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Exportações podem garantir receita para setor de florestas plantadas em 2016

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Exportações podem garantir receita para setor de florestas plantadas em 2016

Presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Elizabeth de Carvalhaes relata que os produtos originários da base florestal plantada representam um grande incentivo à economia de baixo carbono e têm grande potencial de gerar um novo mercado de produtos sustentáveis, renováveis e recicláveis.

madeira fsc obras públicas

24/08/2016 – O faturamento bruto do setor de árvores plantadas no Brasil, em 2015, foi de R$ 69 bilhões; e as receitas com as vendas externas atingiram US$ 9,0 bilhões, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. O saldo da balança comercial do segmento aumentou 14,9% em relação a 2014, fechando o ano com recorde de US$ 7,7 bilhões. Os números fazem parte do Relatório Ibá 2016, divulgado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), no início de agosto.

“O movimento forte de exportações se mantém e deve favorecer a recuperação de receitas das empresas”, afirma a presidente da instituição, Elizabeth de Carvalhaes.

Segundo ela, 2016 “está sendo desafiador para o setor, em decorrência do cenário econômico brasileiro, ainda em recessão e com inflação alta”. “O aumento nos preços dos insumos já afetou os custos das empresas no ano passado, e o impacto continua em 2016, assim como a menor atividade econômica prejudicou as vendas de papéis no mercado interno”, analisa.
Segundo a Ibá, no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) setorial alcançou R$ 69,1 bilhões, aumento de 3,0% comparado ao ciclo anterior.

Elizabeth de Carvalhaes“Superamos outros setores da economia brasileira como, por exemplo, agropecuária (+1,8%), indústria (-6,2%) e serviços (-2,7%)”, compara Elizabeth. Em relação ao PIB brasileiro, o segmento de árvores plantadas fechou 2015 com 1,2% de representação em toda a riqueza gerada no País e 6,0% do PIB industrial.

ÁRVORES PLANTADAS

Segundo o relatório da Ibá, no ano passado, a área total de árvores plantadas no Brasil cresceu 0,8% em relação ao ciclo anterior. Ao todo, são 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas, 5,6 milhões de hectares de áreas naturais preservadas e 1,7 bilhão de toneladas de CO2 equivalente estocado.

Os plantios de eucalipto ocupam 5,6 milhões de hectares e estão localizados, principalmente, em Minas Gerais (24%), em São Paulo (17%) e no Mato Grosso do Sul (15%). Nos últimos cinco anos, o crescimento da área de eucalipto foi de 2,8% ao ano. Por sua vez, os cultivos de pinus ocupam 1,6 milhão de hectares e concentram-se no Paraná (42%) e em Santa Catarina (34%). Nos últimos cinco anos, a área plantada com essa espécie vem caindo a uma taxa de 2,1% ao ano, devido, principalmente, à substituição por eucalipto.

Da área total de 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil em 2015, 34% pertencem às empresas do segmento de celulose e papel. Em segundo lugar, com 29%, encontram-se proprietários independentes e fomentados (pequenos e médios produtores), que investem em plantios florestais para comercialização da madeira in natura. Na sequência, vem o segmento de siderurgia a carvão vegetal, com 14% da área plantada.

ALTA PRODUTIVIDADE

A indústria brasileira de base florestal é mundialmente reconhecida pela alta produtividade das árvores plantadas no País, resultado dos investimentos contínuos das empresas do setor no Brasil para aprimorar o manejo florestal. O segmento apresenta a maior produtividade (volume de madeira produzido por área ao ano) e a menor rotação (período entre o plantio e a colheita das árvores) do mundo.

Câmara Setorial da Cadeia de Florestas Plantadas

De acordo com a Ibá, a produtividade média dos plantios de eucalipto no Brasil, divulgada pelas empresas de base florestal, foi de 36 metros cúbicos por hectare ao ano, enquanto a dos plantios de pinus foi de 31 m³/hectare/ano. Nos últimos cinco anos, a produtividade do eucalipto aumentou 0,7%/ano, enquanto a do pinus caiu 1,1% ao ano, em decorrência da conversão em áreas de eucalipto.

CERTIFICAÇÃO

No Brasil, 5,5 milhões de hectares com plantios de árvores são certificados (na modalidade manejo florestal). As certificações são atribuídas por organizações independentes, como o Forest Stewardship Council (FSC), e o Programme For The Endorsement of Forest Certification Schemes(PEFC), representado no Brasil pelo Programa Nacional de Certificação Florestal (CErflor).

Além disso, 45 mil hectares de plantios de árvores são certificados pelo padrão Small and Low Intensity Managed Forests (SLIMF), por meio de processos simplificados e custos mais baixos, e tem como objetivo facilitar o acesso à certificação FSC. Desse total, aproximadamente 25 mil hectares referem-se às áreas plantadas, enquanto os demais são áreas de conservação e outros usos.

CELULOSE E PAPEL

No ano passado a produção brasileira de celulose, incluindo o processo químico – fibra curta (eucalipto) e longa (pinus) – e pasta de alto rendimento, totalizou 17,4 milhões de toneladas, 5,5% superior ao volume de 2014. O volume exportado foi de11,5 milhões de toneladas, aumento de 8,6% em relação a 2014.

Em 2015, a produção brasileira de papel totalizou 10,4 milhões de toneladas; 0,4% abaixo do ano anterior. A Ibá credita o baixo desempenho foi à retração das vendas domésticas, que caíram 4,7% comparadas a 2014.

Enquanto as produções de papéis de embalagem e de papéis especiais aumentaram, respectivamente, 1,8% e 2,5%, as de tissue, papel cartão, papel imprensa e de imprimir e escrever caíram, respectivamente, 0,7%, 1,6%, 6,7% e 4,7%.

OUTROS PRODUTOS

No ano passado, a produção de painéis de madeira reconstituída foi de 7,5 milhões de metros cúbicos, redução de 6,3% em relação a 2014. As produções de MDF/HDF1, MDP2 e de chapas de fibras (HB)3 diminuíram 0,8%, 14,9% e 0,4%, respectivamente. As vendas de painéis de madeira reconstituída no mercado doméstico caíram 11,3%. No entanto, as exportações atingiram 641 mil metros cúbicos, alta de 52,3% em relação a 2014.

piso laminado (2)

A produção de pisos laminados totalizou 12,7 milhões de m2 em 2015 (redução de 8,0% em relação a 2014). A produção de serrados provenientes de árvores plantadas recuou 4,3% em relação ao ano anterior, e atingiu 8,8 milhões de metros cúbicos.

Em decorrência da desvalorização do real frente ao dólar, entretanto, houve um aumento das exportações de madeira serrada em 28%, totalizando 1,6 milhão de metros cúbicos exportado.
Já o carvão vegetal, registrou consumo de 4,6 milhões de toneladas no Brasil em 2015, queda de 13,2% em relação ao ano anterior. Do total de carvão consumido, 82% foram produzidos a partir de madeira oriunda de árvores plantadas, totalizando 3,8 milhões e toneladas, 12,4% abaixo de 2014. Desta soma, 1,6 milhão de toneladas foram consumidas pelas associadas à Ibá.

FONTE DE ENERGIA

A indústria de árvores plantadas é responsável por gerar a maior parte da energia consumida nos seus processos produtivos. Em 2015, houve um aumento de 2% na produção de energia em relação ao ano anterior; foram gerados 65,1 milhões de gigajoules (GJ), ou seja, 67% dos 96,8 milhões de GJ consumidos pelo setor.

As fábricas de celulose mais modernas, além de autossuficientes em energia, geram excedentes para comercialização. Cerca de 11,9 milhões de GJ foram comercializados para a rede pública.

Conforme explica a presidente da Ibá, as empresas do setor utilizam, basicamente, subprodutos de seus processos para a geração de energia térmica e elétrica. O licor negro, proveniente da produção da celulose, e a biomassa florestal representam 62,5% e 17,3%, respectivamente, da energia produzida.

ECONOMIA DE BAIXO CARBONO

“Os produtos originários da base florestal plantada representam um grande incentivo à economia de baixo carbono e têm grande potencial de gerar um novo mercado de produtos sustentáveis, renováveis e recicláveis, desde o papel e a madeira, até os combustíveis mais limpos, como a biomassa e o etanol celulósico, e os produtos químicos e farmacêuticos retirados da árvore”, detalha a presidente do Ibá.

Na opinião de Elizabeth, o debate sobre a necessidade de mitigar as mudanças climáticas tem elevado a relevância da economia de baixo carbono nos últimos anos, e deverá aumentar ainda mais após a Conferência do Clima (COP21), em Paris.

Fonte:SNA

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