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02/09/2010 - No período de 30 de setembro a 1º de outubro acontece no Brasil a I Conferência da Indústria Florestal Latina Americana. Trata-se de um projeto desenvolvido e organizado pela FPM (Forestry Products Marketing) em parceria com a empresa norte-americana, CFPA (Cambridge Forest Products Associates). A FPM é uma unidade da empresa brasileira HDB&R, liderada pelo executivo Francisco Ribas, que tem se focado nos últimos 20 anos no setor de celulose e papel, ambos ligados na indústria de produtos florestais.
Ribas é idealizador do evento e conta que a ideia de criá-lo surgiu em 2005 quando ele propôs a algumas associações nacionais e internacionais de produtores de celulose e papel a realização de um evento que propiciasse uma visão integrada de toda a cadeia de produção e setores relacionados. Hoje, cinco anos depois o projeto se consolida e pretende proporcionar uma visão mais holística para o setor florestal que na verdade é composto por diversos setores, que estão intimamente relacionados. Segundo Ribas, a proposta do todo visa avaliar riscos e oportunidades.
A conferência acontecerá em São Paulo e terá como tônica principal do debate a “Concorrência Global por Terra”. O idealizador da conferência deu uma entrevista para o Celulose Online e avaliou que os recursos florestais estão sendo procurados não apenas pelos tradicionais setores da indústria florestal (celulose, papel e produtos de madeira), mas também pelas novas indústrias que buscam usar a madeira para geração de energia e para produção de etanol e biodiesel. “A realidade é que cavacos de madeira podem ser convertidos em uma variedade de produtos (celulose, painéis de madeira, energia, etc.) e o melhor uso dessa matéria-prima pode não ser os produtos que estão sendo fabricados atualmente”, diz. O evento vai também abordar as tendências das principais forças motrizes da demanda e oferta de florestas, perspectivas econômicas globais, aspectos logísticos e de custos, certificações ambientais, além de aspectos específicos dos setores de produtos de madeira, celulose e papel, assim como tendências de preços.
Celulose Online: Como o senhor avalia a posição da indústria florestal na América Latina frente a outros mercados globais?
Francisco Ribas: A indústria florestal latino americana ocupa uma posição de liderança crescente em relação aos concorrentes globais. Com base nos dados divulgados pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), hoje a indústria florestal latino americana ocupa o 4º lugar na produção mundial de celulose (considerando apenas a produção brasileira e chilena) e 9º na produção mundial de papel (levando em consideração apenas a produção brasileira). Cerca de 8,7 bilhões de dólares serão investidos na indústria brasileira de celulose e papel entre 2008-2012, segundo dados da BRACELPA. Isso demonstra a atratividade do setor e seu potencial competitivo. É uma posição de destaque e sem dúvida de responsabilidades crescentes.
Celulose Online: Quantos países latino americanos participam deste mercado?
Francisco Ribas: Os principais países latino-americanos produtores de celulose, papel e produtores de madeira são o Brasil, o Chile, a Argentina e mais recentemente o Uruguai na produção de celulose. O México também tem uma posição de destaque na produção de papel, embora careça de celulose e produtos de madeira. A Venezuela também tem arrojados planos de expansão, embora ainda a serem confirmados.
Celulose Online: Quais seriam os diferenciais da indústria florestal na A.L. que a tornam competitiva frente a outros mercados?
Francisco Ribas: Os diferenciais competitivos da indústria florestal latino-americana são muitos e significativos. Além das condições naturais ambientais e climáticas favoráveis, a indústria conta com um diferencial especial que se refere ao conhecimento e desenvolvimento tecnológico do manejo de suas florestas e processos produtivos. Esse é um ativo inestimável! A indústria conta também com a vasta extensão territorial do continente para expansão das fronteiras agrícolas e de uma rede fluvial e costa litorânea pelo oceano atlântico e pacífico com acesso a portos marítimos para escoamento da produção para exportação. Além desses fatores naturais, a indústria conta com uma mão-de-obra local especializada, capacidade gerencial altamente qualificada e fluxo de recursos nacionais e estrangeiros que por perceberem a natureza de vantagem competitiva da indústria destinam seus recursos para investimentos no setor. Não são poucos os organismos financeiros internacionais, instituições e empresas que estão investindo na indústria florestal latino-americana.
Celulose Onine: Como promover a integração dos diversos segmentos (papel, celulose, madeira,etc.) que atuam na indústria florestal?
Francisco Ribas: A Latina Conference é uma iniciativa que se propõe a isso: promover uma visão integrada de toda a indústria. Mas, é preciso ter em mente que a indústria florestal mundial já é uma indústria bastante integrada pela sua própria natureza e pela sua longa história. Vemos grandes empresas atuando em diversos segmentos e que compreendem muito bem os vasos comunicantes e percebem os impactos nos seus negócios provenientes da dinâmica específica de cada mercado. Vemos executivos que ora trabalharam numa empresa e que agora atuam em outras empresas, disseminando o conhecimento. Vemos instituições de classes atuando conjuntamente em prol do crescimento dessa indústria. Vemos organismos governamentais preservando e impulsionando o crescimento em diversos países. Vemos instituições não-governamentais clamando pelo estabelecimento de práticas cada vez melhores. Vemos institutos de pesquisa e desenvolvimento de produtos e tecnologias engajados na busca de avanços substanciais nos processos produtivos. Vemos fornecedores de máquinas e equipamentos e prestadores de serviços logísticos trabalhando em parceria com os seus clientes (produtores de celulose, papel e produtos de madeira) para inovação dos modus operantis.
Porém, todos esses agentes econômicos, empresários, executivos, instituições de classe, organismos governamentais e não-governamentais, institutos de pesquisa, etc. parecem estar trabalhando de forma isolada e com uma visão micro do seu negócio, carecem de um “espaço” para o compartilhamento de experiências, conhecimento e novas idéias de uma forma ampla, integrada, independente e isenta de opiniões pré-concebidas. É isso que estamos buscando promover com a organização da Conferência Latina.
Celulose Online: As florestas latino americanas já são exploradas na sua potencialidade? Que outras demandas surgirão no futuro? Estamos preparados, por exemplo, para as novas demandas no segmento de combustíveis?
Francisco Ribas: O potencial da indústria florestal não apenas na América Latina, mas também e principalmente no hemisfério norte está sendo repensado e novas formas de exploração desses recursos estão sendo estudadas e desenvolvidas. Hoje, o potencial energético já é um fato. A sua viabilidade econômica e extensão é que estão sendo avaliadas e em alguns casos, já posta em prática. O potencial de desenvolvimento de culturas consorciadas à cultura do eucalipto também já é uma prática estabelecida por muitas empresas em parcerias com pequenos agricultores. Ainda há muito campo a ser explorado e o apoio de instituições de pesquisa e organismos governamentais é fundamental para o sucesso das iniciativas já postas em prática. A nanotecnologia representa hoje um vasto campo de alternativas a serem estudadas e exploradas. Mas, isso por si só já é um prato cheio para os engenheiros pesquisadores se esbaldarem.
Celulose Online: Como relacionar o potencial de exploração das florestas com os apelos pela preservação ambiental?
Francisco Ribas: Essa relação é intrínseca, natural e já existe há muitos anos. A indústria florestal já vem exercendo esse papel com muita competência e cuidado há bastante tempo. Não é uma coisa nova para a indústria. Todas as empresas que atuam nesse setor já perceberam, desde os seus primórdios, que para o sucesso dos seus empreendimentos era necessário cuidar da preservação ambiental. Apenas se tornou um foco de atenção da sociedade em geral com a promoção pelos veículos de comunicação de massa das conseqüências do aquecimento global e gases de estufa. Agora, aparece de uma forma muito evidente a contribuição que o setor florestal pode promover, exigindo dele uma responsabilidade e resposta muito maior. O desconhecimento da sociedade sobre as práticas e os benefícios que a indústria tem desenvolvido é que precisam ser melhores evidenciados. A indústria tem contribuído com o seu papel e está apta a continuar atuando nesse desafio global. Repensar antigas práticas e desenvolver novos métodos de produção tem sido a tônica do setor.
Da Redação
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