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Por Candida Lemos
Especial Meio Ambiente

05/06/2011 - A preservação de espécies da flora e fauna nativas pode e é totalmente compatível com a atividade florestal, especialmente a voltada para a produção de celulose e papel. Os exemplos mostram que é possível ir além, colaborando até mesmo para a continuidade de espécies em extinção. Na fazenda Levantina, localizada em Camanducaia, interior mineiro, uma área de 11 mil hectares vem sendo protegida graças à ação da Cia Melhoramentos.
No ano passado, um estudo da fauna e da flora realizado por um dos braços da companhia, a Melhoramentos Florestal, permitiu identificar 25 espécies de fauna e três espécies de flora nativa ameaçadas de extinção, de acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e registros do Convention on International Trade in Endangered Species (CITES).
Também foram identificadas cinco espécies da fauna e oito espécies da flora nativa que são encontradas apenas no bioma Mata Atlântica.
Dentre as espécies em extinção encontradas está o popular xaxim, cujo nome científico é Dicksonia Sellowiana Hook. Muito utilizada para a confecção de vasos de plantas - por ter caule flexível e característica de armazenar água por bastante tempo -, a grande procura pela espécie acabou levando à sua extinção. Hoje, o xaxim já vem sendo substituído por palha de coco e outros materiais similares.
Com a atuação da Melhoramentos, vários exemplares dessa espécie na fazenda Levantina estão sendo preservados. A planta é típica de lugares úmidos que cresce associada às florestas de Araucárias que, por sua vez, estão normalmente dentro de áreas de preservação permanente (APP).
O superintendente da Cia. Melhoramentos, Sérgio Sesiki, diz que há décadas, através de parcerias com universidades, a empresa vem realizando estudos e cadastramentos da flora e fauna.
“Com o objetivo de conquistar a certificação internacional das práticas de manejo florestal, atualizamos todos os estudos sobre as espécies da fauna e flora nativas existentes na fazenda. Ainda, verificamos as espécies endêmicas e/ou ameaçadas de extinção”, explica.
Para isso, continua Sesiki, consultores foram contratados para, juntamente com colaboradores internos, realizarem o levantamento que durou algumas semanas. Para realização do trabalho, a Cia. investiu mais de R$ 50 mil.
Além do xaxim, a fazenda Levantina abriga ainda esquilos (Sciurus Vulgaris) que se alimentam de sementes, e felinos de médio porte, como a jaguatirica (Leopardus Pardalis). Na temporada do calor, os esquilos costumam se deslocar para áreas mais próximas de vilas e acabam sendo vistos em locais de visitação pública, fazendo parte da paisagem turística da região.
Para garantir a proteção das espécies, a Melhoramentos mantém uma equipe treinada que monitora toda a fazenda, coibindo a caça de animais e os incêndios. São 20 vinte funcionários brigadistas que se revezam na guarda das terras.
Recursos naturais, dentre eles a fauna e a flora, também são periodicamente monitorados. Para preservar a qualidade ambiental, os monitores realizam um check list, o cercamento de algumas áreas com arame liso e a implantação de placas de proibição à caça.
Atividade florestal
Para preservar as áreas verdes nativas existentes na fazenda, a Melhoramentos realiza a atividade de extração ou colheita de madeira em interface com a APP.
“Durante a execução desta atividade utilizamos mais equipamentos, incluindo guinchos e funcionários de campo, buscando sempre derrubar as árvores do lado oposto à APP”, diz Sesiki explicando que preservada, esta APP servirá de corredor natural para passagem das espécies da fauna.
Outra operação é a manutenção de estradas, onde são construídas caixas de contenção para evitar erosões e assoreamentos dos corpos d'água da fazenda.
Os plantios são realizados sempre em forma de mosaico, no qual diferentes espécies são plantadas em interface com áreas verdes nativas. Este modelo visa preservar os corredores naturais, os quais permitem o fluxo de animais pela fazenda.
“Penso que até o momento a Melhoramentos não encontrou maiores dificuldades para desenvolver as operações florestais aliadas a preservação ambiental. Pelo contrário, preservando as áreas verdes nativas, a empresa impede a disseminação de pragas e doenças florestais”, diz Sérgio Sesiki.
Turismo
Em Monte Verde, além de trabalhar a conscientização da população, com palestras e informativos, a Melhoramentos investiu na distribuição de sacolinhas plásticas para lixo, na melhoria das placas nas rodovias, assim como na criação de informativos direcionados a educar o turista que visita a região.
“O turista, se mal orientado, pode realizar práticas de fogo para alimento ou se aquecer, fumar cigarro entre outras coisas e gerar incêndios”, explica Sergio Sesiki, superintendente da Cia. Melhoramentos.
Outro trabalho direcionado ao público itinerante que visita o distrito turístico de Monte Verde visa desmistificar a cultura do eucalipto, deixando claro que as espécies extraídas são provenientes de florestas plantadas e não de desmatamentos.
“A iniciativa de se investir no turista como multiplicador desta ideia visa deixar claro que a Melhoramentos é amiga do meio ambiente, cumpre a legislação e está na frente das discussões sobre o código florestal, pois já protege 50% de toda a fazenda, além das exigências legais”, afirma Sesiki.
CeluloseOnline
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