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Descontaminação de água poluída com metais pesados – projeto deve concorrer nos Estados Unidos

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Descontaminação de água poluída com metais pesados – projeto deve concorrer nos Estados Unidos

Um grupo de estudantes do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) está finalizando um projeto de desenvolvimento de um novo método de descontaminação de água poluída com metais pesados.

Para isso, os alunos estão juntando dinheiro para levar essa ideia à “International Genetically Engineered Machine Competicion (iGEM), a maior competição de biologia sintética do mundo, que ocorre este ano em Boston, nos Estados Unidos, entre os próximos dias 31 de outubro e 4 de novembro.

De fato, o projeto, onde estão envolvidos 19 estudantes de graduação e pós-graduação do Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares (CFBio/IFSC), consiste na criação de um filtro bacteriano para despoluir as águas atingidas por desastres naturais, como aqueles que aconteceram com os rompimentos das barragens de Brumadinho (2019) e Mariana (2015), conforme explica Roberto Furuta, aluno do 4º ano do curso CFBio e membro da equipe.

“O IFSC/USP participou desta competição nos anos de 2014 e 2015, tendo conquistado, respectivamente, uma medalha de cobre e outra de ouro. A equipa fez uma pausa e foi ano passado que decidimos levar em frente este projeto que está essencialmente ligado à área ambiental. Nosso trabalho consiste em pesquisar métodos de como utilizar os mecanismos disponíveis na área de biologia sintética para minimizar prejuízos resultantes de desastres ambientais que possam contaminar águas de rios, similares aos que aconteceram no Rio Doce, em Mariana (2015) e Rio Paraopeba, em Brumadinho (2019). A técnica é expressar em bactérias uma proteína que foi desenhada a partir de pedaços de proteínas já existentes e que é capaz de se conectar aos íons de metais pesados existentes em águas poluídas com chumbo e mercúrio, imobilizando essa proteína em algum substrato, para que ela não fique solta na água. Exportamos essa proteína para fora das bactérias que vamos modificar: essa proteína tem que se ligar aos metais pesados e aí coloca-se nela uma outra ligação à base de celulose”.

A cepa que a equipe pretende usar é a denominada Escherichia Coli, uma das bactérias mais bem estudadas na literatura, já que ela gera um biofilme – uma espécie de rede –  que conecta várias bactérias, sendo que grande parte desse biofilme é composto por celulose. Com essas composição, esse biofilme assume o papel de um filtro que é capaz de se ligar aos metais pesados. A equipe está terminando de desenhar toda a área genética em laboratório. “Estamos definindo os últimos detalhes e partindo para a área experimental já no próximo mês de julho”, acrescenta Roberto Furuta.

Geane Ferreira, aluna igualmente do 4º ano do curso e líder da equipe do IFSC/USP, salienta que algo muito interessante no iGEM é o fato de todas as equipes terem que depositar suas pesquisas numa espécie de banco de dados da competição, para que futuramente outras equipes possam utilizar as informações para aprimorar os projetos.

Por outro lado, o aspecto social também está presenta no iGEM, conforme explica Geane.

“Além do aspecto científico, todas as equipes têm que desenvolver práticas sociais. Assim, nossa equipe está já trabalhando com escolas da cidade de São Carlos, no sentido de interligar, principalmente, os alunos do ensino médio com a Universidade. Contudo, não perdemos de vista o ensino fundamental e o pré-escolar, já que que queremos aguçar o interesse das crianças pela ciência e principalmente pelos conceitos ambientais. Estaremos fazendo isso já no segundo semestre”.

Maria Júlia Marques também pertence à equipe iGEM/IFSC. Ela está igualmente no 4º ano do curso e é responsável pela coordenação de comunicação da equipe.

“Outra coisa que pretendemos fazer é uma viagem técnica a Brumadinho, no sentido de colher amostras para confirmação da existência de mercúrio e chumbo nas água do Rio Pereopeba, além de pretendermos conversar com a população local para sabermos como elas foram atingidas pela presença dos metais pesados e como se manifestaram os sintomas; visitar os hospitais locais para tentar fazer um levantamento do número de pessoas que foram contaminadas, é outra intenção nossa.”.

A equipe iGEM/IFSC prevê futuramente contatar com as escolas de todos os níveis de ensino da cidade de São Carlos para motivar os alunos para a defesa do meio ambiente e a importância que a Universidade pode ter para o desenvolvimento de cada um deles, tendo em vista a resolução dos vários problemas que afligem a sociedade, pelo que a equipe já confirmou uma parceria com a Atlética CAASO para a realização de projetos sociais e de divulgação científica com crianças e adolescentes de São Carlos.

Como orientadores, a equipe conta com a participação dos Profs. Drs. Marcos Navarro, Rafael Guido e Alessandro Nascimento.

Embora as Pró-Reitorias de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da USP já tenham contribuído com uma verba destinada à inscrição da equipe no iGEM, alunos e professores precisam arrecadar cerca de R$ 20 mil para arcar com os custos de passagens aéreas, estadias e compra de materiais de laboratório.

Para isso, eles criaram uma vaquinha online para arrecadar fundos.

  • Clique AQUI para contribuir.
  • Visite a equipe iGEM na página do Facebook (AQUI);
  • No Instagram – @igem_uspsaocarlos
  • Pelo Email: [email protected]
  • No Twitter: @iGEM_usp
Demuth Rodapé
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