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Por Heloisa Moraes
19/02/2010 - A seringueira é uma árvore nativa da Amazônia. Hoje, o Brasil importa clones, principalmente da malásia, para produção de mudas e expansão da atividade. A Agência Paulista dos Agronegócios (APTA) - órgão do Instituto Agronômico de Campinas, desenvolve uma pesquisa de clones de seringueira com variedades melhoradas geneticamente. "É uma estratégia para que a gente não fique totalmente dependente de clones melhorados na
malásia", relata Roberto Botelho, pesquisador da APTA.
Em 1990, a área brasileira com seringueira era de 63.6 mil hectares. São Paulo tinha 3.7 mil hectares. Atualmente, a realidade é outra e segundo os dados, mostra o crescimento do setor no Estado de São Paulo. O último levantamento do IBGE, divulgado em 2009 com base em 2008, aponta que o Brasil possui 149.1 mil hectares com área plantada de seringueira - 44.3 mil hectares estão no estado paulista.
Ainda, segundo o levantamento do IBGE, o Brasil produz 123.1 mil toneladas de borracha natural. Importa 243,7 mil toneladas para atender a uma demanda de consumo interno de 366.8 mil toneladas. O estado de São Paulo é
responsável por 54,5% da produção nacional. Mas, em conseqüência da crise econômica que afetou a economia mundial, no ano passado, o setor importou 161.3 mil toneladas - 33,8% menos que 2008.
A atividade exige mão de obra especializada e novas técnicas que vêm se destacando nos seringueiros paulistas: uma delas é a sangria ascendente como explica o agrônomo Marcos Roberto Murbach, especialista no assunto. "A
sangria ascendente é feita em um terço espiral justamente por causa do consumo de casca. Aumenta declividade e consegue ter boa produtividade. E se fizer com técnica acaba tendo mais ganho de produtividade".
Leandro Silva Piai, sitiante de Colina, no interior do estado tem 7.8 mil pés em produção e utiliza a nova técnica no seringueiro. "Você aproveita mais porque acaba tendo um painel maior para fazer a sangria. Chega a fazer
até 2,5 metros de altura. E ainda tem a recuperação do painel de baixo, do descente. Com essa técnica tive um aumento em torno de 40% de produtividade", comenta Piai.
A atividade é nova para o produtor Hermínio Basso de 74 anos, também de Colina, que não tem receio de apostar na produção de mudas de seringueira para comercialização. Também cultiva seringueira e com sagacidade aproveita
as entrelinhas da cultura para plantar soja e sorgo no sistema consorciado, o que ajuda a baixar os custos de formação do seringueiro. "Eu não perco a vontade de trabalhar e adquirir novas atividades", diz o produtor de seringueira.
Segundo produtores e especialistas, uma das vantagens dessa cultura está na sustentabilidade agronômica e ambiental. Na fazenda Santa Helena, em Colina, a seringueira está sento utilizada para reflorestamento da propriedade.
Fernando Do Val Gerra, proprietário da fazenda cumpre uma determinação do código ambiental que determina: 20% da propriedade rural devem ser ocupados com reserva natural. " É uma alternativa para o produtor e com rentabilidade. Isso é muito importante porque você consegue atender a lei e ainda produzir nos 20% da sua reserva", relata Guerra.
Meio ambiente, expansão, novas técnicas no campo levam a borracha natural para as beneficiadoras onde o produto vai passar por processos até chegar ao produto final. Um bem de primeira necessidade que tem muitos fins. Segundo
Adriano Junior Sabino, gerente da Fazenda Santa Helena, "o látex em coágulo é utilizado, por exemplo, no mercado mais pesado para indústria de pneus e de borracha. Já o látex que vem em forma líquida serve para fazer um tipo de
borracha mais fina como produção de bico de chupeta ou na indústria farmacêutica - por exemplo", ressalta Sabino.
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