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O que é a madeira certificada

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O que é a madeira certificada

Outra parte essencial da “nova economia florestal” é o processo de certificação das madeiras. A madeira certificada é aquela que, além de sair de árvores retiradas dentro dos termos da lei, adota exigências ainda mais rígidas quanto à produção.

Para que a madeira seja certificada, é preciso que a empresa se submeta voluntariamente a um monitoramento constante de suas práticas, seguindo os padrões internacionais do FSC, que, por sua vez, é um Conselho composto por diferentes membros do setor (empresas, ambientalistas, sindicatos, ONGs, etc).

Além disso, não se certificam florestas de áreas desmatadas no Brasil depois de 1994. E as empresas certificadas têm área de conservação em suas propriedades maior do que a legislação exige.

Existem vários tipos de certificados. Mas, basicamente, é preciso que a empresa atenda ao menos estes critérios essenciais:

  • Obter o licenciamento ambiental e o inventário florestal, ou seja, cumprir as leis vigentes;
  • Ter o domínio de toda a área a ser manejada e um planejamento para a propriedade;
  • Comprometer-se com o engajamento das comunidades do entorno no processo de produção – o que envolve respeito aos povos indígenas, tradicionais e os direitos dos trabalhadores;
  • Utilizar de forma sustentável os diversos recursos da floresta, e não só a madeira;
  • Seguir normas técnicas definidas pelo FSC na implementação das atividades de manejo.

Quando o consumidor for comprar produtos de madeira, o selo FSC é a garantia de que esses critérios foram obedecidos. A empresa recebe o certificado por 5 anos, mas todo ano passa por auditoria para confirmar que continua seguindo os princípios.

Se tudo correr bem, a tora de madeira já vai para a indústria com o selo de certificação.

“Não é só a questão ambiental que é importante. É preciso empregar pessoas locais e ajudar a desenvolver a região”, diz Aline Tristão. “Você tem que, no mínimo, atender a legislação que existe: ambiental, social, trabalhista, mas também se envolver no engajamento das comunidades.”

O FSC afirma que o Brasil tem 131 empresas do ramo florestal certificadas e ocupa atualmente o 6º lugar no ranking global de áreas certificadas: são cerca de 7 milhões de hectares certificados (área com tamanho equivalente ao da Irlanda). Desse total, 5 milhões são de plantações florestais e, o restante, de florestas nativas.

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma das associações que realiza a certificação seguindo as normas do FSC, acompanhando tanto a origem da madeira quanto as etapas pelas quais passou até se tornar o produto final (rastreabilidade).

Segundo o gerente de certificações da Imaflora, Leonardo Martin Sobral, toda atividade produtiva causa algum impacto negativo no meio ambiente. Mas um dos pontos principais da certificação é, justamente, a mitigação desses possíveis impactos.

O eucalipto de floresta plantada, por exemplo, tende a ressecar o solo. Portanto, é preciso que a empresa compense de alguma forma esse impacto com uma irrigação adequada, garantindo que as propriedades vizinhas também possam se manter produtivas.

“Isso vai desde o cumprimento do Código Florestal até a qualidade da água, a manutenção da biodiversidade, a proteção de áreas de alto valor para conservação. Se temos uma área de floresta nativa, com fauna endêmica da região, tudo isso precisa ser protegido e monitorado.” – Leonardo Martin Sobral, da Imaflora

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura estimou em 2016 que, por meio do combate à produção de madeira ilegal e duplicando as área de manejo florestal com madeira certificada, o Brasil poderia aumentar o seu Produto Interno Bruto (PIB) em R$ 3,3 bilhões ao ano. E a arrecadação de impostos cresceria cerca de R$ 250 milhões.

Fonte: G1

Demuth Rodapé
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