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Por Valter Jossi Wagner
18/11/2011 - Silvicultura,Tecnologia e Fomento foram temas que movimentaram as discussões na manhã desta sexta-feira (18), na cidade de Lages, em Santa Catarina, durante o 3º Congresso Internacional do Pinus – evento que faz parte do Florestal e Biomassa 2011.
O congresso teve na abertura do dia a palestra “Agrossilvicultura com Pinus no Brasil: Atualidades e Desafios”, com o professor e pesquisador Jorge Ribaski, da Embrapa Florestas do Paraná.

Segundo Ribaski, os sistemas agrossilvicultura ou silvipastoris consistem de uma combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área e que são manejados de forma integrada. O objetivo é incrementar a produtividade por unidade de área. "Em síntese, são sistemas de produção que permitem a obtenção de dois ou mais produtos em um mesmo lugar físico com menor impacto sobre o meio ambiente", disse.
A adoção de sistemas integrados de produção se justifica pela necessidade de associar a produção agropecuária com serviços ambientais, explicou o engenheiro florestal. “Este é um sistema importante para maximizar a produção por área e reduzir a emissão de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo conservar os recursos naturais pela integração de atividades agrícolas, pecuárias e florestais”, apontou.
Essa mesma tendência se observa também em nível mundial, onde cresce sensivelmente a demanda por produtos de base florestal. "A introdução de árvores nas propriedades rurais, através das diversas modalidades agroflorestais, representa importante papel na sustentabilidade dos diferentes ecossistemas brasileiros", falou.
O pesquisador também destacou que o plantio de árvores em pastagens pode resultar em vários benefícios para o clima, solo, microorganismos, plantas forrageiras e animais. "Para o pecuarista, além de garantir condições ambientais mais propícias para suas pastagens e criações garante, também, um suprimento de madeira (para uso próprio ou no comércio), sem que para isso tenha que abandonar sua vocação para a pecuária", concluiu.

Encerrando o 3º Congresso Internacional do Pinus, o pesquisador Flavio Carlos Geraldo, vice-presidente da ABPM (Associação Brasileira de Preservadores de Madeira), tratou do tema "Preservação de Madeira de Pinus e seu Potencial para o Brasil".
De acordo com ele, a preservação de madeira de Pinus e de outras espécies no Brasil é uma alternativa que, bem orientada, pode abrir boas perspectivas ao mercado, pois a madeira tem vantagens comparativas imbatíveis frente a outros materiais. "Madeira é um recurso natural renovável, sequestradora intensiva e geradora de estoques ativos de carbono responsável pelo aquecimento do planeta, tem produção limpa e de baixo consumo energético", disse.
O palestrante abordou que a preservação de madeira torna o recurso florestal brasileiro mais competitivo e ambientalmente correto. "Para que a atividade se expanda e permita ganhos reais e qualidade de vida à toda sociedade brasileira, são necessárias medidas práticas e relevantes como: elaboração e adequação constante dos textos normativos, programas públicos que estimulem o cultivo de florestas e fiscalização rigorosa da atividade florestal", explicou Geraldo.
Cerca de 250 pessoas de vários Estados do Brasil e da América do Sul participaram do congresso. Para os participantes os temas tratados trouxeram novidades, preocupações e perspectivas para o mercado de Pinus.
Na opinião de Claudio Monteiro, pesquisador do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, o congresso deveria acontecer mais vezes, porque o setor tem apresentado muitas mudanças."O congresso aconteceu em 2006, este é um tempo muito longo para o setor. Devemos discutir estes temas anualmente, só assim podemos traçar e almejar um ganho maior para o mercado de Pinus", disse Claudio.
Para Flavio Sech, pesquisador do Rio Grande do Sul, o congresso apresentou muitos pontos importantes."Gostei muito do congresso e acabei resolvendo ficar também para o de Biomassa. Recebemos muitas informações e de certa forma, ficamos preocupados com mercado de Pinus, mas ao mesmo tempo temos visto aqui também algumas oportunidades surgindo", disse.

Para Clóvis Rech, coordenador do Congresso, o principal objetivo foi alcançado. “Aqui pudemos avaliar o atual estágio do Pinus no Brasil, bem como projetar sua evolução e participação no mercado nacional e internacional. Os problemas e possíveis soluções para o setor foram fortemente debatidos”, disse.
O 3º Congresso Internacional do Pinus terminou nesta manhã. No período da tarde, os participantes farão uma visita técnica para acompanhar a dinâmica de colheita na empresa Florestal Gateados.
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