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publicado em 10/05/2010
Reposição florestal por empresas ainda é pequena
Nas 89 cidades da região de Ribeirão, apenas 154 empresas compensaram árvores consumidas em 2008

10/05/2010 - As churrasqueiras da Coxilha dos Pampas, em Ribeirão Preto, e os fornos da usina Continental, em Colômbia,interior de São Paulo são diferentes em tamanho, finalidade e em quase todo o resto, mas têm ao menos uma semelhança: repõem uma parte da madeira que consomem. Apesar de obrigatória, a postura de torrar, mas reflorestar, ainda é tímida. Deveria ser cumprida por padarias, pizzarias, olarias, destilarias e toda atividade que utilize madeira.

Nas 89 cidades da região de Ribeirão, porém, apenas 154 empresas compensaram árvores consumidas em 2008. Com isso, obtiveram um selo do programa Madeira Legal, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Para renovar a certificação, as empresas irão prestar conta do que usaram em 2009 até o final deste mês.

Segundo o técnico da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais da Secretaria de Estado do Meio Ambiente Sérgio Murilo Santana, o curto período desde que a lei estadual da reposição passou a valer, em 2008, não permitiu que o Estado se estruturasse para cobrar seu cumprimento. "Muito ainda está sendo pesquisado, as metodologias e os critérios de implantação e gestão estão sendo elaborados e definidos", diz Santana.

Por enquanto, apenas empresas que passam por certificação -para obter o selo ISO, por exemplo- e algumas convencidas pelo apelo ambiental têm se movimentado para semear as árvores que irão, no futuro, consumir, segundo o presidente da associação Tambaú Verde, Cláudio José Silvestre. A Tambaú Verde é uma das 12 associações de consumidores de madeira do Estado credenciadas pela secretaria para receber dinheiro das empresas e, com esse recurso, produzir mudas de eucalipto e outras espécies de árvores nativas.

A ideia, segundo Silvestre, é formar um banco de madeira. Nesse sistema, empresas como a Coxilha dos Pampas pagam pelo reflorestamento à associação, que fornece mudas, gratuitamente, para qualquer agricultor interessado.Esse produtor poderá vender a madeira a qualquer consumidor, suprindo a demanda por matéria-prima de fornos, churrasqueiras, caldeiras e outros.A alternativa ao pagamento de R$ 0,75 por árvore é o próprio consumidor plantar, mas isso só é viável para grandes empresas, como as papeleiras, segundo Silvestre.

Apesar de, em teoria, esse ciclo de consumo e produção apontar para uma atividade sustentável, Silvestre diz que a falta de fiscalização e a baixa remuneração por árvore plantada às associações podem fazer a "lei não pegar".O resultado seria madeira cara no futuro. Santana disse que tanto o preço da unidade de árvore quanto a fiscalização estão em fase de discussão.

Reposição florestal é lei desde 1965

A obrigação de repor as árvores que são consumidas, que leva à oferta de matéria-prima e evita o desmatamento, já estava prevista no Código Florestal de 1965, mas só foi regulamentada em 1991, com alteração em 1996. Do âmbito federal do Código Florestal, a reposição passou à responsabilidade dos Estados em 2001, com a publicação de lei sobre o assunto, regulamentada em 2008.

Segundo o técnico da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais da Secretaria de Estado do Meio Ambiente Sérgio Murilo Santana, alguns pontos sobre a aplicação da lei ainda estão sendo definidos. Desde 2008, segundo ele, a secretaria aprimora o sistema de informação do programa Madeira Legal e audita as associações de consumidores que recebem o dinheiro das empresas para a reposição. Comitê formado por governo, produtores e consumidores também vai definir as ações do programa de reposição, diz Santana.

Churrascaria diz não acreditar que selo atraia mais clientes

No ano de 2008, a churrascaria Coxilha dos Pampas, de Ribeirão, pagou para que a associação Tambaú Verde plantasse 500 mudas de eucalipto. "Nada mais justo do que incentivarmos plantar algo que está sendo retirado natureza", diz o gerente de marketing da empresa, Luiz Cutti Júnior, sobre a iniciativa.
Apesar de ser um dos cinco estabelecimentos de Ribeirão a obter o selo de reposição florestal do governo do Estado, Cutti Júnior diz que não está nos planos da churrascaria utilizá-lo como marketing.
"Não sei se o cliente vai preferir vir à Coxilha por causa disso, infelizmente ainda não existe esse apelo", afirmou o gerente de marketing.
Para o presidente da associação Tambaú Verde, Cláudio José Silvestre, o discurso da sustentabilidade deveria ser usado como apelo ao consumidor por todos que repõem a madeira. "Eu, por exemplo, não como pizza em um local que não faça a reposição", disse Silvestre. No total, as 154 empresas da região pagaram para replantar 355 mil árvores em 2008. Os dados de consumo em 2009 ainda estão sendo captados mas, diz Silvestre, o número de madeira reposta deve ser menor do que no ano anterior.

Fonte: Folha de Ribeirão/Adaptado por Celulose Online

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Enviado em 15/05/2010 às 06h01
Mensagem: Churrascaria diz não acreditar que selo atraia mais clientes, acho que pelo contrário, o marketing ambiental pode e deve ser utilizado pelas pequenas empresas. A sociedade está disposta a dar crédito as empresas ambientalmente corretas. As grandes já sabem disso a muito tempo e estão apostando muito nisso como um fator diferencial. É claro que talvez isso não seja um fator diferencial para muitos consumidores, mas com certeza irá somar pontos para que esse diferencial aconteça. Engº Florestal Marcus Fernandes marcusfilipe@gmail.com
Autor: Engº Florestal Marcus Fernandes
 
 
 
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