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Madeira de eucalipto se transforma em barris de envelhecimento de cachaça

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Madeira de eucalipto se transforma em barris de envelhecimento de cachaça

Irving Malaguti

23/04/2013 – Estudo feito por alunos da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, aponta que eucaliptos e madeiras nativas podem ser utilizados para o envelhecimento da cachaça –  bebida tipicamente brasileira com mais de 500 anos de história e nos dias atuais é comparada aos melhores destilados do mundo. O trabalho “Utilização de eucaliptos e de madeiras nativas no armazenamento da aguardente de cana-de-açúcar” foi desenvolvido pelos pesquisadores Fábio Mori, Lourival Mendes, Paulo Trugilho e Maria Cardoso. Há especialistas  que acreditam que o estudo pode sugerir um novo mercado para os produtores de eucaliptos e melhorar ainda mais o cenário de florestas plantadas. Mas há quem pense diferente.

Os pesquisadores avaliaram as propriedades químicas, anatômicas e físicas de madeiras de diferentes espécies de eucaliptos. Apesar de ter provocado o descarte de grande parte do produto em algumas espécies, os resultados apresentaram padrão normal, segundo a lei vigente, indicando que podem ser comercializadas. O trabalho concluiu que pode ser viável a utilização de madeiras de eucaliptos para o envelhecimento de aguardente de cana-de-açúcar, porém mais estudos com relação ao armazenamento em barris de maior tamanho e também envolvendo testes sensoriais devem, ainda, ser realizados. Das 25 espécies analisadas, 12 foram descartadas porque os barris racharam. Porém, outras 13 deram certo.

No entanto, o resultado já está na prática: a Cachaça Paraíso, por exemplo, foi envelhecida na madeira de eucalipto e já é comercializada dentro das normas do Ministério da Agricultura. Para o empresário Eduardo Verardo, ex-economista que trabalha há mais de uma década com a venda da  bebida, afirma que o eucalipto usado neste processo chama-se eucalipto lima, uma espécie brasileira rara. “É diferente dos eucaliptos que estamos acostumados a ver”, afirma. Ele ainda diz que o produto final é muito parecido com o que é envelhecido no carvalho, porém de cor neutra. A bebida também foi aprovada por alguns degustadores. “O grande diferencial é a sustentabilidade, com eucaliptos a produção de aguardente ganha uma forma ecologicamente correta”, afirma Verardo.

O eucalipto é a espécie florestal mais plantada no Brasil – e que também está sendo objeto do estudo no que se diz respeito à otimização da produtividade, com o melhoramento genético. Outro ponto importante, segundo a pesquisa, é que o cultivo da árvore inspira a conservação ambiental, com baixo revolvimento do solo, alto aproveitamento de adubação e grande volume de carbono sequestrado. No cerrado, por exemplo, a cada 100 hectares de floresta plantada pelas grandes empresas há, em média, 37 de vegetação nativa – número acima dos 20 exigidos pela legislação federal. “Nos próximos anos seremos brindados com eucaliptos transgênicos, o que poderá significar uma revolução nas florestas plantadas”, afirma o biólogo, mestre em biologia vegetal, doutorando em produção vegetal e pesquisador da Fundação MS, Alex Melotto.

Se por um lado os resultados foram satisfatórios e novas pesquisas serão feitas, por outro, as coisas não são tão fáceis assim, é o que explica o pesquisador Alex Melotto. “A demanda por madeira é crescente tanto por parte das indústrias de papel e celulose quanto para os demais usos básicos. O Brasil é carente de alguns aspectos básicos para que o país atinja seu máximo produtivo”, lamenta.

Segundo ele, o aumento do custo de produção, tributação complexa e excessiva (totalizando 88 impostos para grandes empresas) e financiamentos caros (com taxa de 19% ao ano) são os principais fatores que fazem com o Brasil tenha problemas para atender à demanda de madeira. Fora isso, outros itens como insegurança jurídica na compra de terras, processos ambientais e infraestrutura precária também influenciam todo o processo. “Tecnicamente falando, o setor florestal carece principalmente de mecanização, diferente da produção de alimentos. Há poucas fábricas e, consequentemente, poucos equipamentos específicos para o setor de florestas. Ele não conta com mais de 35% dos equipamentos adaptados” mostra Melotto.

Clique aqui para ver a pesquisa completa.

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