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Matéria-prima essencial para a indústria gráfica, o papel requer cuidados especiais

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Matéria-prima essencial para a indústria gráfica, o papel requer cuidados especiais

16/03/2016 – Uma vasta gama de produtos com diferenciações técnicas para a aplicação em impressos gráficos dos mais variados tipos, formatos e aplicações: tão complexo quanto versátil, o papel é uma matéria-prima de base natural, um produto biodegradável que exige atenção redobrada para que sua integridade física não comprometa os resultados – tanto do material impresso, quanto da operação financeira da empresa.

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Para profissionais que trabalham diretamente com o papel, estes cuidados podem ser peculiaridades da rotina, que inclusive precisam ser partilhadas e reforçadas com os públicos de relacionamento. Já para aqueles que não lidam diretamente com a parte técnica e operacional do papel, podem ser informações interessantes para compreender a aplicação do produto e a dinâmica dessa importante cadeia de negócios, que gera emprego e renda em todos os cantos do país.

Para dar conta da sugestão de abordar o aspecto técnico e cuidados com manuseio, logística e armazenagem do papel, o NewsPaper buscou orientação dos mestres ligados à ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica. A seguir, a entrevista gentilmente concedida pelos professores da Escola SENAI “Theobaldo De Nigris”, especialistas em papel, Célio Robusti e Paulo Dragoni.

Enquanto matéria-prima, o papel tem características que exigem cuidados especiais para dar bons resultados à produção gráfica. Quais são os principais aspectos do produto que devem ser observados quando o carregamento chega à gráfica?

Robusti e Dragoni – Os papéis possuem várias propriedades que influenciam nos resultados da impressão e acabamento e que podem ser medidas e avaliadas. Para todas há valores que podem ser especificados para diferentes tipos de produtos gráficos e processos de impressão. Além disso, os papéis devem ser o mais uniforme possível. Exemplos de algumas dessas propriedades: gramatura, espessura, aspereza, permeância ao ar, higroexpansividade (“instabilidade dimensional”), cor, brancura, opacidade, entre outras.

Ao receber um carregamento, o gráfico deve observar se o papel está protegido, com embalagem adequada (papel kraft plastificado e plástico), de tal forma que não sofra a ação da umidade ou de qualquer contaminante externo. Deve estar devidamente identificado e não apresentar irregularidades como embalagem rasgada e/ou amassada, fora do formato padrão, bobinas amassadas, ovaladas, com as extremidades “moles”, com excesso de emendas, canudos soltos etc.

O ideal, além disso, é realizar ensaios para verificar se as propriedades do papel, pelo menos as mais importantes, estão de acordo com o que foi especificado. Como nem todas as gráficas possuem recursos para esses ensaios, recomenda-se contratar ensaios de laboratório quando houver dúvidas sobre a qualidade do material recebido.

Quais são os cuidados necessários no manuseio e armazenagem do papel desde que sai da fábrica, nacional ou estrangeira, até a entrada na máquina para impressão?

Em se tratando de folhas, os pacotes, as resmas ou as pilhas devem ser sobrepostas sobre paletes ou skids e devidamente embaladas com plástico ou material similar para proteger o papel da umidade. As pilhas devem ser uniformes.

As bobinas devem ser manuseadas com empilhadeiras apropriadas para não danificá-las, além de ser armazenadas verticalmente para evitar sua deformação. Tanto os paletes, os skids ou as bobinas não devem ser armazenados próximos ao teto ou às janelas dos armazéns, para evitar a incidência excessiva de calor e luz solar. Também deve-se evitar locais muito úmidos.

Quais os problemas que podem ocorrer na gráfica se o papel não for adequadamente armazenado, manipulado e transportado?

São vários os problemas que podem ocorrer, podemos citar alguns:

  • Perda de papel;
  • Papel com umidade elevada, que pode prejudicar a alimentação da máquina impressora, bem como a qualidade do impresso;
  • Maior número de paradas de máquina;
  • Variação de registro;
  • Quebras da folha em máquinas rotativas;
  • Reclamações;
  • Aumento de custos

Dentre os vários tipos e especificações de papéis utilizados pela indústria gráfica algum requer cuidados diferenciados?

Alguns tipos de papéis requerem, sim, cuidados diferenciados, por exemplo: papel autocopiativo, papel couchê, papel para impressão a laser, entre outros. O papel autocopiativo recebe um revestimento à base de pigmentos e aditivos, em uma ou ambas as faces justamente para produzirem as cópias. Assim o operador deve ter bastante cuidado ao manipular esse papel, pois a aplicação de pressão excessiva pode gerar “azulamento”, ou seja, as cápsulas do agente revelador podem se romper.

Papel couché é revestido com uma tinta formulada basicamente com pigmentos e ligantes, tornando-o extremamente “microporoso”. Esse revestimento pode ser aplicado em uma face (couchê L1) ou ambas (couchê L2). Quando esse papel (couchê L2) é impresso em máquinas Papel cuchêrotativas heat-set, o teor de umidade deve ser bem controlado. Umidade acima de 4,5% pode causar problemas de blistering (bolhas de vapor presas entre o papel base e a camada de revestimento), isso por causa da alta temperatura do secador da máquina.

Papel para impressão a laser deve possuir uniformidade de espessura e teor de umidade em torno de 3,0 a 3,5%, portanto é de suma importância desembalar o papel somente no momento da impressão, para que o mesmo não absorva a umidade do ar, o que poderá acarretar atolamento na impressora.

As recomendações variam para bobinas e folhas?

Algumas recomendações podem ser diferentes para bobinas e folhas. Os papéis em bobinas devem apresentar resistência à tração, ao rasgo e alongamento (na direção de fabricação ou direção de “fibra”) superiores àqueles valores requeridos em papéis em folhas, por causa das altas velocidades das impressoras rotativas.

A qualificação profissional pode ser um diferencial para evitar danos? O que podemos destacar da formação das pessoas que trabalham com papéis, desde vendedores e compradores, responsáveis por transporte e corte até os operadores de impressoras e pessoal de acabamento?

Sendo o papel a matéria-prima mais importante na gráfica (possui maior custo), é de fundamental importância que todos os profissionais envolvidos no processo produtivo conheçam muito bem suas propriedades e os cuidados necessários para o seu manuseio e armazenamento. Assim, esses profissionais devem ser qualificados por uma instituição de ensino especializada. Isso porque dificilmente será possível adquirir esses conhecimentos apenas na prática. A capacitação dos profissionais é um importante investimento, que rapidamente se paga pela redução de erros, retrabalhos, perda de materiais e aumento de produtividade.

Em geral, as gráficas compram a pronta e imediata entrega, cabendo aos distribuidores a tarefa de gerir os estoques de papéis. Quais aspectos os gráficos devem avaliar atentamente na hora de escolher o fornecedor, visando assegurar a qualidade do papel?

Existem vários distribuidores e revendas de papéis no mercado. É importante estabelecer uma relação de confiança com os fornecedores. Embora custo seja fundamental às vezes pode não valer a pena mudar abruptamente de fornecedor quando a diferença de preço não é muito significativa. O fornecedor deve ter bons conhecimentos sobre os vários tipos de papéis que vende. Isso pode ser facilmente verificado numa conversa com o pessoal técnico da revenda. Mas o comprador também tem que conhecer pelo menos o básico sobre essa matéria-prima. Para que não haja surpresas desagradáveis, seria muito importante que o comprador (gráfico) exigisse do fornecedor de papel um laudo com os valores obtidos das características ensaiadas, além de efetuar os mesmos ensaios em seu laboratório para checar se as mesmas atenderão às suas necessidades.

Quais outros pontos relevantes devemos destacar sobre as condições técnicas e a qualidade da matéria-prima papel?

Podemos frisar que, talvez o ponto mais relevante, seja a presença de um Laboratório de Controle da Qualidade do papel na indústria gráfica, para que ele possa ser avaliado no momento do recebimento. Esse laboratório não precisa ser sofisticado, mas possuir equipamentos básicos para que a empresa possa fazer os controles mínimos. É bastante complicado discutir tecnicamente com o fornecedor (papeleiro) algum problema que, possivelmente diz respeito ao papel, se o gráfico não possuir um controle de qualidade adequado para checar se o papel encontra-se dentro das especificações desejadas. Seria mais complicado, ainda, discutir questões referentes à normalização desta matéria-prima tão importante para o setor.

Fonte: Andipa

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