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publicado em 10/03/2010
Floresta nativa influencia a água, diz pesquisa do Chile
A floresta nativa reduz a velocidade de escoamento, o que permite um recarregamento dos lençóis freáticos

10/03/2010 - Pesquisa realizada por cientistas da Universidade Austral de Valdivia, no Chile, aponta que a presença de floresta nativa estimula maior produção de água.

Conforme descreve o estudo publicado no jornal La Tercera, os resultados de uma a maior parte das florestas temperadas da América do Sul encontram-se dentro da Ecoregião de Florestas Tropicais de Valdivia (35-488S) no Chile e nas áreas contíguas da Argentina, e têm sido classificadas entre aquelas de maior prioridade de conservação do mundo inteiro.

Como característica, aponta-se que a maior parte das florestas nativas no Chile é propriedade privada (71% do total). O restante encontra-se em parques nacionais e reservas. As florestas privadas geralmente têm sido apreciadas e usadas para a obtenção de lenha e a produção de madeira (principalmente com programas insustentáveis de extração madeireira) ou como terra para a expansão de outras atividades produtivas: agricultura, pastoreio e plantações comerciais de árvores de rápido crescimento de espécies exóticas (Pinus radiata e Eucalyptus spp). A rápida conversão em plantações florestais [sic] entre 1975 e 2000 resultou em taxas de desmatamento de 4,5% ao ano, nessa área.

A pesquisa ilustra que o escasso estado de conservação das florestas nativas pode ser explicado pela política florestal adotada a partir de 1974 no Chile. Essa política não providenciou incentivos econômicos para o manejo sustentável e a conservação das florestas nativas, pelo contrário, incentivou o uso de verbas públicas para apoiar o estabelecimento das plantações.

Ao tempo que aumentam as plantações florestais, a floresta nativa é degradada ou destruída. Conforme dados fornecidos pelo artigo de La Tercera, “na região de La Araucanía perdem-se anualmente uma média de 2.845 hectares devido a incêndios florestais, enchentes causadas por barragens, desmatamentos ilegais e degradação de florestas. Um cenário melhor, pois segundo a FAO antes de 2000 a perda média anual era de 20 mil hectares. Outras estimativas: entre as regiões V e XII, a perda atinge os 100 mil hectares desde 1995. E um estudo das universidades de Concepción, Austral e Alcalá, da Espanha, afirmou que se perderam 82.131 hectares da vegetação autóctone nas regiões V, VI e metropolitana entre 1975 e 2008, o que equivale a 42,5% do total originário”.

A academia respondeu à perda de floresta nativa tentando demonstrar sua importância como ecossistema, bem como os benefícios que dá direta e indiretamente à sociedade, entre eles o fornecimento de água, tanto em quantidade quanto em qualidade.

No trabalho de pesquisa da Universidade Austral foram feitas “medições diariamente, durante quatro anos, em seis bacias de 140 a 1462 hectares na Cordilheira da Costa, na área de Valdivia. Foram considerados a porcentagem de cobertura de floresta nativa de cada bacia e o coeficiente de escoamento- isto é, a relação entre o caudal e a precipitação anual. E a conclusão foi que os caudais e a produção de água estão correlacionadas com a porcentagem de floresta nativa que cobre as bacias. Em números: um incremento de 10% na cobertura de floresta nativa nas bacias produziria um aumento de 14,1% no caudal de verão”.

“A floresta nativa reduz a velocidade de escoamento, o que permite um recarregamento dos lençóis freáticos e um fluxo lento rumo aos córregos e rios que mantêm os caudais de verão em comparação com terrenos de uso agropecuário e plantações florestais”, explica Antonio Lara, Decano da Universidade Austral e integrante da equipe de pesquisa. A floresta regula o fluxo de água e proporciona equilíbrio.

Por outro lado, o estudo faz referência a pesquisas que apontaram que a transformação de florestas nativas em plantações de rápido crescimento diminui o fluxo dos córregos especialmente no verão. Além disso, estudos sobre o equilíbrio hídrico de jovens plantações de E.globulus e Pradiata no sul e centro do Chile revelaram maior esgotamento das reservas de umidade do solo com árvores mais velhas, bem como um aumento na intercepção do dossel e a evapotranspiração. Adicionalmente, a conversão em plantações levou a uma redução na qualidade da água devido à maior quantidade de sedimentos associados ao desmatamento nas plantações manejadas com rotações de 12 anos para o Eucalyptus spp e de 20 anos para o Pinus radiata.

Assim como apontado no artigo de La Tercera, os resultados acadêmicos confirmam o que as organizações do movimento mapuche e sócio- ambiental vêm apontando há muito: que as plantações de monoculturas de árvores atentam contra o solo e as reservas de água.

Fonte: Portal Ecodebate/ Adaptado por Celulose Online
 

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