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Sistema de visão eletrônica movimentará de drones a empilhadeiras

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Sistema de visão eletrônica movimentará de drones a empilhadeiras

Com o objetivo de desenvolver sistemas eletrônicos que mimetizam a visão humana, os cientistas da computação da Acta Visio vêm criando soluções a serem utilizadas, por exemplo, no interior de hospitais ou em processos de chão de fábrica. Atualmente, um dos principais projetos da startup sediada em Campinas é aperfeiçoar um sistema eletrônico que permita a pessoas tetraplégicas movimentar drones ou ferramentas externas, como câmeras e garras, apenas com a movimentação dos olhos.

Segundo Marcus Lima, um dos fundadores da Acta Visio, a empresa testou com sucesso o uso do protótipo de sistema de rastreamento ocular embarcado em óculos de visão em primeira pessoa para controle de um drone destinado a pessoas tetraplégicas. O projeto teve o apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, entre maio de 2017 e abril de 2018. O desafio agora será desenvolver o lado comercial do projeto.

O software desenvolvido pela equipe da Acta Visio, formada por seis pesquisadores, está embarcado também em um aplicativo que permite às pessoas portadoras de deficiência física se comunicar com o piscar dos olhos. “Desenvolvemos um sistema semelhante ao que era usado pelo Stephen Hawking”, compara o empreendedor. O físico teórico inglês morto em 2018 aos 76 anos de idade tinha esclerose lateral amiotrófica, doença que paralisou por décadas quase todos os músculos do cientista.

O aplicativo, segundo Lima, é voltado para dispositivos móveis. Por meio da câmera frontal dos celulares, comandos oculares são detectados. O sistema eletrônico, então, gera um texto, automaticamente convertido em forma de fala.

Por meio desse mesmo sistema também é possível movimentar objetos, como um drone, explica Lima. O processo, relativamente simples, é dividido em três partes. Na primeira etapa do fluxo de operações, as imagens oculares são rastreadas por um sistema de câmeras e pré-processadas antes de serem enviadas ao computador receptor. Num segundo momento, o sistema de software instalado na máquina recebe, processa, traduz e envia as informações ao drone. O objeto em voo, na terceira parte do processo, será alcançado por um sistema de telemetria, que se comunica com o computador por meio do Wi-Fi ou de radiofrequência. Quando o controlador movimenta os olhos para cima ou para baixo, o drone segue a mesma trajetória. Idem para quando os globos oculares do piloto se deslocam para a esquerda ou direita.

Em outro projeto apoiado pelo PIPE-FAPESP, em fase de desenvolvimento, esse sistema de câmeras será utilizado dentro de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) hospitalares para monitorar a higienização das mãos de profissionais de saúde, prática considerada indispensável para evitar infecção hospitalar dos pacientes internados.

“Atualmente, a fiscalização da forma correta de se lavar as mãos nas UTIs hospitalares é feita de forma manual, por meio de um observador. Nossa intenção é automatizar esse processo, por meio de um sistema de monitoramento”, explica Lima.

A ideia é que um sensor, próximo da pia do hospital, registre a forma como o funcionário higieniza as suas mãos. Se o computador entender que o processo foi bem feito, uma luz verde acenderá no crachá do profissional de saúde. A luz vermelha indicará que a lavagem das mãos precisa ser refeita. Este sistema, ainda em fase inicial de desenvolvimento, está sendo construído em parceria com o Hospital Cajuru, de Curitiba.

Quebra-cabeça gigante

“O sistema com melhor desempenho comercial é o de checagem da montagem de grandes peças industriais por meio de câmeras”, afirma Lima. Algumas empresas do setor de base, como as que constroem prensas automobilísticas usadas, por exemplo, na linha de montagem de veículos automotores, precisam montar gigantescos quebra-cabeças. São peças grandes, com várias partes soldadas, que precisam ser encaixadas umas nas outras com precisão milimétrica.

“O nosso sistema de câmeras, móvel ou fixo, é capaz de fazer a checagem dos encaixes e comparar com o projeto mecânico em 3D daquela peça. Qualquer encaixe fora do desenho inicial gera um aviso ao montador”, explica Lima. A varredura eletrônica de falhas na montagem das peças é feita em quatro ou cinco horas; o método tradicional, manual, demora até dois dias.

A Acta Visio tem mais um projeto em andamento. Segundo Lima, a ideia é transformar empilhadeiras convencionais de grandes depósitos em equipamentos autônomos. Os olhos dos operadores deverão ser substituídos por um conjunto de câmeras e sensores de presença que vão guiar o deslocamento das pequenas máquinas de transporte estoque adentro. O sistema é informado da planta do depósito e, com isso, a empilhadeira se desloca com segurança pelo local, segundo os desenvolvedores do programa.

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