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26/04/2010 - Moradores dos dois lados do rio Uruguai, fronteira entre Uruguai e Argentina, fizeram neste domingo(25) manifestações em defesa de suas posturas diferentes a respeito da instalação de uma fábrica de celulose da empresa UPM (ex-Botnia) na região e o bloqueio de uma ponte fronteiriça que se prolonga há mais de três anos.
Pelo lado argentino milhares de ecologistas e moradores da cidade de Gualeguaychú rejeitaram uma decisão recente da Corte de Justiça de Haia sobre a fábrica de celulose de UPM, instalada na margem do rio Uruguai.
Enquanto na localidade uruguaia vizinha de Fray Bentos centenas de cidadãos clamaram pelo fim do bloqueio que ecologistas argentinos mantêm na ponte fronteiriça Geral San Martín desde novembro de 2006.Segundo os organizadores, 18 mil pessoas foram ao lado argentino da ponte internacional em protesto contra a sentença da Corte de Haia, que assinalou que não há provas de que a fábrica de celulose traga danos para o ambiente e o futuro do rio, como defende a demanda apresentada pela Argentina.
Em um comunicado a Assembleia Ambiental de Gualeguaychú, organizadora da marcha, se nega a aceitar a sentença e expressou "firmemente" sua "exigência de desmantelamento" da fábrica de celulose da UPM instalada em Fray Bentos.Enquanto no lado uruguaio cerca de 200 manifestantes expressaram sua contrariedade com os ambientalistas argentinos, a que chamaram de corruptos.
Os manifestantes, em sua imensa maioria parentes de pessoas que perderam seu emprego pelo bloqueio na fronteira, exigiram que o Governo argentino abra a passagem fronteiriça de uma vez por todas.Esta foi a sexta marcha desde que o conflito começou e a primeira desde que a Corte de Haia emitiu sua decisão no dia 20 de abril.
Em sua sentença, a Corte determinou que apesar do Uruguai descumprir parte do tratado de administração compartilhada do rio ao autorizar a instalação da fábrica de celulose de forma unilateral, ela não causa danos ambientais que justifiquem o pagamento de uma indenização como reivindica Buenos Aires.
Os ambientalistas argentinos sustentam que a decisão de Haia "longe de solucionar o conflito o agrava", porque "é desumana", "injusta" e "incoerente", já que "só aceitou provas uruguaias e de consultoras contratadas" pela fábrica de celulose.
A crítica fundamental dos uruguaios, no entanto, se deve, que apesar dos ambientalistas de Gualeguaychú dizerem combater a fábrica UPM, quem sofre com a medida é o povo de Fray Bentos, que há três anos "só recebe insultos e maus tratos do outro lado da fronteira", explicou à Agência Efe Daniel Fernández, um dos organizadores da marcha.
Fonte:Agência Efe/Adaptado por Celulose Online
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