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Setor Madeireiro – Marcio Funchal – Desempenho dos salários no setor de celulose e papel

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Setor Madeireiro – Marcio Funchal – Desempenho dos salários no setor de celulose e papel

26/02/2016 – O setor de base florestal contribui com pouco mais de 1,2% no PIB brasileiro. Dentro do setor florestal, a indústria de celulose e papel é extremamente relevante, pois representa cerca de 40% do PIB florestal do Brasil. Ainda em termos setoriais, é interessante notar que as indústrias de celulose e papel representam, juntas, o maior montante de investimentos do parque industrial do setor florestal brasileiro. Além disso, os números oficiais mostram que hoje as companhias desses segmentos empregam em torno de 180 mil trabalhadores formais (considerando apenas os empregos diretos).

Em termos de crescimento, a celulose acumula aumento do número de postos de trabalho de cerca de 40% na última década, e o segmento de papel, no mesmo período, cerca de 20% de crescimento. Com essa alta dos postos de trabalho, espera-se que as companhias tenham observado uma escalada nos custos salariais, importante componente de gastos dentro do processo produtivo.

A Figura 1 mostra que a folha de pagamento do segmento de celulose e papel cresceu cerca de 60% em termos nominais nos últimos dez anos. Esse comportamento é bastante inferior ao vislumbrado pelo crescimento médio de toda a indústria de transformação brasileira, que praticamente dobrou o valor da folha salarial no mesmo período. Comparativamente, vê-se que a folha de salários da indústria da madeira teve crescimento nominal nulo na última década. Quando se olham os mesmos resultados, mas retirando os efeitos inflacionários, fica evidente a partir da Figura 2 que a folha salarial do segmento de celulose e papel apresentou crescimento real negativo nos últimos dez anos, atingindo um patamar acumulado de perdas da ordem de 13% em relação aos níveis do início de 2005.

figura 1 funchal jan 16 figura 2 funchal jan 16

Comparativamente, a folha salarial da indústria da madeira acumulou queda real de valores de mais de 45% no mesmo período, enquanto a indústria de transformação brasileira demonstrou, na média, crescimento real da folha de salários de 10%, porém com evidente trajetória de queda a partir de 2014. Analisando agora as estatísticas pelo enfoque individual do trabalhador, vê-se novamente nas Figuras 3 e 4 uma forte influência da pressão inflacionária.

O trabalhador do segmento de celulose e papel observou um crescimento nominal de salários, na média, de cerca de 85% nos últimos dez anos. Em termos reais, contudo, esse crescimento acumulado foi de pouco mais de 3%. Esse desempenho foi bem inferior aos segmentos industriais de comparação. Nessa mesma análise, o trabalhador da indústria da madeira teve, no respectivo período, crescimento nominal médio acumulado da ordem de 145% no salário médio, ou cerca de 35% em termos reais. O trabalhador da indústria da transformação, nas mesmas bases, teve crescimentos de salários médios correspondentes a 118% e 20%, respectivamente. Esses números mostram que, em linhas gerais, as cadeias produtivas no Brasil observam diferentes realidades de negócio, mesmo que inseridas em um mesmo setor de produção (no caso da análise, celulose e papel x madeira).

Por isso mesmo, suas estratégias precisam ser dimensionadas de modo próprio às suas demandas setoriais e produtivas. O desafio para a indústria de celulose e papel continua a ser o de ganho de competitividade, seja por meio de aumento de eficiência interna (aumento de produtividade e eficiência operacional, redução de custos, etc.) ou por vias estruturais (logística de escoamento, suprimento de insumos e outros) e mercadológicas (atendimento a mercados estratégicos e ampliação das margens de venda, entre outros). Independentemente do caminho escolhido, essas indústrias continuarão a ser atrativas em termos de captação de investimentos e importantes para o desenvolvimento da economia brasileira.

A questão deixada em aberto para discussão é se esses importantes segmentos da economia brasileira (celulose e papel) continuarão a ser atrativos para os trabalhadores, que vislumbram em seus postos de trabalho oportunidades de crescimento profissional, mas também de ganhos salariais. Será? O tempo deverá nos responder…

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