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01/12/2010 - A polícia argentina cumpriu ontem ordens judiciais para entrar na sede da empresa Papel Prensa e apreendeu documentos relacionados a supostas irregularidades contábeis denunciadas pelo governo da presidente Cristina Kirchner.
Desde 2009, a fábrica de papel-jornal, que pertence ao Estado argentino e aos jornais "Clarín" e "La Nación", se transformou no eixo de um conflito entre os dois veículos e o governo.
A presidente da Argentina tenta excluí-los da sociedade por meio de ações que estão em curso na Justiça.
As apreensões realizadas ontem, que incluíram livros de ata e arquivos de computador, estão relacionadas a um processo em que o governo acusa os sócios privados de produzirem "balanços" falsos ao longo dos últimos 32 anos.
Ainda conforme a denúncia do governo, o "Clarín" e o "La Nación" escondem informações dos representantes estatais e tomam decisões administrativas que beneficiam os jornais em detrimento da empresa.
Como possuem juntos 72% das ações, os veículos teriam concedido a si próprios descontos na compra de papel-jornal.
O governo, no entanto, diz que não há nenhum estudo que demonstre a viabilidade econômica dessa transação.
Segundo Daniel Reposo, funcionário do governo responsável por administrar as parcerias com a iniciativa privada, a documentação apreendida na sede da Papel Prensa permitirá à Justiça avançar também na investigação de um suposto esquema de extorsão controlado pelo Grupo Clarín.
Reposo afirma que o "Clarín" usava informações de cartões de crédito privados de juízes para fazer chantagem e obter sentenças favoráveis a suas empresas.
Por meio de nota, os jornais "Clarín" e "La Nación" chamaram a medida de "atropelo" e disseram que se trata de "uma das tantas denúncias infundadas" do governo em relação aos dois veículos.
Os jornais também argumentam que as supostas irregularidades nos balanços da empresa já foram investigadas e descartadas pela Justiça Comercial, o que dispensaria as buscas realizadas nos escritórios.
Além de acusar os jornais por supostas irregularidades na administração da empresa, o governo move outro processo envolvendo a Papel Prensa, no qual denunciou os sócios privados de cometerem crimes contra a humanidade há cerca de 35 anos.
Na versão governista, os dois veículos compraram suas ações, em 1976, de uma família que estava sendo perseguida e ameaçada por dirigentes dos jornais e pelo aparato repressor do último regime militar argentino, que durou até 1983.
Fonte: Folha de S. Paulo/Adaptado por Celulose Online
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