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publicado em 11/03/2011
Fundação luta pela preservação de ave em extinção
Cientistas pesquisam hábitos e biologia do pica-pau-do-parnaíba

11/03/2011 - Pouco conhecido e bastante ameaçado: este é o pica-pau-do-parnaíba (Celeus obrieni), redescoberto por um grupo de pesquisadores em 2006, em Goiatins, nordeste do Estado do Tocantins, depois de 80 anos desde seu primeiro registro, ocorrido no município de Uruçuí, no sul do Piauí, em 1926, na região do rio Parnaíba. Endêmica do Cerrado, a espécie também foi registrada em Goiás, Mato Grosso e Maranhão.

Desde 2007, uma equipe de pesquisadores da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins, apoiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, desenvolve uma pesquisa sobre o pica-pau-do-parnaíba. “A pesquisa tem dois objetivos: o de estudar a biologia e a ecologia da espécie, determinando seu hábitat preferencial,alimentação, reprodução, relação com outras espécies; e o de realizar expedições para áreas onde historicamente houvesse registros desta espécie”,explica Renato Torres Pinheiro, responsável técnico pelo projeto. Com estas informações, a equipe poderá propor medidas para a conservação do animal.

Pinheiro conta que, além de terem sido confirmados os registros anteriormente feitos, sua equipe chegou a realizar um registro inédito da ave no Mato Grosso. “Os resultados mostraram que a espécie tem uma preferência por áreas de cerradão com bambu, o que impossibilita uma definição de área exclusiva de ocorrência da ave, uma vez que este tipo de vegetação encontra-se disperso pelo Cerrado”, relata.

O pesquisador diz que ainda não existem dados suficientes para determinar o tamanho real da população do pica-pau-do-parnaíbano Brasil, mas sabe-se que é pequena. “Estima-se que haja entre 3 e 6 mil indivíduos da espécie, sendo que as maiores populações estão no Estado do Tocantins, onde ainda se encontram as maiores extensões de Cerrado preservado”, comenta.

O pica-pau-do-parnaíba alimenta-se quase que exclusivamente de formigas que vivem dentro das hastes da Guadua paniculata,uma espécie de bambu característica do Cerrado. “O fato de a ave ser especializada em um tipo específico de alimento, encontrado em um ambiente pouco explorado, que é o cerradão com bambu, faz dela uma espécie pouco abundante na natureza, o que justifica o seu desaparecimento por 80 anos e o que a coloca em risco ainda maior de extinção”, explica Pinheiro.“Em Goiás, por exemplo, a situação da espécie é bastante crítica, uma vez que mais de 65% da cobertura vegetal de Cerrado foi destruída no estado. Ainda assim, a probabilidade de extinção da espécie está relacionada à disponibilidade de ambientes propícios”, afirma.

Outra preocupação dos cientistas é que não foi realizado, até hoje, nenhum registro do pica-pau-do-parnaíba em unidades de conservação de proteção integral, o que aumenta a vulnerabilidade da espécie.Segundo Pinheiro, como a ave depende muito do seu hábitat, é muito importante que o Cerrado seja conservado.

No início do ano, Pinheiro e a equipe do projeto que pesquisa o pica-pau-do-parnaíba identificaram, pela primeira vez, a ocorrência da espécie em uma área protegida. A ave foi identificada em uma reserva particular do município de Minaçu, na região norte de Goiás. Em janeiro, os pesquisadores também iniciaram a procura de indivíduos da espécie para captura e marcação com radiotransmissores.Está prevista a marcação de cinco aves, para a identificação de hábitos de vida que ainda não foram registrados.

Fonte: Fundação Grupo Boticário/EcoAgência/Adaptado por Celulose Online 

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