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08/12/2010 - A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), classificou a reserva legal como um "corpo estranho" na propriedade rural que afeta o lucro. Para ela, a reserva tem apenas finalidade paisagística.
Cada reserva legal varia de tamanho da propriedade de 20% a 80%. Em casos como na Amazônia é de 80% e na Mata Atlântica, de 20%. A senadora defende a separação das unidades de produção econômica e de conservação, pois segundo ela o Brasil mistura estas áreas.
Em Cancún, sede da Conferência do Clima da ONU (COP-16), a senadora lançou internacionalmente o projeto Biomas, que cria uma rede de experimentação e pesquisa nos seis biomas brasileiros. A proposta é estudar como fazer a restauração e o uso sustentável de áreas de preservação permanente (APPs), como topos de morros, encostas e margens de rios. O custo será de R$ 40 milhões em nove anos. A senadora diz que a escolha de Cancún se deu pela importância do evento na área ambiental, mesmo a COP-16 estar mais vazia que sua edição anterior.
Para Paulo Prado, diretor de Política Ambiental da ONG Conservação Internacional, as reservas legais são importantes, pois é uma garantia para a água em quantidade e qualidade. No campo da biodiversidade, são úteis para manter a base de variedades de flora que serão necessárias para ir adaptando a própria agricultura, ademais de serem a fonte que suporta a medicina e a farmacopéia que trata da saúde humana e animal. São as áreas que garantem a penetração de água no lençol freático prestando serviços na manutenção de microclimas e na polinização. Como um brasileiro criado em ambiente rural, não consigo imaginar uma fazenda sem um mato e um bom rio para pescar.
Ainda segundo ele, a senadora tem que entender que a paisagem é um mosaico e que as fazendas são parte desse equilíbrio. Sem as reservas legais nossa biodiversidade e nosso clima também terão que pagar um alto preço. A própria agricultura já paga um alto preço sob a forma de erosão, perda de fertilidade de solos, baixa polinização, além das perdas em quantidade e qualidade de água. “Não concordo com a afirmação dada pela senadora já que as reservas são uma espécie de seguro contra a erosão. Se o agronegócio brasileiro modernizar-se, uma fazenda modernamente administrada deveria e poderia fazer agricultura, pecuária e silvicultura, inclusive com um padrão de baixa emissão de carbono. Existem técnicas testadas e conhecidas pela extensão rural brasileira para isto. Inclusive fazem parte do programa de baixo carbono do governo brasileiro brasileiro" concluiu Paulo Prado.
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