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Qual a importância do preparo de solo para que o rendimento das florestas seja alcançado?

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Qual a importância do preparo de solo para que o rendimento das florestas seja alcançado?

A pergunta pode parecer simples, mas diversas variáveis são trabalhadas no dia a dia do campo para que a alta qualidade do material genético não seja desperdiçada e o país continue ocupando posição de destaque no cenário mundial.

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30/08/2016 – Quando um profissional florestal é questionado sobre as oportunidades do setor, automaticamente, diversos argumentos positivos são enumerados. As condições edafoclimáticas são as primeiras, seguidas das tecnologias aplicadas às operações e a qualidade do material genético. Todos os argumentos são coerentes, porém, um fator essencial nem sempre é destacado, a qualidade do preparo do solo. Quando ele não é levado em consideração pode comprometer o potencial do material genético.

“Quando existirem boas condições de solo, o potencial genético de uma planta vai se manifestar. O correto preparo estimula o crescimento radical nas camadas superficiais, com isso a planta tem maior capacidade para se desenvolver”, explica o Dr. José Leonardo de Moraes Gonçalves, professor de solos e nutrição florestal da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – Universidade de São Paulo).

O preparo do solo, a adubação e a manutenção são vistas pelo professor de silvicultura da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Dr. Ricardo Malinovski como atividades integradas. “Uma depende da outra para o sucesso profícuo da produtividade florestal. Sem um preparo de solo adequado, certamente há uma limitação física para o melhor desenvolvimento da árvore, o que, certamente acarreta em perdas do potencial do crescimento do material genético”, afirma.

Uma boa subsolagem permite às mudas enraizarem rapidamente conferindo ao plantio um arranque de crescimento homogêneo. “A partir do bom desempenho desta atividade, outras inerentes ao preparo de solo como, fostatagens e adubações serão facilitadas, tanto na distribuição quantitativa recomendada dos insumos, como na aplicação dos mesmos na profundidade adequada para a rápida absorção pelas raízes”, justifica Fernando Moro, gerente de silvicultura da BSC/Copener.

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Dependendo do tipo de solo, textura, concentração de argila, impedimento físico, o solo requer um preparo de solo mais ou menos intensivo. Por isto, é preciso encontrar um meio termo entre o custo do preparo de solo e a qualidade do mesmo para se propiciar o crescimento da floresta.

“Se o solo é arenoso, mais aerado, não há um impedimento tão grande e não é preciso fazer um preparo de solo tão intensivo. Mas se o solo tem um impedimento físico e teor de argila mais alto, é necessário realizar um preparo de solo mais profundo, que desestruture o solo e propicie o crescimento da planta. Um preparo de solo mais agressivo custa mais caro, então se ele for realizado em um solo que não exige esta operação, haverá desperdício de um recurso importante”, justifica Mario Grassi, gerente de silvicultura da Fibria em Três Lagoas.

Destaque para o Brasil

Um ponto muito importante, que coloca o Brasil na vanguarda, é o alinhamento do preparo do solo à conservação do mesmo.

“Hoje a maioria das empresas brasileiras está trabalhando com um conceito de cultivo mínimo incorporado ao manejo. Mesmo as empresas que trabalham com subsolagem em uma determinada profundidade procuram não abrir demais a linha de plantio, buscando preservar o solo sem remover todo o resíduo que fica no talhão para aliar as condições necessárias ao enraizamento das plantas com a conservação do solo. Isso reflete diretamente na sustentabilidade da produtividade florestal”, destaca Mario Grassi.

Este aspecto interfere diretamente nas atividades de colheita de madeira.

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“Sabe-se que a relação da textura do solo, umidade existente no período em que o mesmo for trabalhado e a presença de resíduos no campo, nos dão uma indicação importante sobre a capacidade de suporte destas áreas. Esta informação deve ser utilizada para se evitar compactações, redução da porosidade, permeabilidade, perdas de matéria orgânica, água e solo do sistema, tanto na colheita como na silvicultura”, exemplifica Fernado Moro.

De acordo com Fernando, os resíduos provenientes da colheita, estes podem dificultar o bom acabamento das linhas de preparo, todavia ajudam a criar uma camada protetora entre o solo e a atmosfera, protegendo-o contra erosão e variações térmicas que impactam na atividade dos microrganismos e da fauna do solo.

Para o professor Ricardo Malinovski, a devida correção do solo e aplicação correta da adubação respeitando as características físicas de cada região, por meio de listas técnicas bem calibradas, deve ocorrer quando o solo estiver devidamente descompactado/desestruturado. “Independentemente do tipo de solo, o essencial para potencializar o crescimento é o volume de solo que será preparado.”

Quando ele está adequado, reduz a resistência à penetração das raízes, aumenta a porosidade do solo e sua aeração, permitindo às raízes da planta explorar melhor o ambiente em que se encontram, na busca por água e nutrientes, gastando menos energia.

Reforma de Áreas

Empresas florestais tradicionais estão reformando áreas que já passaram por diversos ciclos de plantio, esta atividade  pode acarretar problemas na hora do preparo do solo em função dos tocos remanescentes.

Vários equipamentos e técnicas já foram desenvolvidos e testados a fim de minimizar este passivo. Algumas empresas adotaram equipamentos para rebaixamento de tocos, como mulchers, em outras se faz a retirada de tocos utilizando máquina base e implemento acoplado na lança, uma espécie de pinça, com a intenção de utilização dos tocos para geração de energia. “Em um passado recente, algumas empresas avaliaram e testaram este sistema, porém não conseguiram provar a viabilidade econômica para o atual momento vivido”, detalhou o professor de silvicultura da UFPR.

Outra questão muito atual é o realinhamento dos plantios. “Com o acumulo de vários ciclos, tocos foram mantidos no campo. Por isto, hoje uma das principais inovações em preparo de solo tem relação com o realinhamento do plantio, de forma a facilitar as operações de colheita e também os tratos culturais pós-plantio”, explica o professor da ESALQ.

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Como exemplo, a BSC/Copener possui florestas de primeiro a quinto ciclo, com presença constante de tocos nas linhas de preparo do solo e nas demais atividades de manutenção. Além disto, novos espaçamentos vêm sendo recomendados para adequar a diversidade de seus materiais genéticos aos distintos ambientes climáticos existentes no norte baiano.

“A partir deste cenário, estamos revisando os espaçamentos e alinhamentos de plantio, no intuito de otimizar a conservação da água no sistema e mitigar custos futuros de corte, baldeio e transporte. Para tanto, como procedimento operacional, utilizamos o rebaixamento de tocos como atividade antecessora da subsolagem profunda (110 cm), fosfatagem e fertilização de base mecanizada, além de permitir o acesso às operações mecanizadas subsequentes”, conta Fernando.

Em áreas onde o acúmulo de resíduos é demasiado, a empresa utiliza limpa trilhos de lâmina frontal nas linhas de plantio para promover uma área de preparo de solo sem obstruções às máquinas e implementos.

Já na Fibria, são mantidos os tocos nos talhões. “Fizemos alguns testes na remoção, mas a atividade é cara e só se viabiliza se existir um mercado de consumo deste resíduo muito próximo das florestas. Também existem diversos questionamentos em relação à sustentabilidade do solo quando se está retirando a matéria orgânica dali”, detalha Mario Grassi.

Tendências

Tendo em vista a busca constante pelo melhor rendimento do material genético, as empresas florestais têm buscado suporte na tecnologia para otimizar as atividades.

“Com o aporte de tecnologia embarcada nos equipamentos para o exercício da silvicultura de precisão, os equipamentos passam a ter sensores eletrônicos para controlar a profundidade do plantio, por exemplo. Nos projetos mais avançados, os equipamentos estão georreferenciando as linhas de preparo de solo e, consequentemente, as linhas de plantio”, informa José Leonardo de Moraes Gonçalves.

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Mario Grassi da Fibria, conta que as empresas têm trabalhado muito e repensado conceitos em relação ao alinhamento do plantio. “Afinal o preparo de solo não é apenas a desestruturação do solo em si para propiciar o enraizamento, o alinhamento do plantio e o direcionamento da floresta.” Ele explica que com as máquinas pesadas que fazem o preparo de solo, o processo se torna mais adequado evitando a erosão no talhão e possibilitando a conservação do solo.

Outra tendência é o agrupamento de atividades para gerar a redução de custos e ganho operacional. Até na última década, o preparo de solo era feito por um subsolador que fazia única e exclusivamente o preparo de solo. Hoje, durante esta atividade, em uma única visita ao talhão, se faz o preparo de solo, a adubação de base do plantio, a marcação de cova e já se aplica o herbicida pré-emergente.

Conforme Fernando Moro, as atividades conjugadas trazem consigo prós e contras.

“O resultado é positivo em relação aos custos, com ganhos de escala e tempo. A conjugação de atividades reduz a demanda por máquinas e operadores qualificados, sendo este o principal objetivo das empresas. Na contramão da redução de custos, a qualidade das operações pode ser afetada negativamente, consumindo os ganhos de custos a partir do detrimento da produtividade da floresta. Se os parâmetros de qualidade estão sendo bem monitorados, a conjugação de operações distintas pode ser uma boa estratégia para a redução de custos sem acometer a produtividade”, pondera.

Fato é que o correto preparo de solo permite que o material genético se expresse da melhor forma, proporcionando o melhor desenvolvimento das árvores e, consequentemente, maior lucratividade para as empresas.

Fonte: B. Forest / Edição 22

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1Comentários
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    Nivaldo Campos de Melo
    fevereiro 16, 2019 at 21:24

    Adorei a matéria teria que ter alguns comentário em áreas Parana, Minas enfim pois os ciclo e equipamentos nesta região e mais complexa.

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