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24/06/2010 - Um eventual monitoramento uruguaio-argentino sobre a fábrica de pasta de celulose UPM, na fronteira bilateral, deve incluir todo o Rio Uruguai e o Brasil, disse a senadora Lucía Topolansky, esposa do presidente do país, José Mujica. "O rio nasce no Brasil e passa por três nações. As águas não pedem permissão nas aduanas quando mudam de país, elas seguem", declarou a primeira-dama uruguaia à rádio El Espectador.
O monitoramento conjunto da região foi determinado pela Corte Internacional de Justiça, com sede na Holanda, que julgou uma demanda encaminhada pela Argentina sobre a construção da indústria, localizada no município uruguaio de Fray Bentos.
Em sua sentença inapelável, divulgada em abril, o tribunal admitiu que o país de Mujica havia desrespeitado o Tratado do Rio Uruguai ao autorizar de forma unilateral a instalação da fábrica, mas negou que a empresa poluísse a região, como denunciava a Argentina.
O caso gerou um dos maiores conflitos diplomáticos recentes entre os dois países. Buenos Aires e Montevidéu procuram agora restabelecer seus laços com um possível controle interno da fábrica, enquanto a participação do Brasil é um dos pontos da discussão.
Segundo Topolansky, um monitoramento tripartido seria "positivo" para todos os territórios envolvidos, além de "deixar claro como é a saúde do rio".
Sobre críticas internas de que um eventual controle conjunto da UPM implicaria em "ceder soberania", a senadora e primeira-dama considerou que "em um mundo que se globalizou e que começa a se mover por blocos, algo de soberania todos os países renunciam em função de algo que importa mais ao país".
"O monitoramento vai ser buscado no contexto de monitorar todas as margens do rio", acrescentou a esposa de José Mujica, assinalando que este controle seria "técnico" e não "político".
Fonte: ANSA/Adaptado por Celulose Online
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