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Por Luciana Grili

27/05/2011 – Reconhecido em toda Europa e América pela qualidade do seu trabalho literário, com inúmeros prêmios, inclusive o Prêmio Nobel de Literatura e o Prêmio Luís de Camões, José Saramago é o autor homenageado pela 11ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Um trecho da obra “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, do autor, pôde ser apreciado pelo público que compareceu à abertura do evento, nesta quinta-feira (26), no Theatro Pedro II, com uma interpretação do ator Paulo Betti. O livro conta uma história humanizada da vida de Jesus e gerou muitas reações polêmicas em todo o mundo - principalmente em Portugal. O texto sólido, característico no trabalho de Saramago, foi lido após a cerimônia solene, que contou com diversas autoridades locais e nacionais, representantes do segmento cultural e sociedade civil.
Participaram da solenidade, a presidente da feira, Isabel de Farias; os vice-presidentes Edgard de Castro e Heliana Silva Palocci; as secretárias de educação e cultura de Ribeirão Preto, Débora Vendramini e Adriana Silva; a prefeita Darcy Vera; o presidente da Biblioteca Nacional, Galeno Amorim - representando a Ministra da Cultura, Ana Buarque de Holanda; o deputado federal Duarte Nogueira, representando o Governador do Estado, Geraldo Alckimin; representantes oficiais do Estado de Santa Catarina; o patrono da feira Maurílio Biagi, além dos escritores homenageados: Saulo Gomes (da terra) e Luciana Savaget (autora infanto-juvenil).
Na ocasião, a escritora Luciana Savaget dedicou a homenagem que recebeu da feira aos não leitores brasileiros, principalmente do Rio de Janeiro e do interior do País. Já o patrono do evento, Maurílio Biagi, destacou o perfil da cidade como capital da cultura. Ele relatou os títulos que a cidade já teve como capital do café, da cana e agora, segundo ele, consolidada de fato, como capital da cultura. Biagi colocou que o livro, na sua versão tradicional impressa, já divide espaço com as versões digitais, mas enfatizou a importância deles, independente da forma. O empresário destacou também a relevante atuação das indústrias de celulose e papel, das Bibliotecas e o esforço dos autores para que o livro possa chegar às mãos dos leitores. Segundo ele, a CBL (Câmara Brasileira dos Livros) divulgou recentemente que o Brasil publica 22 mil novos títulos por ano.
Galeno Amorim, presidente da Biblioteca Nacional, fez uma referência ao tempo de 10 anos de vida da feira, que ele ajudou a fundar. Na opinião dele, Ribeirão Preto tem gerado muitas ideias, como a feira do livro, que já é a segunda a céu aberto no Brasil. Ele afirmou que a ministra da cultura, Ana Buarque de Hollanda, vai anunciar nos próximos 10 dias um novo circuito de feiras do livro em todo o País. “Teremos pelo menos mais 100 feiras como esta, em pequenas e médias cidades”, disse Amorim.
Outra novidade que o executivo trouxe à feira é que Ribeirão Preto vai ser a primeira cidade do País a receber o programa nacional “Agentes de Leitura”. Com o programa, 80 jovens da cidade vão receber uma bolsa ajuda de R$ 350,00 para fazer atividades de leituras para 25 famílias. “Ribeirão vai fazer esse piloto, mas o programa vai contemplar municípios em todo o País, atingindo até 500 mil pessoas”
Cheque livro

Durante a abertura, a prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Vera, colocou que o Governo do Estado injetou R$ 1,5 milhão nesta edição do evento e lançou uma novidade: 87 mil crianças da rede estadual e municipal vão receber um cheque livro no valor de R$18,00 para compra de livros na feira. Os cheques levam o nome da criança e da escola, com assinatura de cada criança. “A feira ganhou uma dimensão tão grande, que exigiu mais de seis meses de trabalho. O resultado é uma programação diversificada com grandes nomes da literatura e da música, mas também com espaço para nossos artistas locais”, disse a prefeita, que terminou sua fala revelando um lado que pouca gente conhecia: sua veia poética. A prefeita interpretou um poema de sua autoria, que foi produzido ainda quando estudante para um concurso cultural, que a classificou como 2º lugar entre os participantes.
Para o presidente da Academia Ribeirãopretana de Letras, Nelson Jacinto, o espaço que a feira dá nesta edição para os autores locais é o grande avanço do evento. “Esta edição é um marco histórico para os escritores locais”, comentou.
A 11ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto é realizada de 26 de maio a 5 de junho. Organizado pela Fundação Feira do Livro, com apoio da Prefeitura Municipal, o evento conta com ampla infraestrutura, ocupando as praças Carlos Gomes, XV de Novembro e Esplanada do Theatro Pedro II, se estendendo também ao Parque Ecológico Maurílio Biagi e Estúdios Kaiser de Cinema.
Em uma área de 16 mil metros, a feira reunirá cerca de 70 expositores, 90 autores, 600 atrações, entre palestras literárias, encontros com escritores, shows, cinema, apresentações de teatro e dança, durante os 10 dias de evento. Nesta edição, estão sendo homenageados: Grécia (País), Santa Catarina (Estado), José Saramago (autor), Saulo Gomes (autor local) e Luciana Savaget (autora infantil local), além do patrono, Maurílio Biagi.
Programação cultural

Além de diversos salões de ideias com renomados escritores, jornalistas consagrados, a feira neste ano reúne uma agenda de shows com grandes nomes da MPB e também com artistas locais. Nesta quinta-feira (26), Ney Matogrosso levou cerca de 25 mil pessoas para a esplanada do Pedro II e apresentou o intimista e impecável show “Beijo Bandido”.
Na abertura, simultaneamente ao show de Ney Matogrosso, outro show lotou o Theatro Pedro II, com uma das grandes revelações do jazz nos EUA e um dos mais talentosos violonistas do País: a cantora Cyrille Aimé e o instrumentista Diego Figueiredo. Os músicos apresentaram o show “Just the two for us”, trabalho gravado nos Estados Unidos.
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