27/07/2010 - O chanceler uruguaio, Luis Almagro, afirmou ontem(26) que o país concorda com a Argentina sobre a necessidade de um controle "científico" na região da fronteira e assegurou que as negociações para superar a crise bilateral "não estão travadas".
Almagro afirmou que ambos os governos "estão de acordo" no papel que deve cumprir a ciência no controle do Rio Uruguai e disse que as nações abriram um "espaço de reflexão" após as propostas apresentadas na última reunião com seu par argentino, Héctor Timerman, na quarta-feira passada, em Buenos Aires.
"Nós temos um compromisso muito forte com a negociação e não vamos fechar nunca as portas", afirmou o chanceler, que julgou "fundamental" seguir trabalhando até uma solução definitiva, sem descartar eventuais ajustes, segundo publicado no site da presidência. A negociação "não está trancada" e foi aberto um "espaço de reflexão" sobre as propostas, reiterou o uruguaio, que se encontrará com o chanceler vizinho novamente na quinta-feira, no Equador, durante a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que vai analisar a crise entre Colômbia e Venezuela.
O controle ambiental do rio, fronteira natural entre os países, é negociado pelos governos dos presidentes José Mujica, do Uruguai, e Cristina Kirchner, da Argentina, que esperam divulgar alguma novidade sobre o caso na 29ª Cúpula do Mercosul, a ser realizada na próxima terça-feira, em San Juan, Argentina. O ponto principal que ainda impede um acordo é a pretensão do governo argentino de que técnicos do país entrem na fábrica de pasta de celulose, projeto localizado no lado uruguaio da fronteira e que motivou as divergências entre as duas nações, e analisem o controle da poluição.
Por sua parte, Mujica parece disposto a aceitar que os profissionais estejam na empresa, mas solicita em troca que especialistas uruguaios façam o mesmo em fábricas argentinas que também poluiriam o rio. A instalação da indústria causou um dos mais graves conflitos diplomáticos entre as duas nações, o que fez com que a Argentina apresentasse a demanda à Corte Internacional de Justiça, em Haia.
Fonte:ANSA/Adaptado por Celulose Online
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