06/04/2010 - Um volume de 588.770 toneladas de celulose de mercado – incluindo as fibras branqueadas curta e longa – será removido do mercado durante o primeiro semestre deste ano por conta das tradicionais paradas anuais de manutenção das plantas localizadas na América Latina. O levantamento foi realizado pela PPI Latin America junto aos produtores de celulose no Brasil, Argentina e Chile, país esse que teve toda sua produção de celulose interrompida em 27 de fevereiro devido a um grande terremoto que atingiu o celeiro florestal chileno. A pesquisa foi baseada nas informações fornecidas por cada empresa e nas estimativas da capacidade de produção anual por planta.
Sem dúvida, o maior impacto de redução de produção provém das plantas chilenas. Do dia do terremoto até 31 de março, a PPI Latin America estima que a planta da Empresas CMPC, localizada em Santa Fé, deixou de produzir 93.370 toneladas de celulose branqueada de fibra curta enquanto que a planta da Arauco, em Nueva Aldea, removeu do mercado um total de 90.300 toneladas de celulose branqueada de fibra curta e longa. Já a unidade da Arauco, localizada na cidade de mesmo nome, deixou de produzir 70.570 toneladas de celulose também dos ambos os grades.
Mesmo as plantas chilenas que já voltaram em operação pós tremor apresentaram redução de fabricação de celulose. A primeira a retomar as operações no país foi a unidade da Arauco em Valdívia, qu reiniciou produção em 21 de março. No período, a unidade ficou sem produzir cerca de 28.480 toneladas de celulose. Uma semana depois, foi a vez da concorrente CMPC colocar em funcionamento a sua planta Pacífico, que deixou de fabricar aproximadamente 39.120 toneladas de celulose.
No Brasil, as paradas estão relacionadas a manutenções programadas, cenário que pode mudar caso a forçada interrupção de produção de celulose chilena dure mais do que o previsto. Maior produtora mundial de celulose, a Fibria deve suspender produção das suas unidades Veracel, em Abril; Barra do Riacho, em Maio; e Três Lagoas, em Junho. As unidades reduzirão, respectivamente, a produção de celulose branqueada de fibra curta em 21.750 toneladas; 43,050 toneladas e 32,800 toneladas.
A Suzano Papel e Celulose já realizou a parada programada da linha 2 da unidade de Mucuri de 27 de janeiro a 3 de fevereiro. No período, a unidade deixou de produzir 11 mil toneladas de celulose. Já a parada da linha 1 da unidade de Mucuri será realizada de 6 a 14 de junho, quando serão cortadas 24.600 toneladas de celulose. A também brasileira Cenibra anunciou para este mês a parada das suas duas linhas de celulose, o que significará uma redução de produção de 41.580 toneladas.
Na Argentina, a única produtora de celulose de mercado a anunciar parada para manutenção no primeiro semestre de 2010 foi a Celulosa Argentina. De 17 a 31 de janeiro, a planta foi submetida a sua manutenção anual suspendendo a produção de 9 mil toneladas.
Outros fabricantes de celulose como as nacionais Jari e CMPC Riograndense e a argentina Alto Paraná programaram suas paradas ao longo do segundo semestre deste ano.
Por Renata Mercante, Editora, PPI Latin America (rmercante@risi.com) e Fernanda Belchior, Editora Assistente, PPI Latin America (fbelchior@risi.com) - especial para o Celulose Online
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