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publicado em 10/06/2010
Atividade madeireira na Amazônia apresenta queda
Um amplo estudo que será divulgado hoje aponta uma forte retração

10/06/2010 -  Um amplo estudo que será divulgado hoje aponta uma forte retração em várias frentes, do consumo de toras até o número de empresas, empregos e a receita bruta do setor. Intitulado "A atividade madeireira na Amazônia brasileira: produção, receita e mercados", o documento mostra que em cinco anos, entre 2004 e 2009, o segmento madeireiro da região reduziu o consumo de toras de 24,5 milhões de metros cúbicos para 14,2 milhões. A queda, que representa o volume de madeira que chegou às serrarias, atingiu toda a cadeia.

A receita bruta do setor caiu de R$ 6,7 bilhões (US$ 2,31 bilhões) em 2004 para R$ 4,9 bilhões (US$ 2,48 bilhões) em 2009, impactando no número de empresas e empregos. As empresas recuaram de 3.132 para 2.227, e foram cortados 141 mil empregos.

De acordo com o estudo, elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), um dos fatores determinantes para o encolhimento do segmento madeireiro na Amazônia foi o maior rigor no monitoramento e na fiscalização ambiental. "As atividades de combate e controle estão diretamente relacionadas à queda no número de polos madeireiros na região", diz Denis Pereira, pesquisador do Imazon.

Não foi pouca coisa: dos 82 polos em 2004, 75 restaram em 2009. Somente o Pará perdeu três polos. Por definição, uma região é considerada como tal quando um município ou grupo de municípios vizinhos consomem 100 mil metros cúbicos ou mais de madeira/ano.

Entre 2005 e 2006, por exemplo, o Ibama intensificou os casos de apreensões de madeira ilegal na Amazônia, confiscando, em média, 202 mil metros cúbicos de madeira por ano. Em 2003, o governo realizou 32 operações de execução envolvendo 400 funcionários, quase todos do Ibama. Já em 2007 foram 134 operações com mais de 3 mil funcionários envolvidos, incluindo Polícia Federal e Exército.

Mas as ações do governo, sozinhas, não explicam esse movimento. Contribui muito também a substituição da madeira nativa por outros materiais na construção civil e a crise econômica mundial, que afetou as exportações. "Cresceu o uso de produtos concorrentes da madeira tropical", diz Pereira. Esses produtos incluem forros de PVC, esquadrias de alumínio, formas de metal e o MDF.

O Imazon já havia realizado dois balanços madeireiros similares, em 1998 e 2004. Desta vez, no entanto, o trabalho teve um objetivo maior: ajudar a nortear a política de concessões de florestas públicas do governo federal, que passa à iniciativa privada a gestão das matas nacionais para a extração de madeira de forma sustentável.

"Estudaremos as áreas prioritárias para agir", diz Antonio Carlos Hummel, diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão responsável pelas concessões. Pelo estudo, uma áreas de forte pressão de madeireiras é o entorno da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA). Ali, o governo já tem lotes de 140 mil e 300 mil hectares sendo preparados para licitação.

Até agora, três lotes de florestas foram repassados para gestão privada, na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, com 96 mil hectares. Até dezembro, o governo pretende licitar 1 milhão de hectares de florestas na Amazônia.

Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online

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