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SETOR DE BASE FLORESTAL É ESSENCIAL

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SETOR DE BASE FLORESTAL É ESSENCIAL

Em carta endereçada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o presidente da Câmara Setorial de Florestas Plantadas, Luiz Ramires Jr., encaminhou as principais preocupações e demandas do setor, decorrente dos desdobramentos da pandemia de Covid 19.
O conteúdo foi construído em caráter de urgência e após consulta às Associações Florestais Estaduais. Na carta ele reforça que produtos da indústria de base florestal são essenciais e que o setor vem seguindo rigidamente os protocolos de segurança e as orientações dos órgãos de saúde. Lembrou também que vem das florestas plantadas a matéria-prima para vários produtos de higiene pessoal, limpeza, produtos hospitalares, medicamentos e embalagens.
Por último, foram listadas as preocupações do setor em curto, médio e longo prazo. O objetivo é solicitar ao governo federal que garanta as condições de logística, principalmente no fornecimento de suprimentos, para que não haja risco de colapso no setor, e por consequência em outros, gerando uma reação em cadeia.

Veja o conteúdo na íntegra.

São Paulo, 27/03/2020

Exmo. Sr. EDUARDO SAMPAIO MARQUE Secretário de Política Agrícola Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Exmo. Sr. HELINTON ROCHA
Coordenador Geral das Câmaras Setoriais e Temáticas. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Prezados Srs. Eduardo Sampaio e Helinton Rocha,

Em resposta a solicitação feita pelo MAPA ao Presidente da Câmara Setorial de Florestas Plantadas, que é um dos signatários desta, ao lado da IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores) e das Associações Florestais Estaduais que a ela são associadas, trazemos à consideração de Vossas Senhorias as informações coletadas no âmbito do setor de florestas plantadas.

Inicialmente, cabe esclarecer que os produtos da indústria de base florestal são essenciais para enfrentar os desafios atuais impostos pela pandemia da COVID19. Com atuação em mais de 1000 municípios, em fábricas e áreas florestais espalhadas por quase todos os Estados brasileiros, o setor é fonte de mais de 5 mil produtos, alguns deles fundamentais para o dia a dia de todos, inclusive para proteger os profissionais de saúde.

A gravidade desse momento exige que todos estejamos conscientes e com atitudes necessárias para minimizar o impacto dessa crise, assim como seus desdobramentos sociais e econômicos. Neste sentido, o setor vem seguindo rigidamente os protocolos de segurança e as orientações dos órgãos de saúde para prevenir o avanço da COVID19 em suas áreas, de modo a cuidar da saúde de seus colaboradores.

No entanto, gostaríamos de reiterar a importância da manutenção das atividades na cadeia de produção do setor de florestas plantadas, o qual é responsável pelo suprimento de matéria prima para vários produtos de higiene pessoal, limpeza, produtos hospitalares, medicamentos e embalagens. Ou seja, tais produtos fazem parte de cadeias produtivas que são essenciais neste momento de prevenção e distanciamento social.

Neste sentido, o Presidente da Câmara Setorial de Florestas Plantadas, Luiz Ramires Jr., a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e todas as associadas estaduais florestais (ACR, AGEFLOR, AMIF, APRE, ABAF, AREFLORESTA, CEDAGRO, FLORESTAR, REFLORE), destacam abaixo os potenciais riscos para as operações florestais geradas pela pandemia do COVID 19 e principalmente pelas recorrentes ameaças à paralização das atividades.

Esclareça-se que as observações abaixo listadas resultam de consulta feita a todas as Associações Florestais Estaduais, com a urgência que a matéria requer, o que não significam que possam ser exaustivas de outras preocupações que afligem o setor, neste momento tão desafiador para o Brasil e o mundo.

Preocupações de Curto prazo (7 dias):

 Municípios legislando por conta própria, por vezes de maneira descompassada com as orientações de governos estaduais e do governo federal;

 Restrição ao fluxo de produtos e insumos, comprometendo o abastecimento e a produção de bens essenciais conforme citado acima;

 Decretos locais que limitam o transporte de profissionais e impõem sanções sem critérios definidos;

 Dificuldade no transporte de cargas e mercadorias devido à falta de serviços de alimentação e hospedagem para caminhoneiros, além de outros serviços que compõem a cadeia: combustível, borracharia, mecânica;

 Fechamento de serviços de suporte das fábricas e operações florestais, causando obrigatoriamente a redução das operações.

 Falta de manutenção do maquinário, reduzindo a eficiência dos equipamentos e prejudicando as linhas de produção;

 Suspensão da entrega de refeições e/ou desabastecimento de suprimentos para preparo das refeições coletivas para as equipes que continuam trabalhando.

Preocupações de Médio Prazo:

 Falta de contêineres para exportação de produtos industrializados;

 Renegociação de pagamento com fornecedores;

 Impacto na capacidade de produção, caso haja fechamento de divisas estaduais e municipais;

 Restrições na logística: aquisição e transporte de insumos, equipamentos e fluxo dos próprios trabalhadores nas áreas de operação;

 Redução na produção devido a dificuldades de logística e operacionalização;

 Falta de mão de obra para as operações florestais, industriais e também atividades essenciais, como combate a incêndios. O país entrará no período de seca em que a incidência de incêndio é muito alta e o combate às queimadas poderá ser prejudicado;

 Comprometimento da subsistência dos autônomos e pequenos produtores e comerciantes que dependem, economicamente, do setor florestal;

Preocupações de Longo Prazo

 Comprometimento das empresas de pequeno porte e seus postos de trabalho;

 Risco da parada total por dificuldades de abastecimento e falta de mão de obra

 Desligamento de funcionários;

 Recessão econômica;

 Redução de demanda por commodities;

 Necessidade de medidas para garantir renda e consumo para população;

 Desabastecimento de materiais de segurança – EPI’s, de materiais de limpeza e higiene;

 Paralisação de investimentos;

O setor de base florestal é essencial e não pode parar, a fim de que seus produtos não faltem à população. Ficamos à disposição para esclarecimentos adicionais.

Atenciosamente,
Luiz Ramires Jr.
Presidente da Câmara Setorial de Florestas Plantadas

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