|
09/08/2010 - Os planos de triplicar o faturamento da KM Papel para R$ 252 milhões nos próximos dois anos tomam toda a atenção de seu principal executivo, o empresário paulista Daniel Klabin Wurzmann, membro da quarta geração da família Klabin, controladora de um dos maiores grupos nacionais de papel e celulose. O plano de expansão foi precedido por uma ampla reestruturação promovida por Wurzmann e ainda em curso na empresa.
Depois de dois anos à frente do conselho de administração da KM Papel, ele decidiu retomar o comando operacional, em 2008 e reestruturou seus negócios: desfez-se de uma fábrica de adesivos, enxugou a folha de pagamento, demitindo mais de um terço dos 300 funcionários e decidiu apostar todas as fichas na operação papeleira. Segundo ele, a KM obteve uma economia de R$ 200 mil por mês somente com a demissão de seis executivos do alto escalão. "Decidi me voltar ao core business da KM e retirar da diretoria executivos que estavam acomodados com os resultados", diz Wurzmann.
Ao voltar às origens, a KM, fundada por Wurzmann em 1996 e única produtora de papel reciclado branco para impressão da América Latina, está deixando de ser apenas fornecedora de matéria prima para a indústria de transformação. Passou a apostar também na produção de artigos próprios, como cadernos, papel almaço, sulfite escolar, entre outros. "Vamos competir em pé de igualdade no nicho de cadernos voltados aos públicos das classes C e D", afirma Wurzmann. "Esse segmento, que não utiliza personagens licenciados, por exemplo, pela Disney, compõe 70% das vendas de cadernos do País."
A produção de artigos de papel começou há dois meses, com o arrendamento de uma fábrica de cadernos de Pirassununga, no interior paulista, e inclui a expansão da capacidade produtiva de sua fábrica de Volta Grande, em Minas Gerais. Nesse período, as receitas provenientes da fábrica arrendada aumentaram em quase 10% o faturamento da KM, em torno de R$ 8 milhões por mês.
O objetivo é canalizar, até março de 2011, toda a produção de papel, hoje estimada em 2 mil toneladas mensais, para a linha de material escolar e de escritório da unidade de Volta Grande. Inaugurada em 2006 a um custo de R$ 40 milhões, a fábrica receberá uma segunda injeção de recursos, calculada em R$ 42 milhões nos próximos meses.
Do montante destinado à ampliação da unidade, R$ 20 milhões serão usados para a compra de uma máquina alemã que permite a reciclagem de papéis mais sujos e aumenta o leque de matérias primas da KM. "Com esse equipamento, poderemos comprar um tipo de papel rejeitado pelas gráficas, que é 65% mais barato do que o que utilizamos hoje", diz. Segundo Wurzmann, alguns fundos já o procuraram com propostas para se associar à KM. Embora pretenda transformar a empresa numa sociedade anônima, Wurzmann prefere deixar para mais adiante a eventual admissão de sócios. "Prefiro esperar a KM atingir o faturamento que estamos projetando para valorizar o nosso passe e aí, sim, aceitar investidores."
Fonte: O Estado de São Paulo/Adaptado por Celulose Online
|