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Série – O setor de C&P e a água: Pegada Hídrica

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Série – O setor de C&P e a água: Pegada Hídrica

11/07/2015 – Em tempos de mudança sobre o modo como a água participa do dia a dia da sociedade e dos segmentos industriais brasileiros, um método amadurece como meio de mensurar o uso do recurso natural. “A pegada hídrica funciona como uma ferramenta de gestão que auxilia a entender quanto de água é alocado no processo produtivo, além de ajudar a identificar sua origem e a quantidade necessária para que volte a estar disponível no ambiente”, define Vanessa Empinotti, Ph.D e professora adjunta do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Pegada_Hídrica

Ao reconhecer a dinâmica envolvida no uso da água, o setor produtivo pode utilizar as informações para orientar suas ações para aumentar a eficiência, investindo, por exemplo, em tecnologias que promovam o reaproveitamento da água e façam um monitoramento mais detalhado do uso e das perdas durante o processo fabril. Investimentos na área de tratamento de efluentes, detalhamento dos processos de contaminação de fertilizantes e agrotóxicos nos corpos de água e práticas de irrigação mais eficientes são outros exemplos de caminhos apontados com o auxílio da pegada hídrica, conforme descreve Vanessa.

Atenta ao tema, a Celulose Riograndense já deu início ao cálculo de sua pegada hídrica.

“Temos feito trabalhos de pesquisa internamente para chegar a esses valores. A mensuração da área industrial é mais simples, pois temos todo um controle dos números apresentados. Já na parte florestal, estamos fazendo pesquisas para estimar e detalhar o ciclo de água. Chegamos a algumas conclusões, mas a pesquisa ainda vai se desenrolar por um bom tempo”, revela Walter Lídio Nunes, diretor presidente, sobre o status do levantamento.

José Reinaldo Marquezini, gerente técnico da Bignardi, reconhece que a água passou a ser cada vez mais valorizada e disputada, tornando-se um bem estratégico a todos.

“A sociedade começa a olhar o consumo da água com caráter mais crítico, e as empresas do setor deverão mostrar que dão a esse bem a devida importância. O tema da pegada hídrica de produtos começa a ser abordado mais frequentemente nas discussões sobre sustentabilidade e a influenciar o mercado. O consumidor vai ditar a velocidade e a intensidade das adequações de nosso setor”, vislumbra.

Entre 2010 e 2013, a Fibria desenvolveu o projeto de elaboração da pegada hídrica da produção de celulose em suas três plantas. “A iniciativa da empresa ocorreu em parceira com o Grupo de Estudos em Governança Ambiental GovAmb – IEE/USP”, lembra Vanessa.

“O estudo teve por objetivo identificar como a água é alocada no processo de fabricação de celulose, considerando a produção das mudas, o cultivo do eucalipto e a transformação no produto. Assim foi possível identificar áreas de investimento e alteração de práticas produtivas que levassem ao aumento da eficiência do uso da água no processo”, detalha a pesquisadora que participou do trabalho.

“Percebemos que a pegada hídrica seria uma interessante ferramenta de gerenciamento para darmos andamento a nosso programa de ecoeficiência, ou seja, de sempre usar o recurso de forma racional”, resume Umberto Cinque, gerente geral de Meio Ambiente Industrial.

Além de permitir que a empresa trabalhe melhor a questão do consumo de água, Cinque acredita que chegar ao valor do volume efetivamente usado no processo colabora com o entendimento da sociedade a respeito da postura da Fibria sobre o uso do recurso natural.

“Essa diferenciação entre o que é captado e de fato consumido tem importância fundamental para os esclarecimentos voltados à sociedade, que até então via a indústria de celulose e papel como aquaintensiva.”

Na visão de Vanessa, o diálogo entre o meio acadêmico e o setor privado também é estratégico no suporte à inovação. Ela acredita que a relação do setor de celulose e papel com as universidades poderia ser muito mais produtiva, já que as universidades não só apontam soluções, como também geram conhecimento. “É uma excelente oportunidade para os técnicos e o setor refletirem sobre suas próprias práticas e atualizarem seu conhecimento com relação às principais discussões de ponta e as demandas da sociedade”, diz, ressaltando que o investimento da indústria em linhas de pesquisa nas universidades tem potencial para intensificar a troca de experiências e o desenvolvimento de novos entendimentos sobre o processo produtivo que poderiam levar ao desenvolvimento de novas tecnologias.

“Certamente há muito espaço para o crescimento das parcerias entre o setor e as universidades.”

Com informações da Revista O Papel

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