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Dia da água: Agroecologia incentiva mulheres do campo a preservarem água no DF

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Dia da água: Agroecologia incentiva mulheres do campo a preservarem água no DF

Maria do Socorro, 56 anos, agricultora

Maria do Socorro, 56 anos, agricultora

22/03/2015 – Em tempos de crise hídrica em alguns estados do Brasil, as mulheres aparecem com papel importante para fazerem a diferença no campo. As agricultoras familiares de Planaltina (DF) participam de um projeto do Governo Federal para melhorar a qualidade da água, reduzindo a erosão e o assoreamento de mananciais no meio rural.

Maria do Socorro tem 56 anos e uma vida toda dedicada à agricultura familiar. Filha de agricultores e nascida em Pernambuco (PE), ela aprendeu desde cedo a preservar a água. “Eu venho fazendo isso há mais de 15 anos. Eu já tinha essa consciência há muito tempo. Já pensava ‘isso está errado, vai acabar a água, vai acabar o córrego’. Aprendi o que sei sozinha, porque amo a natureza e gosto de preservar”, declara a agricultora.

Há dois anos, Maria do Socorro participa do Programa Produtor de Água, que tem adesão voluntária por parte dos agricultores. Ele prevê apoio técnico e financeiro para ações como construção de terraços e bacias de infiltração, recuperação e proteção de nascentes, reflorestamento de áreas de proteção permanente, dentre outros. A agricultora fez terraceamento – técnica agrícola e geográfica de conservação do solo, destinada ao controle de erosão hídrica, utilizada em terrenos muito inclinados – e reflorestamento, em sua propriedade de 18 hectares.

“O córrego que passa aqui é o Pipiripau, que abastece duas cidades. Preservo esse córrego há muito tempo. Estou aqui desde 1986 e desde essa época que a gente vem plantando. Hoje, na beira do córrego, está tudo florido, tem abelhas lá, os macacos aparecem para comer frutas, é a coisa mais linda”, orgulha-se Maria, que ainda cuida de 50 cabeças de gado leiteiro.

A Bacia Hidrográfica do Ribeirão Pipiripau é uma área com atividade agropecuária intensiva e também principal responsável pelo abastecimento de água das cidades de Planaltina e Sobradinho.

Já Fátima Cabral, 55 anos, é nova no campo. A agricultura familiar entrou na vida dela e da família há 14 anos por necessidade. “Nós éramos da cidade, eu tinha um trabalho administrativo, burocrático. Nós fizemos essa migração pensando justamente nos filhos mais novos, que, na época, estavam entrando na adolescência, naquele grupo de risco, de drogas e álcool. Aí, eu e o meu esposo tivemos a iniciativa de trocar tudo na cidade e vir pra área rural”, justifica.

A propriedade da família Cabral tem 40 hectares e lá eles produzem cenoura, repolho, abobrinha e mandioca na forma convencional e banana no sistema agroecológico. O objetivo da família é adotar a forma agroecológica em toda a produção. “A gente trabalha todo dia, acorda e levanta com esse propósito. Começamos essa transição há dois anos, a partir desse Programa Produtor de Água, que nos ajudou nessa transição”, explica Fátima.

A agricultora conta, ainda, que vai tentar acessar a linha de crédito do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) voltada para a agroecologia, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf Agroecologia. “Já estou me movimentando para acessar o Pronaf. Fizemos a transição para assegurar nossa permanência no campo, eu já estava desistindo. No modelo convencional não dá mais”, comenta.

O Produtor de Água

O programa é uma iniciativa da ANA (Agência Nacional de Águas) que tem como objetivo a redução da erosão e assoreamento dos mananciais nas áreas rurais. O programa, de adesão voluntária, prevê o apoio técnico e financeiro à execução de ações de conservação da água e do solo, como, por exemplo, a construção de terraços e bacias de infiltração, a readequação de estradas vicinais, a recuperação e proteção de nascentes, o reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal, o saneamento ambiental, etc.

Fonte: Portal Vermelho / Adaptado por CeluloseOnline

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