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publicado em 12/10/2010
SOS Mata Atlântica anuncia ganhadores do Costa Atlântica
200 mil reais do fundo serão investidos na conservação marinha e costeira. Entre os destaques estão projetos que mobilizam comunidades locais para o uso sustentável dos recursos naturais

Da Redação

12/10/2010 - A Fundação SOS Mata Atlântica anunciou nesta semana os vencedores do “IV Edital Costa Atlântica”, lançado por meio de seu Programa de Conservação das Zonas Costeira e Marinha sob influência do Bioma Mata Atlântica. Os premiados são cinco projetos que receberão, ao todo, cerca de R$ 200.000,00 para as duas linhas de apoio: Criação e Consolidação de Unidades de Conservação (UCs) Marinhas e Conservação e Uso Sustentável de ambientes marinhos e costeiros.

As instituições contempladas são a Organização Sócio-Ambientalista Pró-Mar, na Bahia; a Associação Ambiental Voz da Natureza e a Associação Vilha Velhense de Proteção Ambiental (AVIDEPA), no Espírito Santo; a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC/COPPE/UFRJ), no Rio de Janeiro e a Comissão Ilha Ativa, no Piauí. Os recursos são patrocinados por Bradesco Capitalização, Fundação Toyota do Brasil e Repsol.

“É muito importante ver projetos empenhados em trabalhar em parceria com as comunidades locais em busca de soluções para o uso sustentável da biodiversidade marinha. Esses atores estão cada vez mais conscientes da sua importância para a conservação dos recursos naturais  e que podem utilizá-los de forma mais ordenada, afirma o biólogo Fabio Motta, coordenador do Programa Costa Atlântica.

Dos projetos beneficiados, três deles estão na linha de criação e consolidação de Unidades de Conservação (UCs) protegerão áreas de relevante interesse ecológico e econômico. O projeto SOS Caramuanas, da Organização Sócio-Ambientalista Pró-Mar, realizará um diagnóstico participativo para criar uma Área Marinha Protegida (AMP) nos Recifes de Coral das Caramuanas localizados a sudeste da Ilha de Itaparica, na Bahia. O projeto vai analisar como os recifes desta região de 172 hectares são usados pelas comunidades locais para atividades como a pesca e também estudar a biodiversidade marinha e a dinâmica ecológica na região, de grande importância para pescadores artesanais e onde ocorrem espécies exclusivas.

No Espírito Santo, o projeto subsidiará a formação do conselho gestor e plano de ação inicial para as recém-criadas Unidades de Conservação (UCs) Marinhas Área de Proteção Ambiental Costa das Algas e o Refúgio de Vida Silvestre VIS de Santa Cruz. A  Associação Ambiental Voz da Natureza realizará oficinas de levantamento do conhecimento ecológico e produzirá materiais informativos para as comunidades e pescadores, para sensibilizá-los sobre benefícios dessas UCs e contribuir para formação dos seus Conselhos gestores.

O terceiro projeto na linha de criação e consolidação de UCs está no Rio de Janeiro. A Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos pretende mostrar a multiplicadores de uma inovadora ferramenta interativa que ajuda a implementar planos de manejo participativo em UCs costeiras e marinhas. Trata-se da “maquete interativa”, uma representação tridimensional da unidade de conservação.

O projeto se baseia em novas tendências da Etnoconservação, aquela onde há cooperação entre conhecimentos científicos e os conhecimentos tradicionais dos pescadores artesanais em cursos de formação inicial e técnicos voltados para a gestão ambiental.

A capacitação dos multiplicadores - para a criação e uso das maquetes interativas como ferramentas didáticas e de gestão de áreas protegidas costeiro-marinhas – será feita com a participação de pescadores e gestores de UCs. A ideia é também contribuir com a inserção de conhecimentos ecológicos tradicionais dos pescadores nos currículos da rede pública de ensino de Arraial do Cabo.

Os outros dois projetos foram beneficiados na linha Conservação e Uso Sustentável de Ambientes Marinhos e Costeiros associados ao Bioma Mata Atlântica. No Piauí, o projeto da Comissão Ilha Ativa  visa à sensibilização das comunidades para o uso sustentável dos recursos naturais na Ilha Grande de Santa Isabel. O foco principal será a elaboração de um diagnóstico da realidade extrativista e das populações tradicionais, que passaram a conviver com um aumento do fluxo turístico de potencial impacto para o ambiente em que vivem. O projeto defende que a implantação, na região, da RESEX do Cajuí em conjunto a RESEX Marinha do Delta do Parnaíba promoverá a maior proteção dos meios de vida e da cultura da população local, além de garantir a conservação da biodiversidade. Esse trabalho será feito com 15 organizações locais pertencentes aos municípios de Ilha Grande e de Parnaíba, localizadas dentro do Território da Pesca e Aquicultura: Planície Litorânea do Piauí, beneficiando diretamente a 2500 pessoas.

Já nas ilhas Costeiras do Espírito Santo, a Associação Vilha Velhense de Proteção Ambiental continuará um trabalho, que possui desde 1988, com o “Projeto Andorinhas-do-mar”, que tem como objetivo, além do monitoramento da reprodução das duas espécies de andorinhas-do-mar nas ilhas próximas de Vila Velha, manejar estas áreas, incentivar a recomposição da vegetação nativa e a remoção de lixo e espécies exóticas de animais e vegetais. A região sofre ameaça de impacto devido a fatores como a ocupação de forma desordenada no litoral Sul do Espírito Santo, e a perspectiva de exploração de petróleo na próxima década. Assim o projeto irá trabalhar com educação e orientação das comunidades litorâneas para a manutenção do estado de conservação das ilhas costeiras, por meio de abordagem direta aos visitantes das ilhas e das praias e de apresentações para o público escolar.
 

Histórico do Programa
O Fundo para Conservação e Fomento ao Desenvolvimento Regional nas Zonas Costeira e Marinha sob Influência do Bioma Mata Atlântica (Fundo Costa Atlântica) foi criado para apoiar a criação e consolidação das unidades de conservação marinhas (públicas) e fomentar o desenvolvimento local e regional na zona costeira.

Até hoje 14 projetos em nove estados (Ceará, Piauí, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina) já foram beneficiados pelo Edital Costa Atlântica, que existe desde 2007. Com todos esses resultados o programa colabora com a proteção de quase 250 mil hectares da costa brasileira. A lista com todos os projetos apoiados está disponível no site www.sosma.org.br.

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