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Computação quântica: o fim da privacidade como conhecemos?

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Computação quântica: o fim da privacidade como conhecemos?

 Tecnologia emergente no mundo da informática, a computação quântica vem despertando o interesse de especialistas em segurança digital por suas possíveis (e controversas) implicações. A mais relevante delas? O fato da novidade poder, muito em breve, inutilizar os atuais protocolos de criptografia, que são a principal ferramenta de privacidade em VPNs no Brasil e unidades de armazenamento de dados.

O que isso quer dizer na prática? Em resumo, que a privacidade dos usuários da internet poderá ser drasticamente afetada. Mas, apesar do furor, não há razões para pânico. Além de a computação quântica estar em seu estágio inicial no mercado, as companhias de cibersegurança já estão trabalhando para desenvolver alternativas para o problema.

Mas, afinal, o que é “computação quântica”?

De modo técnico, a computação quântica é uma tecnologia informática baseada nos conceitos da mecânica quântica – isto é, nas leis físicas que governam o funcionamento da natureza nas menores escalas possíveis. Entre as diferenças dessa inovação e do computador tradicional, está a unidade básica usada: tradicionalmente, usavam-se os bits; no recurso mais moderno, são os qubits.

Para quem não é um expert na área, basta saber que um computador quântico é fundamentalmente um outro nível de informática que permite maior velocidade e eficiência em cálculos e operações pesadas que nem mesmo os atuais supercomputadores conseguem realizar. É, portanto, um avanço importante no desenvolvimento de pesquisas e outras tecnologias mais.

O usuário comum, contudo, não vai ter acesso a nada disso – pelo menos, não por ora. O motivo é que além de seu preço ser exorbitante, a computação quântica ainda não está otimizada para a utilização em massa. Ela é, sobretudo, uma promessa.

Mas então qual a polêmica? Bom, com a maior capacidade de análise e cálculo, alguns especialistas acreditam que a computação quântica pode representar uma grave ameaça à criptografia – e, consequentemente, à privacidade digital.

A importância da criptografia

Amplamente usada para privacidade e segurança, a criptografia é uma ferramenta que consegue “embaralhar” dados digitais e fazer com que apenas os usuários autorizados possam visualizá-los propriamente. Em outras palavras, ela torna a leitura dessas informações uma exclusividade dos seus destinatários oficiais.

As aplicações dessa tecnologia no cotidiano são inúmeras. Desde a manutenção das suas conversas no WhatsApp até a proteção extra fornecida pelas redes virtuais privadas (VPN), a criptografia está presente, hoje em dia, na vida de praticamente todo mundo. Sem ela, por exemplo, os serviços e aplicativos bancários não funcionariam.

Computação quântica e a privacidade

Mas então, por que a computação quântica poderia afetar a criptografia? A resposta tem a ver com a natureza dos mecanismos atuais de proteção de dados. Como essas estruturas se baseiam na computação tradicional, elas fornecem uma proteção suficiente para que nenhum computador normal tenha sucesso num ataque. Mas a realidade das máquinas quânticas é bem diferente.

Como ilustração: grande parte dos protocolos modernos de criptografia fornecem uma segurança ao nível de 128 bits. Isso significa que, para quebrá-los, seriam necessários cerca de 2.128 passos computacionais – algo impossível para um sistema não quântico, mesmo considerando as possíveis evoluções no futuro do ramo.

Um algoritmo de computador quântico, por outro lado, conseguiria converter esse nível de segurança de 128 para apenas 26 bits – um nível ridiculamente baixo. A título de comparação, uma proteção de 26 bits seria vulnerável até mesmo contra ataques de um celular mediano.

Em resumo, caso agentes mal-intencionados, como hackers e golpistas, ganhassem acesso a um computador quântico, a segurança e privacidade de todos os dados protegidos pelos maiores protocolos de criptografia da atualidade estariam reduzidas a zero.

Não é o fim do mundo

Apesar de tudo isso, não há por que entrar em pânico. Em primeiro lugar, a realidade da computação quântica ainda está longe de ser dominante no mundo. Além do alto custo, há muitos fatores (incluindo dificuldades técnicas) que tornam praticamente impossível a perspectiva de pessoas comuns (ou mesmo hackers) possuírem um aparelho quântico tão cedo.

Fora isso, mesmo se essa tecnologia ganhar espaço suficiente para ameaçar a criptografia atual, a privacidade não estará condenada. Já existem hoje várias alternativas viáveis que podem sobreviver a ataques quânticos. Isso sem mencionar os enormes avanços feitos todos os dias pelas companhias de segurança cibernética, como provedores de VPN e antivírus.

Assim, aos usuários comuns, não há o que temer – mas há muito o que esperar.

albany 728
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