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Três Lagoas o centro mundial de produção de papel

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Três Lagoas o centro mundial de produção de papel

Na região, trabalham 11 mil pessoas, número superior a muitos municípios de MS

Conta a história que um chinês de apenas 20 anos, chamado T’sai Lun, fez uma mistura com casca de amoreira e outros produtos com fonte de fibras vegetais, bateu a massa até formar uma pasta, peneirou tudo, obtendo uma camada fina, que deixou secando ao sol. Pronto, o jovem chinês acabava de inventar o papel. O provável ano era 105 d.C., mas a técnica teria ficado escondida por cinco séculos.

Passados quase 2 mil anos da invenção de T’sai Lun, um formigueiro humano de 11 mil pessoas produzem anualmente 3,6 milhões de toneladas de celulose e papel na região de Três Lagoas. O processo produtivo, com investimentos bilionários e estatísticas superlativas, tem como base a técnica do chinês, que viveu no início da Era Cristã, com acréscimo de muita tecnologia.

Unidades das gigantes Fibria e Eldorado instaladas em Três Lagoas fazem do local a região com a maior concentração mundial na produção de celulose. Com a recente expansão da Fibria, a estimativa é de produção de 3,37 milhões de toneladas de celulose por ano no município sul-mato-grossense, considerando os números das duas empresas.

Para atender essa produção, há um “mar verde” de 548 mil hectares de florestas plantadas em Três Lagoas e outros municípios de Mato Grosso do Sul. Nessa área, cabem 12.454 “Vaticanos” – o menor país do mundo, o Vaticano, tem 0,44 Km². Corresponde, ainda, a 1,5% do território sul-mato-grossense.

Também em Três Lagoas, há unidade da IP (Internacional Paper), líder global em seu segmento. A fábrica produz a média anual de 236 mil toneladas de papel para imprimir e escrever. Esse volume corresponde a 23% da produção nacional da empresa – no Brasil, a IP também tem plantas em Luiz Antônio e Mogi Guaçu, municípios do interior de São Paulo.

Na Fibria, Eldorado e IP, trabalham, em Três Lagoas e região, 11,3 mil pessoas. Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, 31 têm população abaixo desse número. Os produtos resultantes do trabalho desses milhares de funcionários são destinados ao mercado doméstico e a 47 países.

Além do papel para imprimir e escrever produzido pela IP, diversos produtos são feitos a partir da celulose fornecida pela Eldorado e Fibria. Nessa relação, há toalha, guardanapo, papel higiênico, lenço de papel, rótulo de garrafa, filtro de papel, falda descartável, papel cartão, papel para livros e cadernos, absorventes, entre outros.

Expansão – Esses números serão ainda maiores nos próximos anos. No dia 23 de agosto, a Fibria iniciou as operações da sua segunda fábrica em Três Lagoas. Neste ano, serão produzidas 377 mil toneladas de celulose. Para 2018, a projeção é de 1,75 milhão de toneladas do produto e para o ano seguinte, 1,85 milhão de toneladas.

Em 2020, a unidade deve chegar à sua capacidade de 1,95 milhão de toneladas. Com isso, a produção total da Fibria em Três Lagoas, somará 3,25 milhões de toneladas de celulose.

O investimento na construção da segunda linha de Três Lagoas foi de R$ 7,345 bilhões. De acordo com a Fibria, foram utilizados na obra 225 mil m³ de concreto, volume suficiente para construir quase três estádios do tamanho do Maracanã.

Tecnologia – Entre os novidades tecnológicas da Fibria, nesse momento de expansão, está o primeiro viveiro automatizado de mudas de eucalipto do mundo. São 48 mil m², com capacidade de produção de 43 milhões de mudas por ano.

No viveiro, há 24 robôs que selecionam, plantam e fazem diagnóstico das mudas. O embarque também é feito com base em inteligência artificial. “A tecnologia foi importada da Holanda, onde já é usada para o plantio automatizado de mudas de flores. Esse modelo permitirá à Fibria ter uma produtividade três vezes maior do que um viveiro tradicional”, informou a empresa.

Processo de produção – A casca de amoreira, usada há 1912 anos por T’sai Lun, deu lugar, sobretudo, ao pinus e eucalipto. No caso da produção em Três Lagoas, a matéria-prima é o eucalipto. Depois de colhida, a madeira dessa árvore é descascada e transformada em tora de seis metros. Mais de duas centenas de caminhões transportam as toras às unidades de produção.

Na indústria, as toras passam pelos chamados picadores e são transformadas em “cavacos”, pequenos pedaços de madeira, segundo informa Marcel Martins, gerente de produção da unidade da Eldorado em Três Lagoas.

Os cavacos passam por processo de cozimento em digestores, etapa em que a fibra de celulose é separada dos materiais inorgânicos e de um componente orgânico, chamado lignina.

Com alto poder calórico, a lignina é usada na produção de energia, o que torna a Eldorado autossuficiente na utilização desse insumo. São produzidas 100 Mw para o processo produtivo e são gerados excedentes. Situação semelhante ocorre na Fibria, onde o excedente de energia chegará a 130 Mw.

Do cozimento dos cavacos, resulta a pasta de celulose, que é levada a reatores de branqueamento. Depois disso, o material passa por novo processo de secagem. São usados rolos, que prensam e fazem a drenagem da celulose. O passo seguinte é o corte em forma de lâminas, que são empilhadas, dobradas e empacotadas para o transporte.

Descrito em poucos parágrafos, o processo parece simples. No entanto, ao contrário, a produção é complexa, o que exige pesquisas constantes, com altos investimentos. O trabalho também é praticamente ininterrupto. Os profissionais são organizados em turnos, que produzem até mesmo durante a madrugada.

De volta ao rio – Sem natureza não há papel. E não se trata apenas de árvores. Volume grande de água também é usado no processo produtivo. Entretanto, a água, utilizada na produção, é tratada e, em parte, devolvida ao rio, de onde é tirada.

Na IP, por exemplo, do volume de água usada no processo de produção, são devolvidos 90% à natureza, conforme informou Amaury Malia, gerente-geral da unidade em Três Lagoas. “Além disso, cerca de 80% da energia consumida é de origem renovável e produzida em nossas fábricas”, acrescenta.

Crise do papel – E a tal crise do papel? Os números de venda e consumo parecem desconhecer essa crise, ao menos da forma como é propagada. De acordo com a Secex (Secretaria do Comércio Exterior) do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o Brasil exportou, de janeiro a setembro deste ano, 10,2 milhões de toneladas de celulose e papel.

Desse volume, 17,5% (ou 1,79 milhão de toneladas) saíram de Mato Grosso do Sul, proporcionando receita de US$ 726,86 milhões. A maior parte dessa venda foi destinada à China, terra onde tudo começou.

Por: Campo Grande News

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2Comentários
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    Norivaldo dos Anjos
    outubro 13, 2017 at 16:19

    Fantástico!!!! Este é o país que todos nós precisamos. Excelente matérias, parabéns!

  • Avatar
    Helio Aroldo dos Santos
    novembro 21, 2017 at 17:41

    gostaria muito de estar trabalhando mas estou aposentado como supervisor de turno sou um eterno apaixonado pela produção de celulose e papel

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