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08/09/2010 - Duas das maiores gráficas do país e tradicionais clientes das principais fornecedoras brasileiras de papel-cartão, a Antilhas e a Brasilgráfica veem risco de desabastecimento nos próximos meses para as empresas que não têm contratos de longo prazo com as fornecedoras. Ambas estão operando a pleno vapor, notam que a demanda está "bastante" acima do esperado e não enfrentaram problemas de atendimento até agora. Mas não descartam a possibilidade de que consumidores esporádicos de cartões passem por situação de aperto. "Muitos clientes anteciparam pedidos e os volumes estão bem acima do esperado. Mas quem tem relacionamento de longo prazo com as fabricantes (de cartão) não está encontrando dificuldade", conta o presidente da Gráfica Antilhas, Valter Baptista.
Na empresa, que tem 70% do faturamento atrelado à indústria de cosméticos e redes de varejo, as vendas cresceram 26% no primeiro semestre. "Por conta dos rumores de desabastecimento, pedidos de clientes chegaram a ser antecipados em 1 mês e meio", afirma Baptista.
A Brasilgráfica, por sua vez, vem registrado pedidos 10% superiores, em média, por parte de clientes tradicionais, mas não percebe antecipação das encomendas. "Pode ser que esse aumento de 10% venha na esteira da decisão das empresas de aumentar estoques para o fim do ano. Mas não é possível afirmar isso com certeza", diz o gerente de marketing, Célio Coelho de Magalhães. No ano passado, a Brasilgráfica iniciou investimentos de R$ 15 milhões no parque fabril, com o objetivo de se antecipar à demanda crescente. "Com a crise, os grandes usuários de embalagens deixaram de trabalhar com estoques. Isso exige maior capacidade de entrega por parte das gráficas", explica.
No ano passado, a empresa faturou cerca de R$ 290 milhões. Neste ano, prevê superar a casa dos R$ 300 milhões, 65% dos quais provenientes de contratos com indústrias de alimentos. "Quem não tem contrato de longo prazo com as fabricantes de cartões pode estar passando por maus momentos".
De acordo com Magalhães, recorrer ao mercado externo pode não ser alternativa viável, uma vez que há cotas de importação, os custos são elevados e também o mercado externo está demandando mais cartões. "No Brasil, com exceção da Klabin, ninguém ampliou de maneira significativa a capacidade produtiva e o crescimento foi mais forte do que o esperado. Há poucos fornecedores no país", acrescenta. Há uma semana, a Associação Brasileira de Embalagem (Abre) revisou para cima as expectativas para a produção física do setor em 2010. Agora, a instituição trabalha com perspectiva de alta de 9% a 10,5%, ante estimativa anterior de 4,7% a 6,1%.
Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online
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