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Mercado de reciclagem do Brasil movimenta R$ 3 bilhões, destaque para o setor de papel e papelão

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Mercado de reciclagem do Brasil movimenta R$ 3 bilhões, destaque para o setor de papel e papelão

08/09/2016 – No setor de papel e papelão, diferentemente de outros, os fabricantes também atuam como recicladores, e há muitos anos já existe a compra das aparas, comercializadas em seu maior volume pelos aparistas. Atualmente, o Brasil figura entre os maiores recicladores de papéis do mundo, recuperando cerca de 60% daquilo que é consumido internamente. De acordo com o presidente do Cempre, o mercado de reciclagem geral do País movimenta hoje cerca R$ 3 bilhões, com potencial para gerar valores muito maiores.

Reciclagem-de-papel apara papel papelão

Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), do governo federal, o Brasil perde R$ 8 bilhões por ano ao levar para lixões e aterros materiais recicláveis que poderiam voltar à produção industrial. Hoje o lixo gerado diariamente chega a 198.800 toneladas, com coleta de 173.700 toneladas, conforme dados do Cempre. Desse total, a fração seca reciclável dos resíduos urbanos corresponde a 31,9%, dos quais 13,1% de papel e papelão. Grande parte do trabalho de reciclagem deve-se aos catadores ainda informais que atuam na ponta da cadeia.

Elizabeth Carvalhaes IbáA representatividade do volume de produção da indústria de papéis para embalagens no contexto do setor de papel é relevante, pois responde por quase 50% do total fabricado de 10,4 milhões de toneladas em 2015, conforme indicadores da Secretária de Comércio Exterior (Secex). Representada pela Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) no Acordo Setorial de Embalagens de papel e papelão, as fabricantes signatárias estudam neste momento as melhores formas de ampliar suas ações em prol da logística reversa, de acordo com Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da associação.

Para Elizabeth, a evolução do Acordo Setorial de Embalagens deverá elevar o volume de aparas no mercado, levando à necessidade de se adotarem políticas públicas de incentivo à reciclagem e conscientização social sobre a importância do correto destino dos produtos já usados e seu reaproveitamento. “A redução do volume de resíduos nos aterros sanitários passa obrigatoriamente pela tomada de consciência da população, que tem papel fundamental no auxílio aos catadores e ao setor privado para aumentar a reciclagem de produtos”, declarou.

Quem concorda com Elizabeth é Leandro Farina, gerente da Qualidade e Meio Ambiente da Celulose Irani, fabricante de embalagens e chapas de papelão ondulado. “A reciclagem aumentará efetivamente na medida em que aumentar o consumo de produtos que utilizam embalagem e for de fato estimulada a atividade de separação e coleta seletiva. Outras dificuldades estão no próprio momento econômico do País, que, sem crescimento, não apresentará perspectivas de aumento de produção”.

Sem esperar mudança alguma ou incentivo governamental, a Celulose Irani tem elevado seu percentual de coleta direta de aparas dos clientes de chapas de papelão ondulado como prática da logística reversa.

“Trata-se de um modelo mais sustentável que reduz custos e tem menor impacto ambiental na cadeia logística”, destacou Farina. Enquanto empresas como a Celulose Irani fazem sua parte na prática da lei, as entidades buscam desenvolver ações voltadas à conscientização social sobre a importância de se reciclar cada vez mais.

Para dar suporte às ações, a Associação Brasileira de Embalagem (Abre), uma das intervenientes anuentes do Acordo Setorial de Embalagens em conjunto com a Ibá, tem trabalhado nesse processo, incentivando o desenvolvimento da cadeia.

“Entendemos que um dos processos para tornar isso possível se dá através do diálogo com todos os elos envolvidos. Recentemente desenvolvemos um material sobre embalagem e sustentabilidade em parceria com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) sobre os desafios e orientações no contexto da economia circular. Essa última edição focou bastante no ciclo de vida do produto e seu devido uso, com uma embalagem que tenha eficácia na produção e na distribuição, bem sobre nos modos de reduzir perdas e, com isso, criar um valor intrínseco para fortalecer a cadeia da logística reversa”, destacou Luciana Pellegrino, diretora executiva da Abre.

A Abre também desenvolveu, em conjunto com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), uma norma técnica que orienta o descarte seletivo e de materiais de embalagem, com o objetivo de aumentar o engajamento do consumidor, que passa a perceber-se como parte da cadeia de reciclagem.

“A indústria pode ajudar os programas de coleta seletiva a alcançarem um maior índice de recuperação de materiais. Para isso, desenvolvemos uma orientação nas embalagens de bens de consumo para o descarte correto, orientando a população. Trata-se da norma n.º 16.182/2013, que já pode ser conferida em várias embalagens no mercado”, disse a diretora executiva.

Espera-se ainda qualidade superior dos materiais. Segundo o gerente da Qualidade e Meio Ambiente da Celulose Irani, a expectativa é de melhorar a qualidade dos materiais recicláveis a partir de uma coleta cada vez ais profissionalizada. “Ainda temos de 3% a 4% de materiais diferentes de fibra que contaminam as aparas. Trata-se de contaminantes e materiais proibitivos, como metal, plásticos diversos, panos e areia, entre outros”, destacou Farina.

O presidente do Cempre destaca que todas essas ações estão sendo monitoradas para posterior apresentação, conforme previsto no próprio Acordo Setorial de Embalagens. No prazo de 36 meses após a assinatura, o sistema de monitoramento deverá contabilizar pelo menos 50% do volume que cada um dos integrantes do sistema de logística reversa recolheu e contabilizar o peso dos materiais das embalagens colocadas no mercado pelas empresas.

“Temos rotinas de prestação de contas com os setores, que nos passam as informações, as quais consolidamos com empresas especializadas para prestar contas do compromisso com o governo”, esclarece Bicca. Ele destaca ainda que um dos desafios de hoje consiste em coletar tal informação. Por esse motivo, um dos compromissos será desenvolver um sistema de rastreamento, monitoramento e contabilização. “A informalidade hoje existente na coleta reflete diretamente na dificuldade em quantificar esses volumes. É difícil saber de onde o material veio e quem o coletou. Apenas na ponta da cadeia conseguimos medir isso; atualmente, é a única maneira de se obterem dados confiáveis”, ressaltou.

Fonte: Revista O Papel / Agosto de 2016

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