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publicado em 20/10/2011
Unidades de Conservação podem render cerca de R$6 bilhões por ano
Segundo estudo, estas áreas trazem benefícios econômicos diretos e indiretos decorrentes de sua manutenção sustentável

Da Redação

Por Victor Prates

20/10/2011 – As Unidades de Conservação brasileiras são fontes de recursos econômicos por conta do pontencial de crescimento de parques nacionais, áreas de proteção ambiental e o bioma Mata Atlântica. Elas podem render cerca de R$6 bilhões por ano. É o que revela o estudo “Contribuição das Unidades de Conservação para a Economia Nacional”,   idealizado pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente) e pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a Embaixada Britânica e a GIZ (Cooperação Internacional Alemã).

Segundo análises da pesquisa que foram divulgadas recentemente, mesmo com o elevado potencial econômico das UC para a economia nacional, ainda há um baixo investimento em sistemas de áreas protegidas por hectare, em comparação com outros países. Em média, são investidos R$ 156 mil por hectares nos Estados Unidos, R$ 110,39 mil na Nova Zelândia e em terceiro R$ 67 mil na África do Sul. “A locação de recursos de conservação e política ambiental no Brasil estão paradas, não há grandes investimentos”, afirmou o economista e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Carlos Eduardo Young, durante webcast promovido pela ONG SOS Mata Atlântica, através da sua rede social Conexão Mata Atlântica, nesta terça-feira (18).

O economista avaliou que as UCs têm valor econômico e explicou que apenas a produção de toras de madeira extraídas de áreas manejadas de florestas nacionais e estaduais da Amazônia pode gerar de R$ 1,2 bilhão a R$ 2,2 bilhões por ano. “Se elas forem bem tratadas com um corte sustentável, pode-se ter um enorme potencial na geração”, comenta Young.

No campo do turismo ecológico realizado nos 67 parques nacionais brasileiros, o volume de recursos gerados pode ser de R$ 1,6 bilhão a R$ 1,8 bilhão por ano, estimando-se a quantidade de turistas brasileiros e estrangeiros. “As UCs possuem um potencial de visitação ecológica de três a quatro milhões de pessoas por ano. Em média as visitações ocorrem em apenas cinco parques”, alerta Young.

Outro ponto importante destacado no webcast, que também contou com a participação da coordenadora do Instituto Semeia, Renata Weiss e do coordenador do Programa Bahia do Instituto Arapyau, Alexandre Prado é que as unidades de conservação brasileiras impedem a emissão de cerca de 2,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. Isto significa um ganho valorado em torno de R$ 96 milhões. Sobre os diferentes usos da água pela sociedade, 80% da hidroeletricidade do país vem de fontes geradoras, 9% da água para consumo humano é diretamente captada em UCs e outros 26% também de fontes destas unidades.

Ainda segundo o estudo, em 2009 a receita real de ICMS Ecológico repassada aos municípios pela existência de unidades de conservação em seus territórios foi de R$ 402,7 milhões. A receita potencial para 12 estados que ainda não têm legislação de ICMS Ecológico seria de R$ 14,9 milhões. “As cidades que têm as UCs, possuem um custo benefício alto, pois terão um crescimento social, econômico e ambiental por conta do ecossistema na localidade”, ressalta Young.

“A geração de emprego, imposto e renda para o uso das UC é forte. Tem também o manejo comunitário, pois necessita de uma mão-de-obra local. Temos que perder o preconceito da reutilização da floresta e usá-la com consciência”, vislumbra Young.

Para Renata Weiss, a conservação e desenvolvimento andam juntos. “Este estudo é o início dos primeiros passos para haver uma maior divulgação dessas informações sobre os benefícios que as UC trazem para o país”, projeta.

Alexandre Prado mencionou durante o debate que, com a nova elaboração do Código Florestal, as unidades de conservação não podem ser ilhadas. “Caso isso ocorra, elas perdem suas características e possibilidades. Esta questão das UC e seus investimentos existe há tempos. Não é de agora. É um tiro no pé na proposta das futuras gerações”, prevê.

Carlos Young ainda alertou que o Código Florestal tem que ser melhorado em um sentido diferente do atual, com uma valorização dos serviços ambientais. “O sentido disso é para poder incentivar o uso racional e sustentável das UC. É crucial colocar em debate para o novo Código Florestal e ter objetivos focados”, finaliza.

CeluloseOnline
 

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