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publicado em 20/09/2011 às 15h31
Novo executivo da SIF analisa perspectivas para setor florestal
Entrevistado: Sebastião Renato Valverde, professor da graduação e pós-graduação e coordenador da Universidade Federal de Viçosa. Diretor científico da SIF (Sociedade de Investigações Florestais)

20/09/2011 - O professor Sebastião Renato Valverde, docente da UFV (Universidade Federal de Viçosa) assumiu recentemente o cargo de diretor científico da SIF (Sociedade de Investigações Florestais). Valverde ocupa o cargo deixado pelo professor Ismael Pires que hoje é o novo chefe do Departamento de Engenharia Florestal - simultaneamente com a Diretoria Administrativa da entidade.

O novo executivo já está dirigindo pesquisas científicas e tecnológicas nas áreas social, econômica e ambiental para o setor florestal, pois a SIF difunde informações e conhecimentos sobre a atividade florestal para toda sociedade.Para isto, a entidade promove eventos nos diversos campos da Engenharia Florestal e vários cursos para capacitação e treinamento dos técnicos florestais. A sociedade também tem o papel de estimular e facilitar o trabalho dos professores e pesquisadores do DEF e de toda a UFV nas dependências das empresas do ramo florestal, desempenhando com sucesso o papel de interlocutora entre empresa e universidade.

Em entrevista ao Portal CeluloseOnline, o professor Valverde fala de suas perspectivas, linhas e diretrizes do trabalho que já está executando no cargo que exerce há pouco menos de um mês e analisa questões que envolvem o setor florestal. Para ele,  nenhuma outra atividade econômico tem uma relação tão positiva com o meio ambiente quanto a florestal. "O setor florestal como demonstrei em vários estudos, sobretudo minha tese de doutorado, é o com a maior capacidade de contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico sustentável do Brasil devido aos efeitos multiplicadores sobre os indicadores de emprego, produção, renda, impostos e divisas comerciais", destaca. Confira entrevista completa!

CeluloseOnline - Quais são suas principais perspectivas como novo diretor da SIF? O que será prioritário na sua direção para a entidade?

Sebastião Valverde - Como novo diretor científico da Sociedade de Investigações Florestais (SIF) pretendo, além de dar continuidade ao bom trabalho desenvolvido pelos antecessores, dispor todo o suporte tecnológico e científico das nossas estruturas laboratoriais e corpo docente para as empresas florestais associadas. Também entendo que é necessário atrair novas associadas. Vejo que é necessário fazer um “corpo a corpo” com estas empresas para mostrar-lhes o quão importante é esta aproximação com a SIF e com as outras instituições do ramo - IPEF (ESALQ/USP) e Fupef (UFPR).

Assim, urge aproximar estas instituições. Há espaço para se fazer uma parceria sem temer a concorrência entre elas. Não deixa de ser uma tarefa árdua, mas tem que se tentar. Há demandas do setor florestal de ordem geral que requer este esforço conjunto como, por exemplo, a atuação aos órgãos ambientais competentes para debater sobre o uso do carvão vegetal pelas siderúrgicas com o intuito de melhorar a imagem deste segmento junto à sociedade que ainda o enxerga como vilão. Como também para melhorar o desempenho deste segmento que está em vias de se sucumbir em virtude da concorrência predatória de países sem compromisso e responsabilidade ambiental e social.

Fora do campo empresarial, acredito que se faz urgente iniciar uma discussão sobre os excessos burocráticos que se avolumam sobre os trabalhos de pesquisa e assistência técnica por parte do docente para com as empresas no Brasil. Nos moldes desta burocracia brasileira, nossos pesquisadores estão sendo prejudicados na condução dos trabalhos. Não há espaço na ciência brasileira para inovação e surgimento de gênios, apenas de tecnocrata.

Comento sempre que a sorte de Einstein foi não ter nascido brasileiro, pois nesta babel burocrática, ele passaria quase 99% de seu tempo por conta de relatórios e prestação de conta e 1% para pesquisa. No Brasil não se respeita o princípio da presunção da inocência. Aqui, todos são tratados como bandidos. A tecnocracia brasileira entende que nossos pesquisadores fizeram graduação, mestrado, doutorado e pos-doutoramento para se bandidar na ciência e se locupletar dos parcos recursos públicos disponibilizados para a pesquisa.

CeluloseOnline: Quais serão as linhas e diretrizes principais de pesquisa durante sua gestão? Elas são novas ou seguem propostas da gestão anterior?

Sebastião Valverde - Como exposto acima, me empenharei na condução das propostas de trabalho de meus antecessores, mas também pretendo estimular os pesquisadores no desenvolvimento de estudos sobre novos produtos florestais, sobretudo o cavaco (biomassa florestal).

Além das pesquisas, temos pretensões de aumentar e aprimorar ainda mais nossa participação na produção de eventos, nos programas temáticos e na abertura de novas oportunidades de estágios para nossos graduandos e de participação em pesquisas de mestrado e doutorado nas empresas para nossos pós-graduandos.

CeluloseOnline - A SIF trabalha em parceria com as empresas do setor florestal? Quais principais parceiros hoje?

Sebastião Valverde - A SIF nada mais é que esta parceria das empresas do setor florestal. Ela faz a ponte entre a universidade e estas empresas. Temos hoje 28 associadas dos diversos segmentos produtivos do setor florestal, quais sejam celulose e papel, siderurgia, painéis e prestadores de serviços. Praticamente, todas as indústrias de celulose e as grandes siderúrgicas a carvão vegetal são associadas da SIF.

A SIF tem o importante papel de desenvolver pesquisas científica e tecnológica nas áreas social, econômica e ambiental para o setor florestal além de difundir informações e conhecimentos sobre a atividade florestal para toda sociedade.

Para isto, ela promove eventos nos diversos campos da Engenharia Florestal e vários cursos para capacitação e treinamento dos técnicos florestais. Além disso, a SIF estimula e facilita o trabalho dos professores e pesquisadores do DEF e de toda a UFV nas dependências das empresas do ramo florestal.

Outra importante contribuição da SIF tem sido o apoio na divulgação das pesquisas desenvolvidas pelos professores da UFV e das demais instituições de ensino e pesquisa do Brasil por meio da Revista Árvore e dos boletins e jornais da SIF, os quais pretendo dar apoio irrestrito.
 
CeluloseOnline - A silvicultura no Brasil tem sido destaque  em todo o mundo. O País tem recebido muitos investimentos em indústrias e plantações florestais. O que a SIF espera para este setor para os próximos anos?

Sebastião Valverde - A SIF, enquanto instituição técnica, não emite opiniões e nem se posiciona sobre quaisquer acontecimentos. Pelo menos este tem sido o comportamento dela. Como estou começando, creio que há necessidade de haver um consenso entre as associadas para se posicionar sobre quaisquer tema, antes de me posicionar em nome dela. De qualquer forma, enquanto professor e pesquisador, independente do cargo de diretor, não me hesitarei sobre este e quaisquer assuntos, pois escrevo e continuarei escrevendo a respeito.

Não resta dúvida que temos a melhor silvicultura do mundo, mas é preciso esclarecer que esta silvicultura se refere apenas ao plantio de eucalipto e pinus. Quanto as outras espécies, existe um obscurantismo expressivo sobre a atividade florestal que dá espaço para muitas elucubrações com outros gêneros florestais que sempre condeno em meus textos.

Mesmo assim, como pesquisador da área de mercado florestal, não tenho a menor duvida que seremos, em breve, o maior player na indústria de celulose e, mais tarde, na de painéis de madeira (MDF).
 
CeluloseOnline - De que maneira a SIF pode contribuir para a conservação ambiental do País?

Sebastião Valverde - Temos no Brasil a indústria florestal mais limpa do mundo. Produzimos o papel mais sustentável do planeta e nossas indústrias são modelos em termos de produção ecologicamente correta. Parte deste resultado se deve ao esforço de nossos pesquisadores por meio da SIF e congêneres pelos trabalhos na área de ambiência do curso de Engenharia Florestal.
Fizemos muito e faremos ainda mais pelo meio ambiente juntamente com as empresas de base florestal.

CeluloseOnline - O plantio de florestas pode conviver com outras culturas, estimulando e aumentando a rentabilidade do produtor?


Sebastião Valverde - Sem dúvida. Recentemente as escolas criaram as disciplinas de Agrosilvicultura para dar suporte a este consórcio floresta, agricultura e pecuária.

Precisamos muito avançar nestas áreas, principalmente neste momento em que o produtor rural tem investido nos projetos florestais onde há um risco muito alto em virtude do longo tempo de retorno do mesmo. Para amenizar isto, nada melhor que os sistemas agroflorestais como forma de antecipação da renda dos produtos agropecuários até o ano de colheita da plantação florestal.

CeluloseOnline - O Brasil pode ser considerado o País com maior vantagem competitiva no mercado florestal mundial? Por quê?

Sebastião Renato Valverde - De forma bem objetiva, nossa vantagem competitiva se deve ao rápido crescimento florestal que aqui se dá a um décimo do que nos países tradicionais ainda players.
Além deste rápido crescimento, outro fator de competitividade é a nossa competência gerencial e nossa técnica silvicultural.
 
CeluloseOnline - De que maneiraa SIF tem trabalhado na criação de novos mercados e produtos para a linha de bioenergia florestal?

Sebastião Valverde - Diretamente e, até então, não tem sido atribuição regimental da SIF criar quaisquer tipos de produto e mercado. Mas, indiretamente, a SIF tem apoiado nosso corpo docente no desenvolvimento de estudos sobre a criação destes.

Na área de energia, estamos conduzindo vários trabalhos para melhorar o rendimento e a qualidade da carbonização no Brasil. Avanços significativos nesta área já obtivemos, porém muito ainda há o que se avançar. Com certeza, pela competência de nossos pesquisadores, este avanço será galgado.

Tenho todo interesse em disseminar a consolidação do mercado de cavaco para produção de energia e vapor. A competitividade do cavaco é visível perante os concorrentes tradicionais, principalmente o óleo bruto de petróleo (BPF), quiçá da eletricidade.

Apesar da minha posição cética a produtos como briquetes e pellets, não dificultarei qualquer trabalho neste sentido. Na verdade, a SIF dará apoio para todas as pesquisas na área florestal que nossos pesquisadores tenham interesse desenvolver.

CeluloseOnline - Qual a opinião da SIF quanto as mudanças do Código Florestal brasileiro?

Sebastião Valverde - Não tem sido costume da SIF emitir opinião, muito menos numa questão que se tornou política. Não que eu concorde, mas respeito tranquilamente. É complicado falar em nome da SIF sobre a reforma do Código Florestal.

O conselho administrativo da SIF não se definiu quanto a discussão do Código. Eu particularmente sou ferrenho defensor desta mudança, como tenho deixado claro em meus artigos. Porém, esta posição é apenas minha como pesquisador e não deixarei que ela influencie minha gestão como diretor científico.
 
CeluloseOnline - Em sua opinião, qual a importância do Setor Florestal para o crescimento sustentável do Brasil?

Sebastião Valverde - Sem querer desmerecer quaisquer outras atividades econômicas e sem fazer apologia ao setor florestal, nenhuma outra tem uma relação tão positiva com o meio ambiente quanto a atividade florestal. Que outra atividade econômica que, ao se cumprir a função produtora, gera uma função protetora e outros benefícios ambientais, como a florestal? Que País do mundo teria condições de produzir a celulose e o papel mais sustentável do mundo, senão o Brasil?

O setor florestal como demonstrei em vários estudos, sobretudo minha tese de doutorado, é o com a maior capacidade de contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico sustentável do Brasil devido aos efeitos multiplicadores sobre os indicadores de emprego, produção, renda, impostos e divisas comerciais.

Se o governo pretende promover o desenvolvimento regional de áreas carentes, sugiro que ele promova politica pública de estímulo a implantação de indústrias florestais que atraia investimentos em plantações para, com isso, irradiar todo crescimento local por meio da formação de clusters florestais que se farão na região, a exemplo do que se tem visto em outras regiões que, outrora, eram paupérrimas.
 

Setor florestal precisa de novos nichos de mercado para crescer
 
Expansão da Celulose Riograndense deve ser concluída até 2015
 
 
Enviado em 11/10/2011
Na entrevistaverifique que se fala muito em tecnicas de clones e plantio mas não vi falar nada em tecnicas de colheita que um constante desfio nas empresas produzir mais com menos.
Autor: erivaldo andre da silva
 
 
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