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16/08/2011 - A discussão sobre contaminação de alimentos ganhou força na Europa este ano, depois que a empresa de mídia britânica BBC e outros canais de televisão no continente divulgaram reportagens baseadas em um estudo suíço que aponta que os óleos minerais provenientes de tintas para impressão de embalagens podem migrar para os alimentos. A informação causou um impacto direto nos fornecedores de papelcartão do continente, que em sua maioria utilizam fibras recicladas como matéria-prima para papel e embalagem, ao mesmo tempo em que abriu mercado para fornecedores de fora, como os brasileiros, que querem aumentar sua participação naquela região.
"Vemos uma tendência de aumento dos preços de papelcartão de fibra virgem na Europa, e esta situação ajudou a Suzano a ganhar novos mercados e clientes por lá, já que a maior parte de nossa produção é feita com 100% de fibra virgem e é certificada pela Isega", o gerente de produto da unidade de papéis da Suzano, André De Marco, explicou. A Isega é uma instituição da Alemanha que certifica produtos que entram em contato direto com alimentos.
De acordo com o ranking interativo de capacidades da RISI, a Europa pode produzir 8,8 milhões t/ano de papelcartão reciclado e 5,9 milhões t/ano de papelcartão de fibra virgem. Se uma rápida mudança na demanda por embalagem de fibra virgem ocorrer, o continente será obrigado a importar mais papelcartão.
De acordo com o economista da RISI para o mercado europeu de embalagem, Orifjon Abidov, este movimento já começou. "A troca de papelcartão de fibra reciclada por fibra virgem já deve ter atingido 300 mil toneladas entre 2009-2010, de acordo com o que ouvimos de convertedores, produtores e consumidores finais", ele detalhou.
As notícias sobre contaminação de alimentos dão um novo impulso aos fornecedores de papel de fibra virgem, já que, de acordo com o estudo que está sendo utilizado para espalhar estas preocupações, não existe tinta totalmente livre de óleos minerais e muitos dos sacos iternos usados em pacotes de cereais, por exemplo, não são barreiras suficientes e só atrasam a contaminação em alguns dias.
O problema com o óleo mineral é tão grande que ele foi até mesmo citado na RISI Power List de 2011 – que anualmente elege as pessoas e temas mais influents do mercado de papel e celulose – na 48a posição. "Existe um movimento claro de demanda de papel virgem devido a este fator, mesmo sem nenhum caso concreto de intoxicação. Saúde é algo com que as pessoas ficam muito emotivas e todos os grandes produtores de alimentos querem evitar este tipo de risco", o diretor comercial de papelcartão da brasileira Klabin, Edgard Avezum, disse.
O economista da RISI apontou que os fornecedores brasileiros estão na direção correta ao oferecer mais papelcartão de fibra virgem à Europa. "A demanda está crescendo e, mesmo com toda as novas capacidades esperadas, ainda haverá falta deste produto nos próximos dois anos", Abidov disse. Ele ponderou que estas empresas, porém, devem ter cuidado ao adicionar capacidades, já que os produtores chineses também estão aumentando sua produção do produto, o que poderia causar um excesso de oferta no mercado mundial.
"Existe um grande potencial para nossos produtos na Europa devido à pouca oferta de fibra virgem, mas alguns produtores locais já começaram a reagir e migrar sua própria fabricação de papel reciclado para papelcartão de fibra virgem. Acredito que os impactos reais desta questão nas compras serão mais confiáveis apenas depois que os países europeus estabelecerem regras claras sobre este tópico", De Marco afirmou.
Por Marina Faleiros, Editora Associada, PPI América Latina, mfaleiros@risi.com
Esta reportagem é conteúdo da PPI América Latina, uma publicação da RISI que cobre os mercados e preços de celulose e papel na América Latina. Mais informações e contatos nos endereços ppila@risi.com ou acesse http://www.risiinfo.com.br
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