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04/10/2010 - O novo governo no Brasil assumirá com a economia mundial atravessando um período de "estagnação benigna" que pode ter aspectos mais positivos do que inconvenientes para o país, na avaliação de alguns economistas. Existe consenso de que a economia global entra numa fase caracterizada por crescimento pequeno nos países desenvolvidos, com taxas de juro e inflação entre zero e 1% nos próximos dois anos - as mais baixas na história moderna nesses mercados. Por outro lado, a expansão econômica será mais rápida nos emergentes, com inflação média de 4%. Os preços relativos vão mudar, com o custo das mercadorias subindo comparado ao dos serviços. O preço real de commodities continuará subindo. No campo negativo, a taxa de câmbio real nos emergentes deverá valorizar em relação a dos paises desenvolvidos, o que pode afetar negativamente as exportações do Brasil.
Os preços dos produtos importados pelo Brasil e da maior parte das commodities (salvo agrícolas pressionadas por questões climáticas temporárias) estão praticamente parados há cerca de um ano. Ou seja, a inflação de bens no país está baixa (em torno de 3% em 12 meses) apesar do forte vigor exibido pela demanda doméstica. A inflação de serviços preocupa mais por expressar diretamente o forte aumento real de salários no país.
O lado negativo da "estagnação benigna" é o câmbio, com o real fortemente valorizado afetando a competitividade do país. Diante da penúria de oportunidade de bons negócios num mundo estagnado, o Brasil é polo de atração de investimentos e financiamentos internacionais, ainda mais que está sozinho com a taxa de juro real mais alta, num mundo de taxas praticamente zeradas. Mesmo com medidas que podem ser tomadas após a definição do cenário eleitoral, a taxa de câmbio tende a se manter valorizada no Brasil.
Analistas insistem que a solução passa por reformas, como a fiscal, para permitir a redução dos juros no país e diminuir a pressão sobre o câmbio. Enquanto o Brasil não baixar os juros "dramaticamente", a apreciação do real continuará e as exportações brasileiras vão sofrer ainda mais, diz Heiner Flassbeck, economista-chefe da Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Ele lembra que o plano dos EUA é de aumentar suas exportações em 15% por ano, até 2016, e isso traz o perigo de mais queda no dólar e, em seguida, nas moedas asiáticas.
O Banco Internacional de Pagamentos (BIS) estima que o Brasil crescerá 4,5% em 2011, considerando que está num ponto de equilíbrio.
Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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