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Viajando pelo setor – Ana Xavier – III Semana Acadêmica de Engenharia Florestal, em Belém do Pará

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Viajando pelo setor – Ana Xavier – III Semana Acadêmica de Engenharia Florestal, em Belém do Pará

  • Informações de bordo: III SAEF – Semana Acadêmica de Engenharia Florestal: Atuação do Engenheiro Florestal Frente as Demandas Atuais e Futuras da Sociedade – 1 a 4 de Setembro
  • Local: Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA, Belém do Pará – PA
  • Carga horária – CH: 16 horas de minicurso + palestras.
  • Período de viagem: 26 de Agosto – 15 de Setembro
  • Rodoviário: Primeira etapa: Rota Rio Branco-AC a Belém-PA, 4.890km. Segunda etapa: Belém-PA a Goiânia-GO, 1.905km em aproximadamente 26 horas.
  • Acompanhante de viagem: Sem acompanhantes.

III Semana Acadêmica de Engenharia Florestal 211/11/2015 – Égua! O município de Belém, cidade maravilhosa de pessoas acolhedoras, é a capital do Pará e antiga capital do Brasil quando este ainda era, em partes, denominado Grão-Pará. Estrategicamente fundada desde 1616 como núcleo armado de defesa territorial, tais vestígios podem ser observados em construções históricas como o Forte Castelo e os casarões coloniais, construídos com o intuito de receber a corte portuguesa acontecimento este esperado mas que não ocorreu pois acabaram se direcionando ao Rio de Janeiro, para a surpresa paraense.

Por conta da dependência derivada da exploração dos recursos naturais amazônicos a cidade foi um dos últimos polos a se tornar independes do vínculo português, que só ocorreu de fato na década de 1970 com a chegada da rodovia Belém-Brasília, ocasionando/sendo o berço de inúmeros movimentos e acontecimentos de âmbito nacional o que não poderia deixar de fora a comunidade acadêmica, possuindo uma das mais antigas instituições de ensino superior, criada em 1957. Hoje, dispõem de Seis universidades públicas, entre elas: a Universidade Federal do Pará – UFPA; a Universidade Estadual do Pará – UEPA; e a Universidade Federal Rural da Amazônia, local de realização do III SAEF.

A UFRA, anteriormente chamada Faculdade de Ciências Agrárias do Pará – FCAP, foi a sexta instituição nacional a ofertar o curso de Engenharia Florestal, 1975, que atualmente está presente em pelo menos 60 universidades espelhadas pelo Brasil. Com essa trajetória, uma das pioneiras, não é de se surpreender que esteja no topo entre as melhores Universidades Federais do país em tal área, onde, devido a sua posição geográfica está na Porta de entrada para a Floresta Amazônica, fato que atribui ainda mais espaço e acessibilidade de ensino à maior cobertura vegetal do Brasil com florestas de terra firme, florestas fluviais alagadas e rios que representam a maior reserva de agua doce do mundo.

III Semana Acadêmica de Engenharia FlorestalLogo, a Semana Acadêmica de Engenharia Florestal trouxe uma variedade de conhecimentos práticos no bioma Amazônico que é um quesito bastante agradável à um calango do Cerrado que pouco entende, falo por mim, dessa flora que contém de 10 a 20% das espécies vegetais do planeta. O evento, com várias opções atrativas de minicursos, foi organizado com o apoio do Diretório Central dos Estudantes – DCE, do Programa de Educação Tutorial – PET e do Centro Acadêmico de Engenharia Florestal – CAEF.

Eu escolhi um minicurso bastante abrangente mas com um plus especifico de ter ocorrido no Jardim Botânico da Amazônia – Bosque Rodrigues Alves, o tema: Técnicas e coleta de material botânico, ministrado pela Profa. e Dra. Gracialda Costa Ferreira do Departamento de Identificação da Madeira e Dendrologia da UFRA. O curso, como o nome já diz, se baseou nos procedimentos da coleta e preparar exsicatas desde identificação até preenchimento de formulários e etiquetas, tratamentos, construção de uma estufa e a distribuição do material para o acervo de herbários que serve para auxiliar na documentação de espécies referidas em pesquisas, organização de coleções e a obtenção de material didático. Queria ter feito Rapel em uma daquelas arvores gigantescas para coletar, mas acabamos coletando somente nas que foram possíveis com a utilização do bastão. Ainda voltarei lá para esse feito. A professora muito atenciosa e receptiva me cedeu um catálogo da Coleção Espécies Arbóreas da Amazônia, com um Glossário de termos botânicos – volume especial. Muito grata pelo compartilhamento.

Ainda tivemos algumas palestras sobre pesquisa, atuação e o mercado de trabalho do Engenheiro Florestal e algumas atribuições sobre o comercio de florestas plantadas. Foram realizadas três viagens técnicas, mas essas eram reservadas apenas aos alunos da instituição. Foram elas: Distrito Industrial de Ananindeua, Tomé-Açu ou Igarapé-Açu. No último dia deixei a minha marca em frente ao prédio central… Em forma de muda de Açaí. Foi realizado um plantio de mudas, de diferentes espécies, nas dependências central do campus e após a premiação dos trabalhos e das homenagens, houve o encerramento.

Parte bônus da exploração territorial da UFRA: Que a minha ignorância seja perdoada, mas eu nunca havia experimentado, pegado ou até mesmo visto um cacau ao vivo. Nunca nem havia parado para imaginar como ele seria e nem pensado no fato de ignorar a sua existência. Os amigos filhos da UEPA e da UFRA me acompanharam, na verdade eu os acompanhei, numa pequena trilha adentro de uma vegetação do campus e encontramos um! Eu tive que coletar, experimentar e fazer a piada – que imagino ser clichê – de que cacau não tem gosto de chocolate. Só para aumentar ainda mais o momento cômico.

III Semana Acadêmica de Engenharia Florestal 3Eu não poderia encerrar essa matéria sem falar um pouco dos aspectos culturais que presenciei durante as minhas semanas de convívio com o mundo paraense. Por se tratar da Amazônica a cultura tradicional já vem, desde o ciclo da borracha, de uma relação de miscigenação, exploração/dependência dos atributos florestais que resultou em uma importância no comercio internacional, nesse período foram construídos prédios de grande relevância como o Teatro da Paz, Palácios e o conhecidíssimo Ver-o-Peso. Agregando também grande valor à culinária local seja pelo famoso Açaí do Pará, pela cachaça de Jambú que tanto treme, ou pela castanha. Sem contar, a predominância dos traços indígenas e portugueses.

Como não dá para descrever tudo que conheci, e adorei, de Belém em somente uma matéria… Vou pelo menos apresentar esse talismã histórico que é extremamente conhecido e apreciado por seus nativos e turistas. Carrego o meu todos os dias.

Muiraquitã

Lenda, ou não. Normalmente é um sapinho feito de pedra ou argila, normalmente é encontrado na cor verde pois originalmente era talhado em jade – o meu é de coquinho. Se diz que as Índias que habitavam as margens do Rio Amazonas confeccionavam, nas noites de luar, utilizando um material retirado do fundo do lago e ofereciam aos seus amados, que os utilizava pendurados ao pescoço e levavam a caça acreditando que trariam boa sorte e felicidade.

Pode-se encontrar diferentes versões na internet, incluindo a histórica e sobre seus Muiraquitãs originais expostos em museus.

 Itens perdidos: Zero. Itens encontrados: Celular.

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Sobre o Autor
Ana Xavier - Viajando pelo Setor
Ana Xavier - Viajando pelo Setor
é estudante de engenharia florestal e apaixonada por viagens
1Comentários
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  • Andreza
    novembro 19, 2015 at 15:12

    Amei o texto sobre a minha terrinha! De fato seriam necessários muitos caracteres para descrever essa grande experiência. Eu acho maravilhoso ver a admiração das pessoas quando veêm a Mata Amazônica, você não só viu como entrou, explorou e sentiu bem a força desse bioma que é lindo e todos precisam saber preservá-lo.

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