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Rendimento na Conversão de Tora em Madeira Serrada: Fatores mais Representativos

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Rendimento na Conversão de Tora em Madeira Serrada: Fatores mais Representativos

O rendimento no processo de desdobro, entendido como a relação entre o volume produzido de madeira serrada e o volume processado de toras, é um fator cada vez mais preponderante para a competitividade da indústria de madeira sólida. No Brasil, cerca de 35% do custo industrial da produção de madeira serrada é representado pela matéria-prima, ou seja, a madeira em tora. De maneira geral, as serrarias no país utilizam técnicas de desdobro que nem sempre alcançam resultados satisfatórios em relação ao rendimento em madeira serrada e qualidade de corte.

A produtividade de uma serraria pode ser influenciada por diversos fatores, porém dois aspectos se destacam entre os demais: Qualidade e Características da Tora e a Técnica de Desdobro.

1) Qualidade e Características da Tora

Em relação à Qualidade e Características da Tora os principais parâmetros que influenciam o rendimento são:

  • Conicidade: diferença excessiva entre os diâmetros da ponta grossa e da ponta fina resultam em perda excessiva de material, visto que a obtenção de madeira serrada se dará a partir da ponta de menor diâmetro (Figura 01). A conicidade ocorre principalmente em árvores isoladas ou situadas às margens de plantios florestais.
  • Tortuosidade: desvio na forma do tronco ou a forma irregular do mesmo, que pode gerar uma maior quantidade de resíduos, diminuindo o rendimento. A tortuosidade pode ser consequência tanto de fatores genéticos (características da espécie) quanto de influências externas (solos desfavoráveis, relevo, condições climáticas). Este tipo de defeito repercute tanto no aproveitamento longitudinal como transversal, conduzindo a obtenção de pequenas peças e excessivo seccionamento das toras (Figura 02).
  • Diâmetro: de maneira geral, quanto maior o diâmetro na ponta fina, maior o rendimento do processo de desdobro. Isso se dá pela maior possibilidade de arranjos e encaixes de peças de tamanho comercial com o crescimento do diâmetro (Figura 03).

2) Técnica de Desdobro

Tratando-se da Técnica de Desdobro os fatores que mais exercem influência sobre o rendimento e qualidade dos produtos serrados são:

  • Nível tecnológico e operação dos equipamentos: a produtividade da serraria será positivamente influenciada quanto melhor forem as condições de operação, nível de automação e adequação dos equipamentos. Porém o que se observa hoje é que grande parte das serrarias ainda possuem um baixo nível de automação, sendo fortemente dependente de mão-de-obra. Estima-se que cerca de 24% dos custos industriais estão alocados na mão de obra.
  • Espessura e afiação das serras: quanto menor a espessura e melhor os cuidados e processos de afiação das serras, maior o rendimento da serraria, com menor geração de resíduos.
  • Sistema de desdobro e diagramas de corte: podem variar de acordo com o propósito da serraria, características do produto a ser produzido e características da matéria-prima. Desse modo, o planejamento e análise adequada desses parâmetros irão direcionar a escolha do sistema de desdobro a ser aplicado, otimizando assim o processo e contribuindo para o nível de rendimento da serraria.

3)   Conclusões

Levando em consideração esses parâmetros essenciais para a análise do rendimento de uma serraria, a CONSUFOR conclui que:

  • Visto que mais de 1/3 do custo industrial de uma serraria refere-se ao custo com matéria-prima, a correta análise de rendimento do processo de desdobro é de vital importância em termos de competitividade no setor.
  • A implantação de um sistema de fiscalização e classificação de toras no pátio de toras é a melhor alternativa para se obter um controle de qualidade criterioso da matéria-prima que ingressa na indústria. A classificação no pátio de toras por classes diamétricas juntamente com a definição de um modelo de corte específico para cada classe, permite que a indústria otimize seus processos e atividades de desdobro.
  • Uma vez que boa parte das serrarias no país ainda dependem fortemente da mão-de-obra e não possuem condições de fazer grandes investimentos em automação, o processo de seleção e treinamento da equipe de operação é de suma importância.

Fica evidente assim, que o planejamento do processo produtivo de uma serraria deve sempre levar em consideração, as características inerentes da matéria-prima que irá utilizar no processo. Adequando suas atividades, modelos de corte e formas de operação às características da tora que ingressará na indústria, juntamente com o efetivo treinamento do quadro de funcionários envolvidos no processo, a empresa poderá vislumbrar incrementos no rendimento do processo produtivo que impactarão na estrutura de custos industriais, tornando-a cada mais competitiva no mercado.

Autor: Lucas Santana, Engenheiro Industrial da Madeira, Consultor da CONSUFOR.

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