CompararComparando...

Cuidados com o Solo – Antonio Domansky – A nutrição com Boro

Lendo Agora
Cuidados com o Solo – Antonio Domansky – A nutrição com Boro

O elemento:

14/03/2016 – Um não metal encontrado na natureza principalmente em depósitos de bórax, em uma concentração de aproximadamente 10 ppm na crosta terrestre, porém uma parcela ínfima encontra-se disponível às plantas na solução do solo, não se assustem, ele também não tem uma demanda tão alta assim. Considerando um teor de 1,5 mg/kg de solo, em um ha teremos 3 kg do elemento, o que não é tão ruim assim, o teor pode variar de 0,1 a 3,0 mg/kg de solo.

O Boro no solo:

Encontrado na solução do solo (disponível) na forma de ânion borato e se torna indisponível às plantas em situações em que o pH passa de 9, ou seja, alcalino e isso significa que a concentração de hidroxilas é maior perante à de hidrogênio no solo, portanto calagem pesada (grandes volumes) desde que respeitem a quantidade adequada de cargas disponíveis para reação não eleva o pH acima de 6,0, aproximadamente. Assim, não teremos problema com o boro, além do que na rizosfera, onde os minerais são absorvidos, o pH é geralmente tende à acidez, favorecendo-o. As questões que levam a não absorção do boro são muito particulares, mas se devem muito ao não preenchimento de cargas negativas que possam estar “sobrando” nos vasos condutores de seiva e esse potencial negativo poderá oferecer repulsão aos ânions borato. Um cátion para sequestrar tais cargas é bem-vindo para auxiliar, e tal cátion é fornecido pela calagem, o cálcio. Em alguns casos cátions alumínio podem colaborar com o preenchimento de cargas negativas nos vasos para melhorar a translocação do boro, porém o excesso será inibidor da absorção de demais cátions essenciais. Estes teores adequados podem ser monitorados e alterados facilmente através de análises de solo e utilização de calcário e gesso.

O Boro na planta:

Considerado imóvel na planta, mas não totalmente é extremamente importante para processos vitais dos vegetais, tais como: metabolismo de nitrogênio, crescimento do tubo polínico (relacionado ao florescimento), processos de maturação de células, translocação de açucares, entre outros muitos processos enzimáticos, formação da parede celular (leia-se acúmulo de celulose de qualidade) e metabolismo de alguns cátions importantíssimos como o Cálcio.

O fato de o elemento ser menos móvel no floema (vaso condutor de seiva elaborada, fonte ao dreno) em relação ao xilema (dreno à fonte) explica manifestações apicais da deficiência do elemento em regiões mais abastecidas pelo fluxo no xilema e é prejudicado em regiões de maior crescimento que inicialmente recebem uma carga maior de fotoassimilados prontos via floema. Porém este efeito negativo pode ser minimizado com paredes celulares, nestes vasos (floema), bem formadas e isentas de cargas elétricas que possam repelir e dificultar o caminhamento dos ânions borato. Estas plantas (boas translocadoras de Boro) são plantas nutridas adequadamente com Cálcio, Magnésio e Potássio. Plantas deficientes, principalmente em cálcio, são péssimas no quesito movimentação de nutrientes e fotoassimilados através de vasos condutores, o que limita muito a produtividade.

Monitoramento e manejo:

É comum encontrar plantas deficientes em boro na parte apical, mas com teores adequados em folhas mais velhas (falhas na mobilidade) e com teores adequados também no solo (falhas na absorção). E agora o que fazer? Calagem? Se possível, sim! Mas talvez seja necessária uma “mãozinha” para que enquanto a correção do solo fizer efeito, a floresta não perca produtividade e sofra consequências da deficiência (quedas no valor agregado de produtos). As deficiências devem ser identificadas através de histórico da área e monitoramento via análises de tecido foliar numa periodicidade elevada, principalmente no início do desenvolvimento florestal, onde aparecem maiores deficiências e danos. Existem também condições climáticas limitantes à absorção de boro que podem ocasionar deficiências como períodos de seca (diminui a disponibilidade de boro na solução do solo e o fluxo de seiva na planta), estas condições podem gerar deficiência porem nem sempre é hora de intervir.

Existem também situações, inúmeras, principalmente em solos arenosos (não estou dizendo que solos arenosos são ruins), mas como característica podem apresentar teores muito baixos do elemento, onde são necessárias aplicações até se atingir um aporte interessante de boro no sistema tal que a floresta consiga se manter, muitas vezes é recomendado no próprio fertilizante de base formulações contendo boro, aportes junto à irrigação das mudas ou outras formas a se detectar como viáveis em cada situação.

Aproveitamento de pulverizações na floresta:

No manejo florestal, além de adubações temos outras atividades que necessitam de pulverizações, da mesma maneira que aplicamos fertilizantes foliares (micronutrientes como o boro). Portanto um bom manejo integra as entradas sempre com o conhecimento de uma possível deficiência mineral, seja de boro ou qualquer outro oligoelemento, para que seja aproveitada a operação e além de algum controle de pragas ou doenças seja feito um ajuste nutricional. Muitos dizem complemento nutricional, mas esta palavra poderá nos remeter a aplicações indiscriminadas, apenas por fazer ou aproveitar o avião/trator ou qualquer equipamento. Essas atitudes podem nos levar a toxidez por alguns elementos (micronutrientes) que são tão prejudiciais quanto deficiências ou negligência no fornecimento de outro elemento necessário naquele momento, e isto não podemos admitir.

Danos causados pela deficiência de boro e viabilidade de aplicação:

Quando se fala em Biologia, em Vida, não existe “meia dose” ou “mais ou menos nutrido”. Sempre que precisar, devemos com toda certeza realizar ajustes nutricionais, sejam eles através de pulverizações aéreas ou tratorizados (atomizadores e pulverizadores) quando a floresta ainda é pequena (fase muito importante). Por ser um elemento que geralmente apresenta queda dos teores nos meristemas da planta (ápice) pode causar um efeito negativo bastante comum que é a superbrotação e perda da uniformidade da tora e muitas vezes ocasiona perda total do valor agregado do produto além de diminuir consideravelmente o crescimento em volume. Quanto menor a árvore (mais nova), mais baixa seria uma possível superbrotação, e é nesta região da tora que se localiza a porção mais valorizada do produto.

Demuth Rodapé
Qual é a sua impressão?
Amei
0%
Curti
100%
Não Gostei
0%
Sobre o Autor
Antonio Domansky - Cuidado com o Solo
Antonio Domansky - Cuidado com o Solo
é Engenheiro agrônomo, consultor especialista em Fertilidade de Solos e Nutrição de Plantas da Planafertil Agroflorestal. [email protected]
Comentários
Deixe um Comentário

Deixe um Comentário