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Qual é a real importância das estradas no processo produtivo florestal?

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Qual é a real importância das estradas no processo produtivo florestal?

A resposta pode ser simples: plantar florestas e ter garantia do constante abastecimento de madeira para o processo produtivo. Porém, quais aspectos estão envolvidos na correta construção ou readequação da malha viária?

Finalidades das Estradas

  • Permitir o escoamento da produção;
  • Facilitar o transporte de máquinas, insumos e pessoas;
  • Garantir o combate a incêndios florestais e o controle profilático;
  • Otimizar a distância de extração;
  • Facilitar o planejamento e manejo das áreas florestais;
  • Contribuir com as comunidades que vivem no entorno do povoamento;
  • Garantir a madeira em pontos acessíveis para transporte.

Estradas - B Forest

22/08/2016 – A rede viária florestal é de fundamental importância para o sucesso da implantação, manutenção, proteção, colheita, transporte de madeira e administração de um povoamento florestal. Quando uma rede viária é bem planejada reduz custos, diminui riscos operacionais e proporciona garantia de abastecimento fabril.

Mas o que define uma rede viária? O primeiro aspecto que deve ser levado em consideração é a sua localização geográfica, a necessidade do escoamento da madeira até a fábrica, o tipo de produto produzido e o recurso financeiro disponível para investimento.

“Outro aspecto é o modal de transporte utilizado. Dependendo da composição veicular de carga, os padrões técnicos das estradas deverão ser diferentes e compatíveis”, explica o consultor florestal da Malinovski, Gustavo Castro.

Estradas - B Forest 5A Ferbasa, empresa localizada na Bahia e que possui aproximadamente 25 mil hectares de plantio de eucalipto, passou pela elaboração de um Plano Diretor de Estradas Florestais. Um dos motivos que levou a empresa a repensar suas estradas foi o tipo de composição veicular que utilizava. “Nosso transporte era feito com caminhões de pequeno porte. Estes não exigiam uma malha viária bem definida. Em 2013, decidimos contratar caminhões do tipo romeu e julieta e bitrem, o que fez que procurássemos um modelo de construção de estrada que fosse mais adequado a essa composição”, conta Sebastião Andrade, diretor florestal da Ferbasa.

Um aspecto extremamente relevante quando se trata de estradas é a densidade das mesmas. Afinal ela está diretamente associada aos custos de construção e manutenção. “Quanto maior a densidade, maior serão os investimentos/custos, assim como o percentual de perda de área produtiva. Porém, na contramão, os custos de colheita terão redução”, afirma Gustavo Castro. Neste processo, encontrar a densidade ótima ou aceitável das estradas consiste na elaboração de curvas de custo para as atividades de construção, manutenção de estradas, custos de colheita, silvicultura, perda de área produtiva e passivos ambientais.

“A readequação da malha viária foi importante para a Ferbasa porque tínhamos grande densidade porém, estradas sem uma estruturação adequada. O redimensionamento nos ajudou a otimizar nosso transporte, diminuindo a quantidade de estradas e aceiros. Assim pudemos transformar parte dessas estradas em áreas produtivas”, detalha Sebastião Andrade.

Densidade de Estradas

  • Densidade ótima: trata-se da quantidade ideal de estradas por área de efetivo plantio.
  • Densidade aceitável: corresponde ranger de variação aceitável com base nos custos da densidade ótima.

Desafios da readequação

A estrada deve atender não só a parte de implantação florestal, mas também a fase de manutenção, colheita e transporte. O planejamento deve estar bem equilibrado de forma econômica, ambiental, técnica e social.

Estradas - B Forest 2

Durante o planejamento da implantação florestal, por exemplo, já é necessário ter conhecimento do traçado das estradas, quantidade de madeira que será colhida, qual o tipo de composição que fará o transporte, o sistema de colheita adotado e, é claro, a garantia do abastecimento fabril.

De acordo com o consultor da Malinovski, desenvolver um Plano Diretor de Estradas Florestais exige um planejamento detalhado de todas as etapas que compõem o processo. “Quando estamos redesenhando a malha viária, avaliamos diversos aspectos como as possíveis estradas utilizadas para o transporte de madeira, a distância média de extração, o período de utilização das estradas (épocas de chuva e seca), a necessidade de revestimento, a intensidade de tráfego e eventuais resenhos dos talhões.”

No caso da Ferbasa, em sete anos, serão percorridas todas as áreas de colheita, por isto, a readequação das estradas levou este aspecto em consideração. “Sabemos os procedimentos, técnicas e atividades de construção de estrada que serão executadas anualmente, como a construção de obras de arte, manobradores, cascalhamento, abertura de rampa, recuo”, detalha o diretor florestal da Ferbasa.

Um bom Plano Diretor de Estradas Florestais contém um cronograma físico financeiro de curto, médio ou logo prazo que auxilia na tomada de decisões estratégicas, no que diz respeito aos investimentos dos próximos anos. Com ele também é possível reduzir custos, diminuir riscos operacionais e garantir o abastecimento fabril, proporcionando melhor controle do fluxo de caixa.

Investimento X Custos

Construir estradas de alto padrão não é uma atividade barata. Tendo conhecimento desta realidade as empresas planejam e executam cuidadosamente as suas estradas tentando otimizar os investimentos. Porém, em algumas situações, as estradas acabam sendo construídas reativamente sob demanda por influência dos custos envolvidos.

Estradas - B Forest 3

De acordo com Sebastião, esta era a realidade da Ferbasa. “Construíamos de acordo com a demanda e mantínhamos um estoque, muitas vezes elevado, nas unidades de produção. Com a definição do Plano Diretor de Estradas Florestais, estamos investindo muito em estradas, mas por outro lado, reduzimos os custos de armazenamento da madeira nos pátios das unidades de produção.

Além do ganho operacional também tivemos ganhos financeiros porque estamos fazendo uma melhoria para as nossas estradas e florestas”, justifica. Quando se redimensiona a malha viária chegando a uma densidade aceitável da estrada também é possível obter ganhos como o aumento de área produtiva, redução da densidade, diminuição de passivos ambientais, segurança operacional e melhora do fluxo de transporte.

O uso do Plano Diretor de Estradas Florestais evitará desperdícios e garantirá de forma técnica e econômica o melhor uso dos recursos. Independente do porte da empresa, o planejamento é essencial para garantir a realização das operações de colheita e transporte e consequentemente, o abastecimento fabril.

Fonte: B. Forest / Edição 22

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