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Da Redação
30/04/2010 - Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos estão trabalhando com uma nova técnica, capaz de tornar o diagnóstico de exames de saúde mais rápido e barato, entre eles o HIV. A técnica é feita através de reagentes específicos que a cada análise são empregnadas em um papel especial poroso. Assim, com a absorção da urina do paciente no próprio papel é possível permitir que uma reação específica se desenvolva e, caso esteja presente na urina, será indicativo de diabetes ou de problemas renais, respectivamente.
Segundo Emanuel Carrilho, pesquisador da USP de São Carlos, o estudo deste diagnóstico é feito em um papel filtro ou papel cromatográfico, feito de 100% celulose, poroso e com boa absorção de água. O diferencial no estudo é que a celulose, em conjunto com a reação da urina, fazem com que este tipo de teste venha fazer sucesso no meio clínico, barateando consequentemente os exames laboratoriais.
O método, que pode revolucionar a saúde no País, é parecido com o teste de gravidez, mas a ideia é criar testes para o diagnóstico de doenças negligenciadas, como malária, chagas, entre outras, com um valor muito abaixo do que os exames laboratoriais. “Ainda é muito cedo para afirmar quais doenças podem ser detectadas, mas estamos trabalhando para montar testes. Por exemplo, no teste que mede glicose na urina, é um indicativo de diabetes, mas não podemos falar ainda que é um diagnostico médico”, explica o pesquisador.
O que está definido é que este papel é capaz de apontar a medida de glicose e de proteínas totais em urina, o que leva de 10 a 20 minutos. “No caso da detecção de HIV, o teste é exatamente igual ao que se faz em laboratórios clínicos, só que em plaquinhas de papel em vez de placas de plástico, que são bem mais caras”, explica Carrilho.
As pesquisas tiveram início no final de 2006 em um grupo de pesquisadores do professor George Whitesides, da Universidade de Harvard. Em 2007, o professor Emanuel Carrilho se juntou ao grupo e, desde então, trabalha nesta pesquisa. De volta a seu grupo, no Instituto de Química da USP dá continuidade ao trabalho. A ideia, segundo Carrilho, é criar dispositivos para que os testes sejam usados por agentes de saúde. “A regulamentação será como a de um teste clínico, ou seja, terá de passar por critérios rígidos e exigentes”, explica o pesquisador.
Segundo ele, não é descartada a possibilidade de que, com a maturidade, e evolução dos testes, um dia estes venham a ser aplicados em clínicas, farmácias e até pelo próprio usuário. “O interessante é que existe um número bastante grande de pesquisadores que estão investigando maneiras de conferir ao papel (celulose) uma atividade biológica, ou seja, associar papel com biomoléculas e com isso inferir uma funcionalidade que hoje ainda não existe”, conclui.
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