imediato.E sabemos que isso pode gerar um vácuo e uma falta de matéria-prima. Esperamos, através das ações, que estamos trabalhando, criar novamente no plantador, no produtor esse sentimento de melhora, positivo. Se os investimentos vierem como imaginamos que eles possam vir, podemos criar novamente aquele sentimento positivo que isto era nas pessoas para que continuem plantando. Que replantem as áreas que foram cortadas e que mais pessoas mostrem interesses em plantios.
CeluloseOnline - Quais são os números de faturamento do setor?
Israel Marcon - Somente em 2010 foram mais de 440 mil metros cúbicos de madeira comercializadas, o que representou um recolhimento de aproximadamente R$ 15 milhões em ICM, e um faturamento de R$ 135 milhões no mercado interno e, aproximadamente, R$ 90 milhões no mercado externo.
Por Valter Jossi Wagner
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