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publicado em 09/06/2010
Empresas do setor de C&P apostam na causa ecológica
Trilhas e corredores ecológicos. Suzano e Fibria desenvolvem projetos de preservação ambiental

Da Redação

09/06/2010 - A educação ambiental tem sido a forma que muitas empresas do setor de celulose e papel descobriram para interagir e dialogar com comunidades em que atuam. Atualmente, diversos modelos, projetos e programas que levam o mote da sustentabilidade transformaram-se em estratégias sofisticadas nestas companhias. Muitas delas elegem a preocupação ambiental como fator motriz em sua gestão.

Pegando carona neste conceito, a Suzano Papel e Celulose inaugurou recentemente a Trilha Ecológica em Teixeira de Freitas, município baiano que possui cerca de 125 mil habitantes numa área de 2.154 km². A iniciativa faz parte do Projeto Trilhas, voltado à educação ambiental por meio de uma aula prática em áreas de preservação e florestas de plantio de eucalipto. Esta é a quarta trilha do projeto. Há outras em atividade localizadas nos municípios de Itatinga, interior de São Paulo, e em Caravelas e Mucuri, no extremo sul da Bahia.

O Projeto Trilhas tem como objetivo transmitir conceitos ambientais em locais de fragmentos de Mata Atlântica, na Bahia, uma formação florestal distribuída ao longo da costa brasileira e que hoje possui apenas 5 % da sua cobertura original e de Cerrado, em São Paulo.

“O projeto surgiu pela preocupação da Suzano em contribuir para a preservação e conservação do meio ambiente e a busca constante de aprimorar o relacionamento com as comunidades do seu entorno”, afirma Adalberto Plínio da Silva, gerente executivo de Operações da Unidade de Negócio Florestal da Suzano Papel e Celulose.

As visitas à trilha têm como público alvo alunos do 5º ano do ensino fundamental de escolas municipais, particulares e cidades da região de Teixeira de Freitas, além de profissionais da área da educação, moradores das comunidades do entorno da empresa, líderes comunitários e representantes de organizações não-governamentais. “Nossa expectativa é atingir 2 mil estudantes por ano somente em Teixeira de Freitas”, explica Silva.
 
A empresa possui 597 mil hectares de terras distribuídas em São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Piauí e Maranhão, dos quais, aproximadamente 40% são destinados à conservação ambiental e à recuperação da cobertura vegetal original, sendo o restante para plantio de eucalipto e infra-estrutura operacional.
 
Para o Projeto Trilhas, foram identificadas nas florestas preservadas áreas com potencial para o desenvolvimento de trabalhos de educação e conscientização junto à sociedade. Nestas áreas encontra-se uma enorme diversidade de espécies, representando a maior diversidade do planeta. O recorde mundial de diversidade de árvores foi registrado no Sul da Bahia, onde os botânicos já encontraram 450 espécies, em um único hectare, sendo que a maior parte desse patrimônio ainda era desconhecida.

Todas as trilhas são monitoradas e contemplam conceitos de preservação ambiental como: restauração ambiental, interação de fauna com a vegetação, importância da água, paisagem, sucessão ecológica, floresta e o eucalipto.
A Fibria também investe neste tipo de ação e oficializou a partir deste mês de junho seu plano de ação para dar vida ao Projeto Corredor Ecológico, com meta de preservar e restaurar 150 mil hectares de Mata Atlântica, na porção paulista da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. O projeto tem data de validade para os próximos dez anos. 

As bases deste corredor ecológico foram lançadas em 2006. Algumas áreas demonstrativas foram plantadas na região para ilustrar como se formam os corredores ecológicos e como eles podem fazer parte de uma propriedade sem interferir em seus processos produtivos. “De lá para cá trabalhamos na construção da base institucional do projeto e da ampliação de parcerias que permitirão sua continuidade no longo prazo”, diz Paulo Valladares, secretário executivo da Associação Corredor Ecológico do Vale do Paraíba (ACEVP).  Segundo ele, o corredor ecológico tem a função de recuperar áreas degradadas e reconectar partes isoladas de floresta, facilitando a movimentação de espécies animais e possibilitando a prática de atividades sustentáveis nas áreas intermediárias, beneficiando pequenos produtores que vivem na região.

O projeto já desenvolve atividades nos  municípios de São Luís do Paraitinga, Lorena e Guaratinguetá. Além dos benefícios ambientais, a iniciativa pretende envolver a população do entorno, com geração de renda e valorização cultural. “O nosso desafio é fazer esse trabalho, de recuperação da biodiversidade, incluindo pessoas. Queremos que elas sejam protagonistas e parceiras do projeto”, explica José Luciano Penido, presidente do Conselho de Administração da Fibria e presidente do Conselho  da ACEVP.

Do total dos 150 mil hectares, 122 mil (1.660 árvores por hectare / total de 202 milhões em 10 anos) serão de espécies nativas da Mata Atlântica e 28 mil hectares (1.660 árvores por hectare / total 46 milhões de árvores em 10 anos) serão de florestas voltadas para o uso econômico (Eucalipto). “A proposta de recuperação da cobertura vegetal dessa região vai permitir a criação de faixas contínuas de matas ou um mosaico de atividades sustentáveis, de maneira a interligar trechos de florestas, e assim, propiciar a recuperação da biodiversidade daquele bioma, de seus recursos hídricos, do trânsito de animais, além de permitir que a floresta exerça seu papel como reguladora do clima”, explica Maria Luiza Pinto, diretora executiva de Desenvolvimento Sustentável do Santander, instituição parceira da iniciativa.

As águas da parte paulista do rio Paraíba do Sul abastecem cerca de 10 milhões de pessoas, incluindo a indústria e a agricultura em São Paulo e  90 % da população da região metropolitana do Rio de Janeiro. “O projeto tem dois desafios: o de conscientizar as pessoas e o de não excluí-las desse processo. É uma ação coletiva da sociedade. E nisto, as empresas têm um papel fundamental. Queremos mobilizar as empresas que atuam no Vale e que  têm relação com a sociobiodiverdade da região”, diz Caio Magri, assessor de políticas públicas do Instituto Ethos, também parceiro.

Para a construção do corredor ecológico foi realizado um estudo detalhado da ecologia da paisagem e foram identificadas diferentes formas de uso e ocupação do local. A ideia é ter os fragmentos preservados e conectados com uma produção compatível no meio, garantindo que o proprietário não vai destruir a mata.

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