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Geoengenharia – 5 ideias para combater a mudança climática

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Geoengenharia – 5 ideias para combater a mudança climática

Se os seres humanos não podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa, é possível projetar um caminho para sair da catástrofe da mudança climática? Na fim do ano passado, um relatório da ONU lançou uma luz sobre a geoengenharia, uma área que propõe intervenções em grande escala para combater o aquecimento global. Também conhecida como engenharia climática, a geoengenharia é um termo genérico para classificar intervenções humanas que mudam o sistema climático da Terra. Ao entrarmos na era do antropoceno, na qual a atividade humana está moldando a terra mais do que as forças naturais, ela pode ser vista como uma forma de redesenhar o planeta.

Assim, a geoengenharia poderia oferecer uma solução mais viável para a mudança climática do que esperar que os humanos modifiquem seu comportamento atual para reduzir as emissões. O relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), das Nações Unidas, destacou a geoengenharia como um Plano B necessário se o aumento da temperatura atingir um nível em que ele não pode mais ser administrado.

Existem atualmente duas abordagens principais sob o guarda-chuva da geoengenharia: remoção de dióxido de carbono (CDR) e gerenciamento de radiação solar (SRM).

A CDR aborda a causa raiz do aquecimento global, removendo gases de efeito estufa da atmosfera – com captura e armazenamento de carbono. Já o SRM nem chega a tocar nos gases do efeito estufa, mas reflete a luz solar para longe da terra. Tal ciência, que ainda é amplamente baseada em modelos teóricos, vem sendo criticada por não ter sido testada, ser arriscada e oferecer uma falsa promessa de salvação em um momento em que os formuladores de políticas precisam tomar decisões difíceis.

No entanto, a geoengenharia pode ser algo necessário e útil, uma vez que os seres humanos são resistentes a mudanças de comportamento. Com base nisso, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas dá à pesquisa de geoengenharia sua tentativa de aprovação.

De qualquer forma, o IPCC tenta evitar o termo “geoengenharia” em seu relatório porque vê CDR e SRM de formas completamente diferentes. O IPCC considera a CDR como uma medida de alívio da mudança climática, que é algo incorporado em quase todos os caminhos seguros definidos para o futuro.

Já o SRM, não. A prática é vista como uma compensação e não uma correção para as emissões de gases de efeito estufa, e a ciência que envolve esse gerenciamento de radiação solar ainda é incerta. No entanto, o painel de cientistas apoiado pela ONU diz que o SRM ainda pode conquistar seu espaço.

“Se os esforços de alívio das mudanças climáticas não mantiverem a temperatura média global abaixo de 1,5 ºC o SRM pode potencialmente reduzir os impactos climáticos de um excesso temporário de temperatura”, diz o relatório do IPCC, que analisa 6.000 estudos científicos. O aumento de temperatura de 1,5 ºC é mais perigoso do que se pensava anteriormente, o que faz com que os governos sejam pressionados tomar medidas preventivas imediatas.

O IPCC indica temperaturas extremas, taxa de aumento do nível do mar e intensidade de ciclones tropicais como impactos que poderiam ser minimizados através do SRM. No entanto, sua aprovação precisa ser altamente qualificada.

“Embora os desenvolvimentos teóricos mostrem que o SRM é tecnicamente viável, os experimentos de campo globais não foram conduzidos e a maior parte do conhecimento sobre o SRM é baseada em simulações de modelos imperfeitas e alguns análogos naturais”, diz o IPCC. “Há também desafios consideráveis para a implementação do SRM associado a divergências sobre os impactos de governança, ética, percepção pública e desenvolvimento econômico.”

O IPCC também adverte sobre o risco de “choque de término” se as práticas forem subitamente interrompidas, causando um rápido aumento de temperatura. O relatório explora quatro tipos de gerenciamento de radiação solar (SRM), a com métodos mais aceitos de remoção de dióxido de carbono (CDR). Aqui está o que o IPCC tem a dizer sobre cada uma dessas ideias:

1 – Remoção de dióxido de carbono (CDR)

O que é? CDR é a junção de diferentes técnicas de remoção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, reduzindo o aquecimento. O mais estabelecido desses processos é a bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS), que o IPCC já incorporou em sua modelagem.

O processo consiste em queimar biomassa para energia e capturar e armazenar as emissões no subsolo. Formas alternativas de CDR incluem captura e armazenamento direto de dióxido de carbono no ar (DACCS). Isso foi usado em uma operação comercial da ClimeWorks – inclusive, falamos um pouco mais sobre o trabalho da ClimeWorks aqui. O sequestro de carbono no solo (SCS), o reflorestamento e a fertilização oceânica, onde os nutrientes adicionados fazem com que o CO2 fique preso no fundo do oceano, também são métodos de CDR.

É viável? Embora o IPCC tenha dúvidas se o processo de BECCS poderia ser melhorado a tempo, ele funciona. Há uma discordância sobre a disponibilidade de terras para as plantações de biomassa e o projeto é caro e consome muita energia.

É seguro? A captura e armazenamento químico de CO2 no subsolo é geralmente considerada segura por milhares de anos. O carbono natural afunda como o solo e as raízes das árvores crescem mais cedo, então esse é um método que precisa ser usado com cuidado.

2 – Injeção de aerossol estratosférico (SAI)

O que é? SAI é o principal tipo de gerenciamento de radiação solar (SRM) considerado no relatório do IPCC. É aí que a geoengenharia se torna um pouco polêmica. Enquanto o CDR aborda a causa do aquecimento global, reduzindo os gases de efeito estufa, o SRM apenas o disfarça ou o desloca. No caso da SAI, os gases são bombeados para a estratosfera para refletir um pouco do calor do sol, imitando um efeito que ocorre naturalmente em uma forte erupção vulcânica.

É viável? O IPCC diz que há um alto consenso de que a SAI poderia trabalhar para limitar o aquecimento a menos de 1,5 ºC, e a tecnologia existe para realizar tal tarefa. Mas a escala da SAI dificulta sua governança – implementá-la em um país pode provocar chuva e condições meteorológicas extremas. A falta de apoio público pode ser o maior obstáculo.

É seguro? Existem preocupações sobre consequências imprevistas com o uso da geoengenharia nessa escala. Outra questão fundamental é o que acontece quando a SAI é descontinuada – o “choque de término” causaria um aumento nas temperaturas, criando enormes problemas para as futuras gerações que não concordassem com a prática.

3 – Iluminação da nuvem marinha (MCB)

O que é? Como todas as formas de SRM, a MCB consiste em refletir a luz do sol para longe da terra de alguma forma. Neste caso, o sal marinho ou outras partículas são pulverizados em nuvens marinhas para torná-los mais espessos e mais refletivos.

É viável? Várias simulações confirmaram que o mecanismo funciona, e o IPCC diz que a MCB tem potencial para baixar as temperaturas em nível regional.

É seguro? Há preocupações semelhantes com consequências imprevistas, como com a SAI, mas em uma escala mais localizada.

4 – Afinamento da nuvem Cirrus (CCT)

O que é? CCT é quase o oposto da MCB. Nuvens circulares de alta altitude são finas e cheias de água, de modo que não refletem muita radiação solar de volta ao espaço e, em vez disso, captam radiação de ondas longas na Terra. A CCT propõe afiná-las ainda mais através da semeadura de nuvens, deixando escapar mais radiação de ondas longas.

É viável? O problema com a CCT é que a semeadura de nuvens pode ter exatamente o efeito oposto, engrossando as formações Cirrus. É uma das propostas menos compreendidas de geoengenharia nesta fase, portanto, não pode ser considerada viável.

É seguro? Não é possível afirmar se a CTT é segura ou não.

5 – Modificação do albedo baseado em solo (GBAM)

O que é? A palavra “albedo” se refere a quanta radiação solar um planeta reflete de sua superfície. Modificar o albedo terrestre a partir do solo poderia ser possível a partir de pequenas medidas arquitetônicas, como telhados de clareamento e gerenciamento do uso da terra. Também poderia ter uma escala muito maior – as ideias mencionadas no relatório do IPCC incluem a cobertura de geleiras e desertos com folhas reflexivas.

É viável? O IPCC conclui que a GBAM tem um potencial real para baixar as temperaturas – mas em um nível regional e não global. É baseado em fenômenos naturais parecidos que realmente funcionam, e simulações confirmaram o mecanismo até agora.

É seguro? Nenhuma preocupação importante sobre a segurança foi observada.

Fonte: Inova Social

Demuth Rodapé
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